Andei lendo sobre a necessidade do ser humano estar presente em cada ato, como se fizesse alguma diferença no corpo esta capacidade de agir de maneira inteira, presencial, se doando nos atos.
Acontece que quando paro pra observar aquilo que está acontecendo em mim, sinto tristeza. E só. Uma tristeza que me invade e fica por muito tempo, passando de vez em quando.
Levo a vida fugindo desta incômoda, mas a verdade é que ela quer ficar lá, e me agarra com os olhos de uma mulher triste. Não tem motivos. A tristeza é a própria vida, a sensação de boiar na melancolia e perceber que a vida já está acabando ou já acabou.
Esta tristeza resiste… Enlaça meu pescoço, gruda na pele e lentamente molha minha alma de lágrimas. Olho pra ela, cutuco e a pergunto por onde anda o fogo que espalho por aí, encantando e dramatizando a vida. A moça ri de lado e continua fixando o olho em mim, a cabeça jogada de lado, os cabelos longos.
É na noite que os monstros saem do tapete pra enfeitar a sala e o quarto. "Tenho visitas", lembro sempre que pego as chaves e vagarosamente entro em casa. Às vezes ando apressado pensando que a tristeza se assustará. Ando rápido pra tampar o rosto, amedrontado com o que virá.
E vem. Sinto o veneno da melancolia se espalhar no estômago.
É lá que primeiramente morro. Depois, o coração pesa. Em seguida são as costas, cansadas de sustentar este corpo. Quando já estou abatido, vem o golpe final: é a cabeça triturando os pensamentos e moendo, letra por letra, qualquer esperança. Acaba aí, com a dor, reinando pra sempre.
É a pior parte. A tristeza está aí e acabou. Sem reinvenção, significação, poesia, música. Dói.
Agora sinto ódio. O que tanto preciso? Confesso que sei. Quero morrer. Lá fora animo as pessoas, coloco-as lá em cima, deixo-as livres para perambularem e se expressarem como bem desejam, provoco o riso.
Passou das 20:00, o amarelo da alegria se dissolve em azul de tristeza. tristeza e mais tristeza.

