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previsão

Suponha que você seja um excelente motorista. Quase todo mundo se julga um
excelente motorista,mas você conta com um histórico para provar seu
argumento: apenas dois para-lamas amassados em trinta anos ao volante, período
em que você fez vinte mil viagens de carro.
Você também não bebe muito, e uma das coisas que jamais fez foi dirigir
bêbado. No entanto, acaba se animando mais do que o normal em uma festa de
fim de ano da firma. Um grande amigo seu está deixando a empresa e você
esteve sob muita pressão ultimamente: uma vodca com tônica acabou levando a
outras onze doses. Você foi a nocaute; está totalmente embriagado. Deveria voltar
para casa dirigindo ou chamar um táxi?
A resposta parece fácil: chamar um táxi. Além de cancelar aquele
compromisso na manhã seguinte.
Contudo, você poderia construir uma argumentação jocosa para justificar a
decisão de ir para casa dirigindo, seguindo mais ou menos este raciocínio: em
uma amostragem de vinte mil viagens de carro, você se envolveu em apenas dois
acidentes insignificantes, chegando em casa são e salvo nas outras 19.998
ocasiões. Esses números parecem mostrar que as chances são bem favoráveis a
você. Por que arcar com o incômodo de chamar um táxi diante de uma evidência
tão esmagadora?
O problema, claro, é que você não estava embriagado em nenhuma dessas
vinte mil viagens. Sua amostragem para dirigir bêbado não é de vinte mil
ocasiões, mas de zero, e é impossível recorrer à sua experiência passada para
fazer uma previsão a respeito do risco de um acidente. Esse é um exemplo de um
problema “fora da amostragem”.

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Escrito por Anônimo

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