Da janela nossa da casa dava para trocar algumas palavras e fazer alguns sinais com os nossos vizinhos que eram muito simpáticos. Lá viviam os pais de duas belas jovens, uma com vinte e dois anos estudante de medicina e outra de dezenove anos, para mim ela era a mocinha mais bonita do mundo, eu não cansava de olhar para ela por isso ela dizia que era a minha “namorada” embora eu na verdade eu fosse apesar de eu ser doze anos mais moço do que ela. Ela era uma morena de tez clara de cabelos longos negros, alta, magra, tinha uma silhueta perfeita de um manequim. Por diversas vezes minha mãe disse a ela que devia ser modelo fotográfico e desfilar nas passarelas. Constantemente eu ia a sua casa, onde eu era muito bem recebido por toda a família, com doces, balas e refrigerantes, eles demonstravam gostar muito de mim. Mas, eu ia lá para estar próximo da minha beldade. Certa ocasião, chegando lá, na sala de estar, eu vi que a minha “namorada” já havia pintado as suas longas unhas das mãos e estava terminando as dos pés com um esmalte vermelho vivo. Ela a me ver chegando, foi logo dizendo: — “O meu namoradinho chegou, vamos, me de uma beijoca aqui — oferecendo a face — mas, cuidado com ás minhas unhas que ainda não secaram bem”. Prosseguindo: “O que você me conta de novo?” Eu respondi, sem jeito: “Eu só vim para ver você”. — “Você gosta muito de mim, não é?” Eu respondi que sim, meio encabulado balançando a cabeça positivamente. — “Então, falou ela, deixa agora eu dar um beijo bem gostoso nessa carinha linda”. E meu deu um beijo prolongado na minha bochecha e eu fiquei todo feliz sentindo o seu perfume. Ela então me disse: — “Eu acabei de fazer as minhas mãos agora eu quer ver as suas, eu quero dar um trato nelas”. Eu obedeci e pus minhas mãos sobre a mesinha que estava entre nós e então começou empurrando as cutículas com um pauzinho apropriado depois lixou os cantos as unhas e então tomou outro vidro do esmalte também vermelho chamativo diferente do seu e fez menção de querer pintá-las. Eu reagi pondo as minhas mãos para trás e dizendo —: “Não; quem pinta as unhas é mulher”. Ela então foi dizendo com um sorriso irresistível: — “Me deixa pintar, só quero ver com essa cor nova linda como fica em suas mãozinhas”. Eu balancei a cabeça negativamente. Dizendo resoluto: — “Não, não e não”. Ela insistiu, ainda com aquele sorriso sedutor: — “Deixa, vá, eu prometo, vamos fazer um trato: se você não gostar depois que eu pintar elas todas eu removo tudo, você é quem vai decidir, eu prometo, deixa vá eu pintar.” Eu mostrando ainda contrariedade estendi as minhas mãos sobre a mezinha e ela começou a pintar a unha do dedo mindinho e depois com todo capricho foi pintando todas elas. Depois recomendou que eu tivesse todo cuidado até o esmalte secar completamente. Eu olhei as minhas unhas pintadas com aquele esmalte vermelhão e as achei bonitas e não tive coragem de pedir que tirasse tudo estavam tão caprichadas e acabei gostando. Então a minha “namorada” vendo que eu não havia pedido para remover o esmalte foi dizendo: — “Tira esta sandália que eu agora vou pintar as unhas dos pés, ordenou, ponha seu pé sobre os meus joelhos e vamos logo”. Eu obedeci, e depois como fez com as unhas das mãos, começou a pintar a unha do meu dedão e assim ela foi pintando todas elas. Quando estava para terminar coincidiu que a minha mãe da janela da nossa casa perguntou se eu estava lá. A minha amada foi à janela dizendo que sim e disse: — “Eu fiz uma coisa com o seu filho e eu não sei se vai gostar, mas, se não gostar eu desfaço tudo, e voltando-se para mim, disse: “Deixa que eu calço as suas sandálias para não ter perigo de arranhar o esmalte que ainda não secou direto”“. E me dando mais um beijo ela se despediu. Chegando em casa fui logo falando: — “Olha só o que ela fez”. e estendi as minhas mãos e suspendi um dos meus pés. Para surpresa minha mãe exclamou: “Como as suas unhas pintadas ficaram bonitinhas e dirigindo-se a janela falou brincando: — “Hum! Você é uma excelente manicure, agora quero que você faça as minhas”“. Ela respondeu: — “Estou as suas ordens eu adoro fazer unhas”. Minha mãe prosseguiu: — “Sabe, você fez uma coisa que eu não conseguia, há pouco tempo nós estávamos nos preparando para ir num aniversário e eu quis pintar as unhas dele com um esmalte rosa bem clarinho e ele não deixou que eu pintasse de jeito nenhum e você conseguiu”. Ela respondeu: — “Também comigo não foi fácil, ele não queria deixar de jeito nenhum, mas o seu filho é um amor de menino e eu sei que ele gosta muito de mim, por isso eu fui pedindo com muito jeito e ele acabou cedendo”. Tudo isso aconteceu num sábado pela manhã. Estava programado para aquele mesmo dia a tarde nos dois ir a um aniversario da filha de uma grande amiga da minha mãe, por isso nós fomos ao shopping fazer umas compras; primeiro fomos numa loja de roupas infantis e lá a mãe depois de muito pesquisar escolheu o que queria autoritária, nunca perguntava pela minha opinião. Fazia muito calor. Por isso foi escolhido um conjunto de linho branco cuja calça era curtinha e sustentada por suspensórios que ficavam ocultos sob o blusão bem comprido que deixava a mostra apenas as barras da calça ele tinha dois bolsos grandes e as mangas eram curtinhas, depois fomos a uma loja de calçados e lá a mãe apontou para vendedor o que queria um par de sandálias brancas bem tradicionais, tinha um tira que deixava os dedos dos pés a mostra como também os calcanhares. Eu resmunguei dizendo que aquelas sandálias eram para meninas, mas a mãe comprou-as assim mesmo. Após o almoço minha mãe disse que nós devíamos começar a nos aprontar para o aniversario, então eu pedi para que ela removesse os esmaltes das minhas unhas, falei que estava com vergonha de ir assim a festa. Ela respondeu: — “Quando comprei estas sandálias não pensei que você fosse estar hoje com as unhas dos pés pintadas e sabe que até deu certo, você ficou lindinho de unhas pintadas e é assim que você vai ao aniversario; está decidido. Depois de vestido fui se ver no espelho e vi que as minhas pernas estavam toda a mostra com aquela calça tão curtinha e as unhas vermelhas se sobressaiam naquelas sandálias brancas. No carro quando se dirigiam para a casa da aniversariante eu olhava para minhas mãos e para os meus pés e aí lembrei que dois colegas seus já haviam aparecido na escola de unhas pintadas algumas vezes, numa delas a professora perguntou a um deles quem as havia pintado e respondeu que havia sido sua mãe. Durante o aniversário obviamente que todos me notaram de unhas pintadas, mas por educação não houve comentários pelo menos que eu ouvisse, eu fiquei o tempo sentado educadamente ao lado da minha mãe nenhuma criança o chamou para brincar, também eu não me sentia a vontade. Terminada a festa voltamos para casa, mas, antes de entrar eu corri para mostrar para minha “namorada” como estava vestido e calçado. Ela perguntou: —” De onde você vem vindo tão chiquezinho? ”Respondi: — “Fui a um aniversário com minha mãe, mas eu não gostei todos não paravam para ver minhas unhas pintadas e eu fiquei muito envergonhado, sem jeito”“. Minha “namorada” disse: — “Não liga não, você lindinho”. Me dando um beijo no rosto nós nos despedimos.
No dia seguinte, domingo à tarde, meus amiguinhos da rua me chamaram para brincar de “calçadinha é pública e não é do rei” era uma correria só. Calcei minha sandalinha caseira e eu fui brincar ninguém ligou para as minhas unhas pintadas, mais tarde eu pedi a minha mãe para que ela remover o esmalte das minhas unhas porque não queria ir para o colégio daquele jeito sabendo que iriam caçoar de mim e podiam me chamar de mulherzinha e também o meu pai poderia voltar de viagem a qualquer momento e não ia admitir que estivesse com as unhas pintadas, minha mãe meio contrariada fez o que eu pedi. Foi à última vez que eu andei com as unhas pintadas. Eu nunca pedi, pelo contrário, eu deixei que pintasse depois de muita insistência.

