Eu confesso um grave problema de consciência que me persegue há vários anos que se tornou uma obsessão e quero me livrar dele de vez, por isso estou neste desabafo. É uma longa estória que preciso contá-la por inteiro, por isso eu não sei se ela vai ser publicada por ser bem longa. Eu já procurei alguns psicólogos para ajudar-me a resolver esse problema. Todos eles afirmaram que eu não tenho culpa alguma, apenas antecipei aflorando aquilo que mais cedo ou mais tarde viria acontecer um dia e que essa antecipação até veio favorecer aquela pessoa que eu julgo ser minha vítima. Mesmo assim procurando ser racional ainda me considero culpada porque fui eu que provoquei toda aquela transformação irreversível na vida de uma pessoa. Caso isso tivesse sido ocasionado por outra pessoa, aí então não eu teria nada como caso, mas fui eu a causadora do que aconteceu por minha interferência direta, forçando a barra para meu proveito próprio, fui egoísta, que acabou dando no que deu. Naquela época eu tinha dezoito anos e minha irmã vinte, somos descendentes de suecos. Moramos no Rio de Janeiro, em Ipanema. Tudo começou acontecer numa quinta-feira que antecedia o carnaval. Foi quando pela manhã meus tios e meu primo chegaram de São Paulo. Eles vieram para se unir aos meus pais que juntos naquele mesmo dia viajariam para a Europa em férias, lá passariam um mês. Meu primo tinha treze anos daí dois meses completaria quatorze. Ele ia ficar conosco nesse tempo. Como filho de pais nórdicos, tinha uma altura acima dos padrões brasileiros, pela sua estatura podia passar por um rapaz de até dezoito anos, mas não pela sua fisionomia que era de menino. Era muito bonito, com seus fartos cabelos louro levemente ondeado emolduravam toda a sua cabecinha, olhos azuis, faces naturalmente coradas; um belo tipo escandinavo. Ao chegar ele demonstrou certa timidez e descrição no falar, muito bem educado, ótimo aluno, praticava vôlei no colégio. Naquele mesmo dia, após o almoço, os quatro foram para o aeroporto levados pela minha irmã. Eu fiquei só com ele. Em nossa conversa, entre outras, finalmente perguntei se ele gostava de carnaval, ele disse que sim, principalmente agora que pela primeira vez iria passar o carnaval no Rio de Janeiro. Então, lhe disse que eu tinha a uma turminha muito animada e nós havíamos programado passarmos juntas todo o carnaval. Eu lhe disse que na sexta e no sábado e no último dia nós resolvemos brincar no nosso clube que fica bem próximo daqui e no domingo e na segunda-feira nós decidimos assistir os desfiles das escolas de samba na Marques de Sapucaí num camarote com alguns amigos e que o programa ia ser ótimo. Eu perguntei se ele queria ir junto com agente, ele respondeu todo animado que sim. Mas, disse a ele que havia um problema que tinha que ser logo resolvido, porque para entrar no clube durante o carnaval a noite só era permitida à entrada de maiores de dezoito anos e que a fiscalização é rigorosa, mas eu me havia surpreendido pela sua altura e de pronto me ocorreu uma solução então lhe fiz uma proposta. Primeiro disse-lhe que não gostaria de deixá-lo sozinho esses dias de carnaval aqui dentro do apartamento vendo o carnaval só pela televisão, porque as empregadas estavam de folga nestes dias e que eu sinceramente gostaria muito que ele nos acompanhasse, mas, como já lhe dito, existia o problema da sua idade, mas a meu ver depois de verificar sua estatura pensei num meio de resolver o caso. Eu vi que a única maneira dele poder entrar no clube seria de transformá-lo numa bela mocinha entrando assim com o nosso grupo. Ele de pronto recusou ir fantasiado de mulher, disse que se a condição fosse esta ele preferia ficar no apartamento e assistir o carnaval pela televisão, disse isto apesar de eu insistir muito. Disse-lhe que era muito comum