Eu confesso que não sei em que momento você me ganhou, realmente não sei. Só sei, querida, que você me tentou. Até esse momento eu jamais cogitaria isso, somos parecidas de um modo não aceitável socialmente.
Eu vejo suas fotos centenas de vezes por dia, e uma ternura absurda toma conta de mim. Não é algo sexual ou pesado, sabe? É vontade, vontade não, necessidade de te abraçar e beijar suas faces, seus lábios… Gostaria que deitasse em meu colo e cantasse algo para mim, como sei que faz com ela.
Você é tão diferente das outras pessoas… E é ao ver o quão maravilhosa você é que sinto que sou comum e sem graça. Mas não importa, ficarei criando em minha mente os momentos que não acontecem de fato. Porque eu preciso disso, eu preciso dessas horas inexistentes. Elas fazem parque de mim.
Foi você quem provocou isso, você que me fez querê-la a cada segundo. E quando eu finalmente admiti a mim mesma que seria capaz de amar você, sem vergonha ou condenações morais, você parou. E pouco nos vimos depois disso… Só que agora não quero os outros, quero você!
Ela não é uma desculpa, no início de toda essa história ela já estava ao seu lado, em seu colo, tendo tudo o que eu queria. Nós não beijamos por um momento sequer, mas seus olhares deixaram sua intenção bem clara. Então por que agora você se foi? Por que não nos vemos mais? Apareça, meu amor, eu preciso de você!

