Hoje é um daqueles dias ruins, aqueles que você sequer deveria ter levantado da cama. Não pelo que aconteceu hoje, ou ontem, ou semana passada… não, isso já faz uns anos.
Sentada na cadeira de área acariciando meu cachorro, eu observava o céu e as estrelas. A lua brilhava alto, algumas nuvens manchavam o grande azul negro e eu o observava. Por longos minutos eu apenas o fitava com o olhar vazio e sem expressão, mas, subitamente, comecei a lembrar-me das coisas que há tempos me perturbam, das perguntas sem respostas que me perseguem e tudo o que eu deixei partir.
Seria eu um monstro por isso? Por não ter essa capacidade que muitos têm? Seria eu errada por segui-Lo, por tentar fazê-Lo feliz deixando de lado meus desejos? Deixando partir quem amo… amo? Sinceramente, talvez eu nem saiba o que é isso, o amor.
Ainda sobre a escuridão da noite, lágrimas escorriam sobre o canto dos meus olhos, involuntariamente e inconscientemente eu chorava. Por quê? Por quem? Milhares de perguntas surgiam em minha mente, da mesma forma as milhares de respostas subjetivas, também.
Estava quieto, vazio e superficialmente tranquilo, então eu tentei, mas não deu, eu não consegui, não poderia fazer com este o mesmo que havia feito com o último, não era certo com ele, comigo nem com ninguém! A quem eu tentava enganar? A quem eu TENTO enganar?
Eu não deveria fazer isso, mas não aguento mais. Uma angústia cresce dentro de mim e eu devo continuar sorrindo e fingindo ser confiante, segura e estável… Emocionalmente equilibrada e feliz, mas começo a pensar que talvez eu não seja. Talvez eu deva e eu mereça ter, independente de qualquer coisa. Ou não.
Enfim… Mais uma vez eu não sei me expressar, não sei o que dizer, nem para mim, nem a ninguém, muito menos a vocês que leem isso agora.
Eu só preciso de respostas.

