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Quero mudar, mas ás vezes duvido se é possível

Eu confesso que eu errei muito nessa vida e que sou covarde. Desde pequena a minha família sempre foi meio disfuncional, tanto que começamos a fazer tratamento psicológico, mas só a minha mãe seguiu com o tratamento. Eu sempre fui insegura, e quando criança isso parecia não importar. Nem sabia o que isso significava. Tentei enfrentar os problemas algumas vezes, mas era criança, e os problemas não estavam ao meu alcance. Então comecei a fugir. Nem percebi que estava fugindo. Fui fazer uma faculdade só para ter uma desculpa para sair de casa. Fui para longe, acabei não pegando o diploma, apenas estava fugindo. Não queria mais ver as brigas em casa, as gritarias, as ameaças. Nunca eram comigo, mas ainda eram horríveis. Eu só queria ir embora.
E no começo estava tudo bem. Mas de repente me vi naquele curso, e nem queria trabalhar com aquilo. Por causa da insegurança não conseguia namorar, escondia meus problemas, afastava as pessoas. Quando algo acontecia eu fugia.
Só que eu acordei um dia e percebi o que estava fazendo. E foi terrível. Tantos anos nas costas e eu não tinha nada. Abandonei minha mãe quando ela mais precisava, e isso é uma das coisas que me doem mais. Eu não estive com ela quando ela mais precisava.
Depois voltei para casa, mas aí já estava tudo resolvido e ela já estava bem.
Por causa de tanto tempo fugindo da realidade eu acabei não construindo nada, aliás perdi muita coisa. Deixei passar oportunidades, deixei o tempo passar, me afastei de amigos, fiquei enrolando.
Eu acordei e não tinha vida, poucas experiências, quase nada no currículo, e nem um sonho para perseguir. Tinha pouca ligação com a família, sem emprego, sem experiências amorosas (também era insegura com a minha aparência) e os poucos amigos longe.
Aos poucos estou tentando reconstruir minha vida. Estou procurando emprego, vou ganhar minha independência financeira, e então voltar a estudar. Dessa vez numa faculdade que eu quero realmente, numa profissão que eu quero de verdade. Vou começar a fazer um cursinho, comecei a comer melhor, a caminhar mais pela rua, cuidar mais da minha aparência e prestar mais atenção nas outras pessoas. A minha relação com a minha mãe ainda é distante, mas conversamos um pouco mais.
Estes últimos dias li um texto que falava sobre estar em situações desconfortavelmente confortáveis, sabe, a zona de conforto. Fugir sempre foi a minha zona de conforto. E era desconfortável.
Eu sei que não vou mudar assim de repente. E eu ainda vou terminar de colher todo os erros que cometi, e as sementes que estou tentando plantar agora só vão dar resultado lá para frente.
Ao mesmo tempo fico frustrada. Não vou desistir. Fico em dúvida quais são as "sementes certas". Fico com medo de fazer algo errado. Sinto um vazio, já não sei o que é certo e errado, Olho para a minha vida sem sentido e sem nada, e sinto vergonha por ter chegado aos 27 nesse estado. 27 anos fugindo da realidade. É como dirigir um carro a toda velocidade na direção errada, e ter que parar e dar a volta no meio do percurso.
Depois que percebi o que estava fazendo comigo, fiquei muito mal. Ainda me sinto mal. Algumas vezes me sinto culpada se me distraio com algo, como se não merecesse e não devesse me desligar do que é prático até conquistar alguma coisa. São tantas coisas. É como fazer faxina, você faz ainda mais bagunça até começar a arrumar tudo pra valer.
Fico alternando entre a esperança e a angústia. Não me sinto adulta, fico pensando no que mais posso fazer para arrumar essa semi-vida, essa vida de mentira.
Só quero forças para mudar, e daqui a dez anos estar empregada e com uma vida, finalmente.

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Escrito por Anônimo

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Sou um perdedor e deus não me enxerga.

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