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Por isso saí da PM

Eu confesso que fui molestado quando era criança, sobrevivi a isso bem por causa de minha mãe – que foi a única pessoa que soube disso toda a vida (ela já se foi). Eu cresci e casei, tenho 28 anos e tinha conseguido superar isso. Em 2003 eu voltei para a Bahia e prestei concurso para PM, eu me tornei bacharel em Direito nesse período e consegui evoluir na corporação, chegando a ficar lotado em uma Cia da Rondesp, não passei muito tempo. Na verdade pensava que tinha vocação para polícia, mas não era aquilo que devia ser… A polícia me tornou depressivo e me fez um tipo de monstro que não sabia que era… O pico da agulha pra mim foi em 2006. Eu participava de uma ação no bairro que cresci – eu era agora da corregedoria, e tinha sido promovido. Havia uma investigação e eu estava freqüentando o bairro à paisana, conhecendo o pessoal ali com ajuda de um colega que já trabalhava lá – e morava – da inteligência. Tudo no dia ocorreu normal, conversamos bastante sobre bobagem, criei contato com o pessoal de um bar e passei com o colega, quando já voltava pra casa. Foi que eu vi o homem, agora velho, que me molestou. Eu o reconheci na hora. Um sentimento horrível tomou posse de mim, mas eu ignorei, suando frio voltei pra casa. Eu fiquei visitando aquele bairro por uns dois meses, mesmo após da investigação. Eu tentava encontra-lo de qualquer jeito. Um dia eu estava sem serviço – já tinha terminado o que ia fazer – e peguei um soldado e pedi para ele me acompanhar, fui até o bairro e parei numa mesa de bar. Eu inventei pra ele que íamos aplicar uma correção num sujeito, era um serviço meu, coisa de colega com colega. Eu sabia mais ou menos o horário que o cara ia comprar pão, quando o vi entrando na padaria esperei do lado de fora na praça há uma distancia, quando ele desceu a rua eu fui atras… Nós o pegamos na escada para invasão que ficava no vale, segui o procedimento padrão, pedi documentos e tal, comecei a falar duro e etc. Ele reagiu como um morador dali, com medo, daí eu falei “você gosta de maltratar criança né seu velho filho da puta?” ele abriu os olhos e com essa reação eu já comecei bater, e meu colega também…

Nós o deixamos caído na escada, pisei no pão quebrei os ovos e tudo o mais. Sai de lá me sentido horrível e aliviado ao mesmo tempo, mas descobri que ele era irmão gêmeo do vagabundo que me abusou.

Não suportei o remorso.
Me sinto horrível e nunca disse isso a ninguém.

Eu passei a advogar, ninguém nunca soube do que aconteceu.

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Escrito por Anônimo

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Não sei limpar a bunda

tenho um sonho muito grande