Olá, gente. Gostaria de desabafar com alguém sobre algumas coisas.
Sou uma mulher jovem, casada, sem filhos, não sou extrovertida, sou muito "na minha", sempre disposta a ajudar quando me pedem, não sou de telefonar para as pessoas, não mantenho relações muito estreitas, vivo numa conchinha que preparei para mim para tentar me defender de uma forma passiva, ou seja, tentando ao máximo não me expor a situações que eu ache que possam me causar algum desconforto.
Mas eu não era assim. Eu fui me tornando assim, cada vez mais quieta, cada vez mais na minha, cada vez mais distante.
De antemão já posso dizer que talvez a minha decisão de criar um certo obstáculo entre mim e os outros não seja a atitude mais acertada. No entanto, as minhas relações interpessoais acabaram, de alguma forma, me trazendo até aqui.
Quando eu era uma menina, uma adolescente, meu coração era muito aberto, eu não via segundas intenções nas pessoas. Me imaginando agora, eu penso que os(as) "predadores(as)" de plantão me viam como um joão-bobo com quem se podia brincar, rir, debochar. Naquela época, se alguém não me respeitasse por algum motivo, eu tentava me reajustar para ser aceita por aquela pessoa, para me sentir "adequada", para que as pessoas me amassem. Até porque eu sempre tive carência do amor que a minha mãe não pôde me dar (não por culpa dela, porque ela também não recebeu amor para saber dar).
Com o tempo, por eu fazer tudo o que esperavam de mim, comecei a me sentir fraca, contrariada comigo mesma, e quanto mais eu fazia tudo para ser aceita, mais sentia o desprezo das pessoas. Eu não sei porque era correto para alguns tentar me rebaixar daquela forma para se sobreporem a mim. Afinal, eu sempre pensei que se uma pessoa não tem nenhuma importância, como aquela gente quis me fazer crer, por que eu precisaria ser humilhada, desprezada ou rebaixada para alguém "aparecer" melhor. Eu sentia, e ainda sinto, que faziam tudo aquilo mesmo por diversão, porque deveria ser divertido tirar onda com alguém que parecia nunca saber se defender.
Eu, realmente, nunca me defendia. Ficava calada, como quem não deu importância, na tentativa de não dar pano-para-a-manga, mas o fato é que eles nunca pararam de fazer isso. Não que hoje eu saiba me defender. Longe disso. Mas algumas vezes eu consigo, apesar de ser muito difícil para mim. Outras vezes fico calada, e isso me causa raiva contra mim mesma. E às vezes eu sinto comigo: você é uma imbecil, realmente, não sabe como se opor, não sabe se defender, por isso fazem isto com você.
Muitas vezes me passa pela cabeça o que eu deveria dizer, mas é como se eu ficasse congelada, numa perplexidade anormal, que me paralisa, e não consigo dizer nenhuma palavra, principalmente porque tenho muito medo de começar a chorar na hora de dizer alguma coisa. Tenho muito medo disso, porque isso seria assinar a minha sentença de derrota.
Sei que sou a insegurança em pessoa, que sou medrosa, que não sei me impor, mas apesar de saber tudo isso, não sei como poderia mudar. Me causa muito sofrimento quando me fazem mal, mas ao mesmo tempo me causa sofrimento dizer coisas que possam ferir as pessoas, justamente pelo fato de que eu preciso sempre me sentir aceita, até mesmo pelas pessoas que não mereceriam a minha amizade.
Veem como eu estou em um ciclo vicioso do qual eu não consigo me libertar? E isto é causa de muito sofrimento para mim.
O título desta confissão é: por que as pessoas não me respeitam? E eu sei que se deve ao fato de eu "não me respeitar" quando não me imponho, quando dou mais valor ao outro do que a mim mesma.
Mas não sei como mudar.
Eu vou dar apenas um exemplo que já me aconteceu, que foi quando a minha melhor amiga da época da faculdade espalhou um boato de que eu era lésbica e ficou com o garoto que eu gostava no mesmo dia em que saí com ele. Eu cortei, assim que soube, relações com ela, mas nunca fui tirar satisfação, apenas desapareci. Eu acho que uma pessoa "normal" não faria isso. Iria tirar satisfações. É como se eu tivesse medo de ir tirar satisfação.
Se alguém já passou por isso e conseguiu superar, gostaria que me dissesse o que fez para se impor e não passar mais por problemas assim.
Um abraço,
Laetitia