no carnaval homens se vestirem de mulher, mesmo assim ele parecia irredutível. Eu e minha irmã éramos responsáveis por ele durante um mês e também de maneira alguma nós não íamos deixar de brincar o carnaval por causa dele. Porém deixa-lo sozinho quase todas aquelas noites no apartamento seria uma imprudência e se ele caso resolvesse sair pela rua tarde da noite? Eu continuei insistindo a fim de demovê-lo da sua decisão. Não havendo outro jeito, já meio irritada, eu parti para apelação e o encostei na parede dizendo que ele assim agindo estava me impossibilitando de eu não poder brincar no carnaval e ter que ficar com ele no apartamento. Prossegui dizendo-lhe que não encontrava outro jeito eu por fim perguntei se topava ou não. Ainda relutante, constrangido, olhando para o chão, acabou dizendo que se não havia outro jeito aceitava as minhas condições impostas ao seu contragosto. Finalmente após tanta luta; custou; mas eu consegui o queria. Então disse que todas nós íamos vestidas com a mesma fantasia e ele ia anonimamente no meio do grupo e disse que por feliz coincidência; uma garota do nosso grupo resolveu na última hora acompanhar os seus pais numa viagem ao exterior e deixou a sua credencial para entrar no clube e também as suas fantasias completas para quem quisesse e eu creditava que elas iriam servir bem nele e fiz com que ele as experimentasse a fim de poder fazer alguns ajustes a tempo. Disse-lhe que a fantasia era muito simples; um corpete que cobria o sutiã tomara que caia e um saiote ambos cheios de babados multicoloridos, nos pés tamancos brancos, na cabeça cada uma levava uma peruca de uma cores diferentes uma das outras e mais colares, brincos e pulseiras. Fiz com que ele experimentasse a fantasia; que ficou certinha sem precisar de ajuste, até os tamancos eram do seu numero, coloquei na sua cabeça uma peruca de seda sintética branca com franjinha caindo na testa e os cabelos cortados retos em volta dos ombros. Havia uma segunda fantasia que foi usada no ano anterior, era de grega, era uma camisola com um ombro só e na cabeça uma coroa de louros prateada rematava a fantasia sandálias rasteiras que tinha cadarços que eram entrelaçados nas pernas até chegarem nos joelhos. Disse-lhe que um dia nós íamos com uma fantasia no outro dia com a outra. Resolvida à questão da fantasia eu lhe disse que no dia seguinte todas nós iríamos reunir aqui no nosso apartamento a fim de fazer primeiro as unhas e depois maquilagem e duas manicures foram chamadas para fazer as nossas unhas. No dia seguinte, na sexta-feira, pela manhã nós fomos à praia e lá encontramos as nossas amigas e lá apresentei o meu primo, todas gostaram muito dele de lhes contei que ele também iria conosco ao clube naquela noite e que eu havia bolado uma maneira dele entrar apesar da sua pouca idade vestindo as fantasias da nossa amiga que na última hora resolvera viajar com seus pais no exterior. Na parte da tarde, por volta das quatro horas, chegaram às manicures e as nossas amigas, entre elas uma mais velha que nós que era maquiladora profissional que trabalhava na maior televisão do país, pedi a ela que transformasse o meu primo numa linda gatinha com propósito dele entrar no clube sem nos criar problemas. Depois de examinar atentamente sua estatura e o seu porte ela aceitou o desafio. Mas, impôs uma condição: não queria palpites de ninguém, inclusive dele e foi dizendo com autoridade: — “Olha garoto eu vou por você dentro do clube, mas você tem que me deixar fazer aquilo que tem que ser feito sem dar palpites, está bem, só assim eu garanto que ninguém iria barra-lo na portaria do clube nem o ajuizado de menores”. Meu primo abaixou a cabeça aceitando as condições impostas. Ele foi um dos primeiros a fazer as unhas. Minha amiga maquiladora mandou a manicure que