Temer o inevitável é temer o que já está decretado no fluxo da existência — como temer o pôr do sol, o cair da noite, ou o fim de um ciclo. O inevitável não pede permissão, ele apenas é. Surge silencioso, muitas vezes sem aviso, e nos confronta com aquilo que não está sob o nosso controle: a morte, a mudança, o tempo, o desconhecido.
Mas o medo, nesse caso, não é do inevitável em si — é da nossa resistência a ele. É o ego tentando manter intacta uma estrutura que está destinada a se dissolver. É o apego gritando diante da perda. É a mente desejando segurança onde só há movimento.
Não tememos o fim — tememos o desapego.
Não tememos a verdade — tememos o que ela destrói em nós.
Não tememos o novo — tememos deixar de ser quem fomos.
E, ainda assim, o inevitável é o mestre silencioso da sabedoria. Ele nos ensina a viver o agora com mais presença, pois ele nos lembra que tudo passa. Que tudo morre. Que tudo se transforma.
Aceitar o inevitável é caminhar com serenidade por entre ruínas e flores.
É encontrar liberdade no desapego.
É viver com coragem, sabendo que nada nos pertence, nem mesmo o tempo.
O inevitável não é inimigo — é parte do eterno.
E quando se para de temê-lo, começa-se a compreendê-lo.
Por Rodrigo Barbosa
--- Criado com nosso formulário simples e amigável. Você já desabafou hoje?



A única certeza que temos.