É pra matar. Eu sou extremamente ciumento, possessivo e agressivo em relação ao meu amor. Não me julguem porque tenho pecados diferentes do de vocês. Ela é mais velha, não é a mais bonita, mas tem uma espécie de beleza que é fora da curva. A falta de padrão da beleza dela é harmoniosa. Sua pele morena com cachos bem definidos, soltos, com aqueles olhos. Eu morri de ciume. Eu não a conquistei, eu tomei posse dela, fiz tudo pragmaticamente para impressioná-la. Eu sabia os mecanismos a acionar para trazê-la a mim e funcionou. Depois disso só precisei ter paciência e continuar oferecendo coisas que ela adorava. Se eu tentasse seduzi-la por aparência ou dinheiro, ela teria me desprezado, e eu sei disso.
Quando estou muito ciumento explodo. Seja nos ambientes em comum que circulamos, seja em casa, onde tenho conseguido mantê-la a maior parte do tempo. A quem tem que atingir, atinge. E eu observo o comportamento dela. Ela nunca está no erro. Quando a poeira passa, fico me sentindo meio impróprio, apenas um inseguro. Ela não percebe porque está inocente na história e não tem nada a esconder de nada. Isso me deixa um pouco mais seguro. O procedimento dela é muito direto, muito objetivo e cortante. Eu tenho medo que se aproveitem dela. Cuido minuciosamente, de perto, à risca. E cobro dela um procedimento acima da média. E ela sempre corresponde. Ela é ciumenta também, mas a intensidade não tem como comparar: eu só falto morrer aos poucos.