antes de pintá-las colocasse unhas postiças de tamanho médio, mas depois de coladas e pintadas elas ficaram bem compridinhas, o esmalte escolhido por ela foi um vermelho escuro tanto para as mãos e para os pés. Depois de todas nós, de unhas feitas, resolvemos descer para comer uma pizza, depois voltaríamos para nos maquiar. O meu primo disse que não iria descer assim de unhas pintadas e preferia ficaria no apartamento onde comeria qualquer coisa. Eu lhe disse que para ele o carnaval já havia começado, então o chamei no meu quarto e lhe disse que eu desejava que ele fosse conosco na pizzaria. Mandei que ficasse só de cueca e fui vestindo nele um meu vestidinho branco de alças bem curtinho, um colarzinho e um par de brincos e calcei nele uma das minhas rasteirinhas, dei uns toques femininos no seu cabelo pondo uma tiara prateada e passei os seus lábios um batonzinho rosa. Assim ele nos acompanhou. Na pisaria eu e minha irmã passamos notar o seu comportamento, parecia uma linda garota, que comendo a pizza, entre uma garfada e outra não parava de admirar as suas unhas vermelha escuras, ora olhava admirando as suas mãos abrindo e fechando os dedos ora olhava para os seus pés a todo instante. Em dado momento ele percebendo que nós o observávamos deu um leve sorriso meio sem jeito. Parecia que estava gastando de ver suas unhas pintadas. Uma de nossas amigas disse que nós tínhamos que arrumar um nome feminino para ele durante o carnaval, e então eu disse era só colocar um a no fim do seu nome, e todas concordaram. Voltando ao apartamento começamos a nos maquiar, minha amiga encarregada de maquiar o meu primo foi transformado aquele garoto numa jovem mulher, base no rosto, sobrancelhas arqueadas, cílios imensos, sombra azul nas pálpebras para combinar com a cor dos olhos, batom vermelho vivo de chamar atenção, colocada à peruca branca que caia até os ombros com aquela franjinha na testa, transformou o primo numa sedutora mulher. Todas nós ficamos pasmas com a transformação, tínhamos que dar parabéns a nossa amiga maquiadora. Meu primo se transformou numa linda mocinha, estava deslumbrante. Ele foi para um grande espelho que está na nossa sala e ficou se admirando exclamou positivamente: — “Nem pareço mais eu! Uau!” Sem dúvida que ele estava gostando da sua transformação. Eu gostei vendo que ele estava gostando da brincadeira. À noite por volta das onze horas o nosso grupinho foi a pé para o clube que fica bem perto. Fomos conversando e ele se entrosou bem com minhas amigas, parecia uma delas. Íamos passar pelo primeiro teste com o meu primo assim fantasiado e assim ele entrou tranquilamente no clube, logo na primeira noite eu convidei minha irmã para me acompanhar até o toalete, ao levantarmos o meu primo quis ir junto também, lá, após termos feito xixi, fomos retornar a maquiagem, que me surpreendeu foi quando ele me pediu o meu batom, e mais surpresa ainda fiquei foi quando ele diante do espelho passou com perfeição o batom nos seus lábios e depois como todas nós costumamos fazer esfregou um lábio no outro olhando no espelho, ainda com cuidado verificou se os seus cílios postiços estavam bem firmes no lugar. Brincamos naquela primeira noite de carnaval sem nenhum problema. Ao sairmos do clube uma perguntou a outra se passaram as mãos nos seus bumbuns, todas disseram que sim rindo dizendo que isto já era esperado no carnaval quando alguns rapazes meios bêbados não deixavam de fazer isto e todas concordaram que quem está na chuva é para se molhar, perguntei ao meu primo se passaram a mão no bumbum dele, disse também rindo que passaram várias vezes, mas ele não se importou. No sábado conforme o combinado nós fomos de gregas vero carnaval no clube. Eu observei bem como minha amiga maquiadora havia pintado o rosto do meu primo e eu mesma me