Eu confesso que Se, por outro lado, você diz que a catástrofe é iminente, pode esperar um Prêmio
MacArthur de genialidade ou até um Prêmio Nobel da Paz. As livrarias gemem sob
monumentos de pessimismo. As ondas do ar estão abarrotadas de condenações. Em minha
própria vida adulta tenho ouvido implacáveis predições de miséria crescente, fomes
vindouras, desertos em expansão, pragas iminentes, guerras aquáticas pendentes, esgotamento
inevitável do petróleo, escassez de minerais, contagens decrescentes de esperma,
estreitamento da camada de ozônio, chuva ácida, invernos nucleares, epidemia da vaca louca,
vírus de computador Y2K, abelhas assassinas, peixe que muda de sexo, aquecimento global,
acidificação do oceano e até impactos de asteroides que, em breve, levariam este feliz
interlúdio a um fim horrível. Não consigo lembrar um tempo em que um ou outro desses medos
não fossem solenemente assumidos por elites sóbrias, distintas e sérias, e histericamente
repetidos pela mídia. Não consigo recordar um tempo em que alguém não insistiu comigo em
que o mundo só poderia sobreviver se abandonasse o tolo objetivo do crescimento
econômico.
As justificativas para o pessimismo mudaram de acordo com a moda, mas o pessimismo se
manteve constante. Nos anos 1960, a explosão populacional e a fome global estavam no topo
da lista; nos anos 1970, a exaustão de recursos; nos anos 1980, a chuva ácida; nos anos 1990,
pandemias; nos anos 2000, aquecimento global. Um por um desses medos vieram e (todos,
menos o último) se foram. Fomos apenas sortudos? Somos, na memorável imagem da velha
piada, como o homem que cai e passa do primeiro andar de um arranha-céu e pensa “até aqui
tudo bem”? Ou o pessimista é que era irrealista?
Deixe-me admitir honestamente de início: os pessimistas estão certos quando dizem que, se
o mundo continuar como está, terminará em desastre para toda a humanidade. Se todo o
transporte depende de petróleo, e o petróleo acaba, então o transporte terminará. Se a
agricultura continuar a depender da irrigação, e os aquíferos se exaurirem, então a morte pela
fome se seguirá. Mas observe o condicional: se. O mundo não continuará como é. Esta é a
questão essencial do progresso humano, toda a mensagem da evolução cultural, toda a
importância da mudança dinâmica — todo o ímpeto deste livro. O perigo real vem de diminuir
a velocidade da mudança. É minha proposição que a raça humana se tornou uma máquina
coletiva de resolver problemas mediante a mudança de métodos. Faz isso impulsionada pela
invenção, seguidamente impulsionada pelo mercado: a escassez faz os preços subirem; isso
estimula o desenvolvimento de alternativas e eficiências. Isso aconteceu com frequência na
história. Quando as baleias escassearam, o petróleo passou a ser usado como fonte de
combustível. (Como diz Warren Meyer, um pôster de John D. Rockefeller devia estar na
parede de todos os escritórios do Greenpeace.)6 O erro dos pessimistas é a extrapolação:
assumem que o futuro é apenas uma versão maior do passado. Como Herb Stein disse uma
vez, “se alguma coisa não pode continuar para sempre, então não continuará”.

