Olá, esta é a minha primeira vez aqui no Eu Confesso, e eu precisava realmente desabafar. Desabafar sobre uma pergunta que me assombra todo dia: por que eles se importam comigo?
Quando eu fiz 14 anos – atualmente eu tenho 15 – , eu de repente percebi que eu não sentia nada. Absolutamente nada. Eu sempre fingi me importar com as pessoas, mas na verdade eu não sentia nada, só queria as deixar felizes.
Hoje, nos meus 15 anos, as coisas pioraram. Minhas amizades ficaram mais fortes, e não sei por que, mas isso me machuca. Me machuca tanto que eu quero morrer.
Tem uma história que talvez tenha algo a ver, mas é sobre meu pai, que me deixou quando eu tinha quatro meses, e eu dui crescendo visitando ele, e, às vezes, via minha mãe o obrigando a cuidar de mim, pagar a minha escola e etc. E ela não estava errada, mas eu comecei a olhar aquilo com outros olhos; olhava diferente para todas as pessoas.
O dia do meu aniversário é com certeza o pior dia do ano para mim, pois é o dia em que todos se importam comigo, mandam parabéns, muitas felicidades, muitos anos de vida e etc. De vez em quando, eu me seguro para não chorar enquanto ouço tudo isso. Eu sinto uma dor no peito. Eu imagino que se eu não existisse, eles não precisariam gastar forças para me desejar uma feliz aniversário. Eu sinto que sou apenas um obstáculo.
Nem mesmo tenho certeza se meus pais me amam, já que sempre fui uma decepção, mesmo eles não querendo admitir. Nunca vou poder fazer uma família heterossexual, já que sou homossexual, não gosto de futebol, não sei olhar a hora em relógio de parede, não sei andar de bicicleta, não sei fazer nada direito, e com a escola não é diferente.
Eu, sinceramente, acho que só estou vivo por causa de três pessoas: uma amiga minha e dois amigos, no qual amo muito. Mesmo que doa ver eles se importando comigo.
Sou uma decepção pra todos, e, na minha percepção, a preocupação deles não passa de conceitos passados que foram ensinados de que suicídio é algo errado. É a sociedade que determina isso. Sei disso porque houve um tempo em que o suicídio era considerado um ato de honra, e ninguém se importava.
Resumindo: eu odeio quando as pessoas se importam comigo. Eu faço muio esforço pra deixá-las felizes. Eu estou esgotando. Eu não quero que elas me vejam triste, pois assim elas vão se preocupar. Eu não quero que elas se preocupem comigo.
Eu apenas não sou capaz de retribuir o amor para elas, se é que elas realmente me ama ou só fingem me amar porque sou da família. Eu não sinto nada. Eu não sei o que eu tenho, se é doença ou não, só sei que não sinto.
Bem, obrigado pela atenção, eu acho…