ofereci para fazer sob a observação dela, passei a base no seu rosto, e delineei os seus lábios, ai ele disse que ele mesmo queria passar o batom e passou muito em, depois fiz suas sobrancelhas, as sombras azuis nas pálpebras, coloquei os cílios e finalmente ajeitei na sua cabeça a coroa de louros douradas. Meu primo ficou uma gracinha. No domingo e na segunda feira fomos assistir de camarote o desfile das escolas de samba. Nestes dias de carnaval meu primo começou, com a minha ajuda, a fazer ele mesmo a sua maquiagem, no ultimo dia diante do espelho ele mesmo se maquiou sozinho. Na quarta-feira de cinzas, nós todos levantamos mais tarde. No café da manhã eu o lembrei de que naquela tarde por volta das quatro horas como havia sido combinado à manicure viria para tirar o esmalte das unhas e apará-las porque sendo postiças não podiam ser descoladas. Então, ele perguntou se ela viria só para isso e eu disse que sim, então, para minha surpresa ele me pediu suspendesse a vinda dela, que ele esperaria muito bem até a sexta-feira para refazer as unhas. Eu comecei ficar preocupada, pensei: “Refazer as unhas? Como?” meu primo parecia outro, estava mudado e muito, mostrava-se determinado nas suas atitudes e demonstrava que estava gostando de estar se passando por uma bela garota. Fiquei espantada. No dia seguinte à tarde disse-lhe que eu e minha irmã íamos fazer algumas compras na Visconde de Pirajá e perguntei se ele queria ir conosco ele de pronto disse que sim, vestiu logo aquele vestidinho de alças que eu havia emprestado as sandalinhas e passou ele mesmo um batonzinho rosa discreto, deu um jeito nos cabelos e me pediu uma bolsinha a tiracolo emprestada e pôs nela o seu cartão de crédito e assim saímos. Enquanto eu e minha irmã entramos numa loja dizendo lá íamos ficar por algum tempo, ele disse que enquanto isto iria espiar algumas vitrines por ali. Parecia uma linda mocinha. Ao sairmos da loja o procuramos e custamos para encontrá-lo, finalmente nós o vimos chegando no meio do povo, carregando algumas sacolas. No apartamento ele nos mostrou o que havia comprado: um vestidinho amarelo semelhante àquele que estava usando, dois baby-dolls, um penhoar, dois biquínis, uma saída de praia, duas minissaias, uma camiseta colorida outra de linho toda bordada às duas que deixavam a barriga de fora, seis calcinhas de diversas cores sendo duas com barras rendadas, duas sandálias rasteirinhas uma branca outra vermelha, um chinelinho caseiro cor de rosa uma sapatilha azul que ele calçou para nos mostrar, era decotadíssima que dava para ver o começo de quase todos os seus dedinhos, muito sensual, não sabia como aquelas sapatilhas tão decotadas conseguiam ficar seguras nos seus pés, dois pares de brincos, colares e pulseiras, dois batons, e esmaltes de unhas de diversas cores, um lilás e um estojo completo de maquiagem; tudo de muito bom gosto. Ficamos de boca aberta. Ele disse que as cuecas e as roupas que ele havia trazido jamais tornaria a usar, só ia ficar mesmo com o par de tênis. Na sexta-feira após acordar meu primo apareceu muito à vontade de baby- doll, penhoar e chinelinho cor de rosa na copa para tomar o café da manhã. À tarde nossa turminha, como de costume, se reuniu em nosso apartamento para com de costume fazer as unhas, elas ficaram surpresas em ver o meu primo não mais fantasiado, mas vestido como uma bela mocinha. Quando chegou a vez do meu primo ele pediu a manicure pintasse as suas unhas das mãos e dos pés com aquele esmalte lilás que havia comprado. Fiquei preocupadíssima com tudo que estava acontecendo, comecei então daí a me sentir muito inquieta, culpada pelo que havia provocado. Dissemos a ele que o carnaval já havia terminado e até quando ele pretendia andar vestido como uma garota, ele respondeu que ia de agora em diante se