Eu confesso que as pessoas são inseguras demais, tantos buscam a autoafirmação pelos meios mais variados e, ao mesmo tempo, ninguém quer saber das inseguranças alheias, querem formar uma fortaleza ao seu redor, se cercar de pessoas "fortes", pessoas que nunca demonstrem fragilidade, porque, no fundo, essas pessoas mais de carne e osso, menos fingidas, fazem elas enxergarem suas próprias fragilidades. Até eu mesma, que estou escrevendo isto, não quero me aproximar de gente parecida comigo, gente sofrida, triste, sem esperança. Porque, no fundo, as pessoas querem é dar risada, aprender coisas novas, receber dicas, não ajudar, dar força quando suas forças já se esgotaram, falar de coisas em que não acreditam só para o outro se sentir melhor, se contaminar com essa desesperança, esse desespero, essa angústia, aflição. Aí que entram as máscaras. Mesmo triste e acabada, faço as pessoas rirem, mesmo nervosa, passo tranquilidade, mesmo fraca, me finjo de forte e quando ninguém toma o fardo nas costas, eu faço isso, já com os pés calejados, as mãos trêmulas e o suor escorrendo pela testa.

