Estou sem chão, sem vontade de seguir a vida, tentando ser forte mas tudo que eu vejo me lembra o meu amor… Conheci o meu professor no segundo ano de faculdade, eu tinha 23 anos e ele 49. Eu só fazia a matéria dele na turma da noite e no primeiro dia de aula eu cheguei atrasada e corri para sentar no fundo da sala. Ele fez questão de perguntar meu nome na frente de todo mundo. Eu fiquei roxa de vergonha e me apresentei. Depois de um minuto olhando nos meus olhos ele continuou e eu me sentei. Ele tinha se apaixonado naquele momento. Mas nós dois éramos casados. Eu já tinha 1 filho de seis meses. Mas ele não conseguia disfarçar os sentimentos e eu aos poucos fui cedendo. Um dia depois da aula ele me levou até perto de casa e na despedida aconteceu nosso primeiro beijo. Foi tão intenso, a minha respiração tremida, as mãos frias dele na minha nuca.. O sabor da boca, o calor da pele… Eu me perdi naquele homem. Mas logo em seguida ele começou a me ignorar. Dizia que não poderia se envolver e nunca respondia meus bilhetes. Eu cada dia mais apaixonada mandava fotos, declarações, mas ele se afastou. Para reprovar na disciplina dele fiquei de recuperação, e no dia de aplicar a prova, só havia nós dois. Eu enrolei um monte e quando entreguei ele me perguntou porque estava em branco. Eu respondi que não sabia. Ele ficou bravo e pegou forte no meu braço dizendo que não podia fazer aquilo. Logo nos beijamos e fizemos amor no laboratório mesmo, numa intensidade louca, ele me machucou e eu nem senti dor. Nem pensamos que poderia ter aparecido alguém. Mas quando acabamos e os sentidos começaram a voltar ele falou sério que não ia me reprovar. Eu sentei o primeiro e único tapa na face dele. Saí chorando e jurei que nunca mais íamos nos encontrar. Passou alguns anos e o meu casamento ia de mal a pior. Tive o segundo filho seis anos depois. Descobri uma traição. Voltei a procurar meu professor. E ele quando me viu depois de tantos anos suspirou fundo e quando o abracei senti o coração dele batendo forte no peito. Era mais forte do que nós. Voltamos a nos encontrar. Quando não estava com ele eu sempre dormia bêbada. Lembrava dele. Um dia num quarto de motel ele me deu um papel embrulhado e um anel. Era o divórcio dele e um anel de compromisso. Eu chorei e fiquei brava com ele. Dizia que jamais poderíamos ser felizes sendo que eu destruí a família dele. Ele tentava me acalmar e falar pra mim que ele ja estava se separando bem antes de nós nos reencontrarmos mas eu não ouvia. Joguei o anel num canto do quarto e peguei chave do carro pra sair. Mas ele entrou na frente do carro. Eu acelerei pensando que ele ia sair. Mas ele não saiu. E eu atropelei ele. Desci do carro cega, tremendo, me ajoelhei ao lado dele gritando por socorro, e ele desacordado, a cabeça sangrando. O anel preso no dedinho. Peguei o anel e chorando pus no dedo, eu aceito meu amor, eu aceito ser tua mulher, acorda por favor… Chorava como criança. Veio a ambulância. Polícia. Eu queria ficar do lado dele mas fui para a delegacia responder por tentativa de homicídio. Só pensava nele. Mas eu precisava avisar minha família. Eu ficaria aguardando presa. Tinha vergonha e foi dessa forma que meu esposo ficou sabendo. Minha família. Não tinha mais o que fazer. Só poupamos os meninos pequenos. Três dias depois, eu acabada. Não comia. Não bebia. Não dormia. Apenas minha mãe e minha melhor amiga, verdadeiros anjos estiveram comigo. Eu só olhava para o anel solitário no meu dedo fino e chorava. Envergonhada. Preocupada. E foi nesse dia que o delegado veio me dizer que eu estava solta que a vítima não ia prestar queixa pois havia sido um acidente. Eu abracei o delegado chorando porque meu amor estava vivo! Agradeci a ele e sai louca pela rua com o endereço do hospital na mão. Cheguei lá não era horário de visita. Contei minha história mil vezes a todos que apareceriam para tentar resolver meu caso. Enfim me deixaram entrar. Quando eu o vi as lágrimas correram quentes. Todo machucado. Mas vivo. Devagar abriu os olhos e sorriu. Abracei ele de leve com medo de cair um pedaço. Alisava o rosto e a barba crescida nunca antes vista espetava. Eu falava eu te amo pela primeira vez. Os batimentos dele aumentavam no monitor. Sorria. Mostrei o anel. Sou tua meu amor. Meus pais o conheceram no hospital. Não conseguiram sentir raiva de um moribundo. Quando ele foi para o apartamento recém comprado após o divórcio, eu quem cuidou dele. Apresentei-o como o tio para as crianças. E eles me ajudaram a decorar o que seria nossa nova casa. Tudo aconteceu rápido demais. Mas de um jeito que tinha que ser. Quando ele estava bem, tudo nos eixos, ele ja era amigo dos meus filhos. Os dele, adolescentes, adotaram meus pequenos. E se antes mal olhavam para mim, não demorou para que tomassem as dores dos pequenos. Eu não podia brigar com um que logo vinham os defensores. Um belo dia na mesa me perguntaram se eu não queria namorar o tio, que eles deixavam. Quase morri. Sorri para ele. Começou a torcida do beija beija e enfim aconteceu nosso primeiro beijo público, selinho tímido. Final de semana juntavamos todos no apartamento dele. Dormiamos por lá. E dia de semana a gente fazia amor como dois adolescentes. Escondidos. Já deixamos de almoçar para transar. Quatro anos depois nas férias de julho viajamos para Torres no RS. Aquele frio. E ele me entretendo com a história de que os cânions eram mágicos, que todos os desejos ecoados se tornavam realidade. Então gritou: casa comigo? Todo mundo em volta ficou olhando. Eu comecei a chorar de emoção, ele se ajoelhou e pegou minha mão gelada e pos o anel de noivado no meu dedo. Foram férias maravilhosas. Ele me chamava já de esposinha e parecia uma criança. Ele sempre foi tão vivo, ativo e companheiro… Cativava a todos e era um professor muito querido. Nos casamos na praia, porque não podíamos nos casar na igreja novamente.. Mas Deus nos abençoou com um dia maravilhoso e no final teve até arco íris no oceano. Foram anos maravilhosos.. Tivemos nossas brigas mas sempre superamos com muito amor e diálogo. Nossos filhos se tornaram irmãos. Têm amor e cuidam um do outro. Então ele me deixou.. Dormindo. Acordei e fui lhe dar um beijo. Era domingo e a gente ia fazer pic nic. Convencemos todos a ir! Mas vc não acordava. Estava gelado e respirava com dificuldade. Quando os médicos chegaram, não puderam fazer mais nada. Não é justo! Tenho tanto amor no meu peito! O que eu vou fazer sem meu mestre? Estamos todos perdidos, meu peito está morto. Porque ele não me acordou? Porquê não me chamou?? Volta meu amor… Volta…. Volta meu eterno professor. Eu preciso de você aqui ou não terei sentido de viver. Nossos filhos precisam de você. Eu preciso……

