Meu filho mais velho é um rapaz inteligente, culto, bom coração. Sempre foi um menino feliz, com planos para o futuro. De 4 anos para cá, a coisa mudou. Primeiro a família entrou em dificuldade financeira devido a um longo período de desemprego meu e de minha mulher. Ele se formou em faculdade de 1a linha, mas não conseguiu emprego, mesmo chegando várias vezes na última etapa de processos de seleção internacional. Resolveu partir para o negócio próprio, mas a grana que ganhou teve que ajudar na casa. Não sei quanto tempo vou levar para devolver. Ele não reclama, mas sinto sua decepção pois ele precisaria dela para expandir os negócios. Para piorar a namorada acabou o namoro. Ele é aficionado por ela. Não se conforma Sofre até não poder mais, não pode ser outra. O resultado é um cara de 25 anos, sempre deprimido, amargurado, se sentindo sem perspectiva. Ele pouco fala. Está sempre calado, de cara fechada. Já conversamos, insistimos para ele fazer uma terapia, mas ele não quer. Me sinto culpado, achando que não consegui ser um bom pai. Quando chego em casa, torço para ele ter saído porque me sinto constrangido. Fico numa angústia profunda, me lembrando de como as coisas eram bem melhores quando ele era um menininho e a gente brincava juntos, ria, éramos felizes.

