É tão sem sentido a forma com que você acabou com a nossa relação. Se algum dia existiu um "nós", isso se extinguiu naquele momento em que eu mais precisava de você, e você me deu as costas e me traiu. Matou aula para beber e acabou transando com aquele cara. Aquele babaca de duas caras que um dia eu chamei de amigo.
Você mentiu, e com a sua mentira você despertou em mim uma coisa muito feia, aquela paranóia, o ciúme. Fez eu achar que estava ficando louco. Que eu ia te perder por causa de algo que nem aconteceu. Mas aconteceu, e com as evidências veio a confissão.
Eu tentei. Eu juro que tentei com todas as minhas forças. Tentei compreender aquilo tudo.
Procurei, chorando até dormir; procurei até não conseguir mais. Procurei um jeito de te perdoar. Procurei uma forma de aceitar e de seguir em frente. Eu não consegui. Não consegui porque não é justo que no momento em que eu mais precisei de você, naquele momento tão difícil, de medo, solidão e mortalidade, em que eu não pude mais segurar a barra por nós dois, naquele momento singular em que eu precisei que você fizesse por mim por alguns segundos, o que eu fiz por você por tanto tempo; não é justo que você tenha então me dado as costas.
E eu vejo você hoje, tão longe de mim, tão feliz com outro alguém. Enquanto eu fico aqui, sempre segurando as pontas, deixando de lado esse meu emocional fraco e quebrado, porque minha família depende de mim. Você está bem e eu continuo partido e sozinho. Estou pagando todo dia pelo crime que você cometeu.

