Eu confesso que minha infância não foi fácil. Meus pais se separaram qdo eu tinha 2 anos, sou a filha mais nova de 4 irmão, (3 irmãs e 1 irmão),minha mãe tem problemas de bipolaridade, por isso meus pais se separaram, pois a convivência com a minha mãe era insuportável, meu pai diz que ele quis interna-la, mas a família da minha mãe se intrometeu e acusou ele de maltratá-la, e deixa-la doente, eram muito ignorantes e não compreendiam que seria o melhor para ela.
Fomos então morar com meus avós maternos, meu pai buscava os filhos todos os sábados. Minha avó “colocava coisas na nossa cabeça”, do tipo que meu pai era ruim e deixou minha mãe doente. Um dia eu perguntei para ele por que minha avó falava essas coisas, ele contou a sua versão da história, que ele quis internar minha mãe, pois seria melhor para ela, talvez assim hoje ela seria uma pessoa normal, mas a doença foi se agravando e a convivência com ela um inferno. E a minha avó falava pra todos que o culpado de tudo era meu pai, que ela criou os 4 netos sozinha e etc..
Eu fiquei com pena do meu pai, e com um pouco de raiva da minha avó, mesmo que foi ela que ajudou a me criar, eu achava que ela era a culpada por todo esse sofrimento.
Minha mãe estava cada vez mais descontrolada, conviver com isso era viver no inferno.
Um dia descobri que meu pai é gay, nada contra, mas é complicado, eu via meu pai como meu porto seguro, não suportava minha mãe e minha avó. Meu pai saía por aí se achando o tal, fazendo os outros pensarem que ele tinha muito dinheiro, principalmente pra impressionar os outros homens. Isso me dava nojo. Qdo os filhos íam na casa dele, no natal, páscoa ou outra comemoração familiar, ele queria dar lição de moral, achava ele que tinha feito muito pelos 4 filhos, dava alguns presentes bons, ajudou minha irmã a pagar a faculdade entre outras coisas…, e ele achava que tinha feito muito por nós. Na minha opinião não é bem assim. Eu precisava de outras coisas que o dinheiro não compra. Meu pai, na verdade, não estava nem aí para mim, nunca me apoiou, nunca me incentivou em nada. Fui me tornando uma pessoa com baixa auto estima. insegura em tudo. Eu acredito, que sou assim pois nunca pude contar com ninguém, ninguém da minha família me entendia, não tive carinho e alguém que me guiasse, por isso, cometi muitos erros, me envolvi em relacionamentos que nunca deram em nada, pois eu pensava que eu não merecia nada, nem ninguém.
Meu irmão se casou e saíu de casa cedo, ele também não aguentava viver ali, eu me dava muito bem com ele. Minhas irmãs me humilhavam e humilhavam uma a outra também, não havia união nenhuma entre nós. Minha avó só se intrometia na minha vida, eu não conseguia me dar bem com ela, ainda tinha muito rancor dela.
Mas um dia, meu pai me disse que eu nem parecia ser filha dele, e ficou me criticando, dizendo que eu sou afastada da família, não sei me virar sozinha e etc.. Ele já falou pra mim também, (quando eu era solteira) que para mim qualquer homem serviria. Procurei pela segunda vez uma ajuda no psicólogo. Então eu comecei a ver as coisas de outra maneira, meu pai não teve “pulso firme” na época que se separou da minha mãe, para lutar pela saúde dela, e se fez de vítima para todos, fez o papel de coitado, deixou a “bomba”, (minha mãe), explodindo, e a gente que se virasse com ela! Parecia que qdo dava tudo errado aqui em casa ele se sentia feliz e vingado por tudo que ele passou com ela também. Sempre julguei minha avó, por ela ter se metido na vida dos meus pais, colocava os filhos contra o pai, mas hoje vejo a realidade, eu estava tão enganada! Não consigo descrever o que sinto, estou sempre muito confusa, e sempre fico pensando nessa história e não consigo tocar minha vida. Sempre culpo minha família por não ter me dado atenção, principalmente meu pai por ter me colocado sempre pra baixo, e dizer que minhas irmãs eram melhores que eu. Sinto muita raiva quando penso em como fui tola em ter dado mais valor pra ele do que para minha mãe, que gosta de mim do jeito que eu sou.
Eu queria ter nascido em outra família, e nunca ter que passar por tanta humilhação!

