Eu confesso que perdi uma pessoa a qual amei muito, para a insanidade.
Ela era uma pessoa com a qual me dava bem. Me entendia. Tínhamos uma relação mútua de confiança, carinho, afeto, sexo gostoso, tudo de bom… Mas algo deu muito errado.
No começo era uma ou outra reação particularmente estranha a coisas normais da vida. Tremendos xiliques por eu pagar seu táxi, para que não voltasse de ônibus tarde para casa (sem nenhum motivo justificável – achava que eu estava errado, que ela não tinha esse costume e ponto). Opiniões muito estranhas a respeito das coisas (achava lógico e justificável o comportamento de certos psicopatas pirados – ao ponto de defender as ações deles). Não sabia se relacionar com as pessoas em geral de forma a expor sua própria opinião. Então passou cada vez mais a comportamentos antissociais. Passou a crer que todos estavam contra ela ou a perseguiam de alguma forma. Daí passou a fazer planos para matar estas pessoas. E para se matar. Considerava que a vida era ruim por causa dessas pessoas. E achou tremendamente ruim quando eu comecei a tentar tirar essas idéias de sua cabeça. Quando tentei mostrar a ela o que ela estava fazendo de errado. Ela ficou dizendo coisas como se eu tivesse me “colocando contra ela” ou “tentando controlar a vida dela”. Passou a ter surtos – tentar fugir de casa, se matar, etc, que me tiravam noites de sono. Culminou com eu abrindo conversa com seus parentes, pedindo ajuda – estes sob meus conselhos a colocaram em tratamento com psicólogo e remédios, sem internação – e com ela terminando comigo. Ela chegou a alegar que eu estava agindo “em complô” com eles, contra ela. E que não tinha fibra para aguentar. (Isso ela ainda surtando, antes de se tratar.)
Um tempo depois perguntei se ela sentia falta de mim. Respondeu que não. Fiquei aliviado mas acabei falando a ela que eu sentia falta dela – e que não conseguiria mais me dedicar a ninguém.
Hoje em dia estamos longe um do outro. Bem longe. Por um lado ela fez o que eu queria que fizesse – já não estava mais aguentando os surtos dela.
Por outro confesso que sinto falta de seu lado bom.
A sensação que tenho é de que a perdi para a morte – já que mesmo tratando, não existe cura para esse tipo de coisa.
As vezes me lembro dela. Isso me entristece.
Acabo me forçando a lembrar do que era ruim.
Das coisas que ela fez que me irritaram.
Para tirar essa lembrança da cabeça.
Só que… vem também a tona o fato de que ela “possivelmente não tinha culpa por seus atos” – então acabo eu me sentindo culpado por ter me irritado.
Porque raios tive que perder a pessoa que mais amei, e para a qual mais quis me dedicar em minha vida, para uma merda de doença dessas?
No final da contas, acho que eu mesmo acabei pirando junto – porque agora é que não consigo mais me dedicar de verdade a ninguém. Acabei juntando esta a outras experiências ruins com outras pessoas no passado… Espero me livrar disso em algum momento.
Resolvi enfiar minha cabeça no trabalho. Estudar mais. Ir a festas. E sair com uma ou outra pessoa para dar uns beijos e algo mais.
Posso dizer que estou bem. Apesar de ainda ter lembranças dela.
As vezes acho graça de tudo o que aconteceu.
Mas será que fiz certo? O que vocês aí teriam feito, ou fariam agora no meu lugar?
(Obs.: Não sou nem um pouco crente, mas prometo respeitar comentários de qualquer tipo – vou até botar um item na enquete.)