vestir assim para sempre porque era assim que se sentia melhor, feliz. Chamei particularmente a minha irmã e comentei com ela a mudança repentina que havia acontecido com o nosso primo em tão poucos dias. Ela então lembrou que uma de nossas amigas tinha uma tia psiquiatra e também psicóloga muito competente que era professora dessa matéria numa das faculdades do Rio. A consulta foi marcada. Antes da consulta eu e minha irmã nós estivemos com a psicóloga e eu lhe contei como tudo havia começado; que quando ele chegou demonstrava ser um tanto tímido, discreto, reservado, mas assim que ele aceitou depois de muita relutância lhe pintasse as unhas e depois que se vestiu como uma garota ele mudou repentinamente de personalidade, mostrou-se mais comunicativo, independente, falando o que sentia, dizendo que faria aquilo que queria se se importar com as opiniões dos outros, mostrando-se mais adulto para a sua idade, fazendo compras sem pedir nossa opinião, em fim; sentia-se mais a vontade. Nós, então, lhe dissemos que havíamos tomado à iniciativa de marcar uma consulta para ele com uma psicóloga, porque a sua transformação havia sido rápida demais. Ele achou ótimo que nos fizemos e falou que precisava também dizer tudo o que sentia para ela. Ele teve algumas sessões de analise, após a terceira a psicóloga nos deu o seu primeiro parecer. A analista, falou que aquele acontecimento era inédito para ela, de com se deu aquela mudança tão repentina. Disse haver procurado alguma coisa parecida na literatura especializada, mas, não encontrou nada semelhante. Acrescentou que mente humana, não raro, às vezes surpreende até os psicólogos e psiquiatras mais experimentados como que em poucos dias ou mesmo em poucas horas ele pudesse repentinamente adquirir uma mentalidade tão feminina, A psicóloga concluiu que por ser um pré-adolescente, cuja mentalidade ainda estava em formação isto tivesse acontecido. No caso dele a psicóloga pensava que no seu subconsciente sempre desejou ser do sexo feminino, contudo, lá estava oculto e ele conscientemente resistia a isso, reprimia o seu desejo, porém, quando se viu de unhas pintadas e vestido como uma garota, o subconsciente se deixou aflorar para o consciente repentinamente a sua personalidade até então oculta. A psicóloga prosseguiu dizendo que mais cedo ou mais tarde isso viria acontecer e que eu apenas provoquei aquilo que estava oculto no seu subconsciente. Depois ela disse que ele havia confessado que até então não havia demonstrado qualquer vontade de praticar sexo e afirmou que nunca havia se masturbado. Ela concluiu dizendo descontraidamente sorrindo: — “Ele provou e gostou de ser uma garota e mostrou ter bom gosto, viva nós mulheres”. Eu reuni as minhas amigas e contei o drama que eu estava passando e pedi a elas que guardassem esse segredo que elas presenciaram e que guardassem para sempre, a fim de não prejudicá-lo futuramente, elas prometeram que sim e de fato guardaram esse segredo sempre e cumpriram o que prometeram. Nos dias que se seguiram o jovem passava quase todo o seu tempo diante do computador fazendo pesquisas. Certo dia nos disse resoluto que estava resolvido mudar de sexo o mais breve possível. Nós levamos outro susto, nos passamos a nos sentir responsável pela sua decisão e dissemos que ele não poderia tomar essa decisão assim, porque se tratava de coisa muito séria e irreversível, que não tinha volta e por que de tanta pressa. Ele contou que tinha feito uma pesquisa pela internet e soube que a mudança de sexo e para sair perfeita tinha que ser feita naquela sua idade ou até mesmo um pouco antes e devido a isto ele não podia esperar muito, porque dentro de poucos meses sua voz poderia começar mudar, surgir penugens no seu rosto e pelos por todo corpo e os seus órgãos genitais se avolumariam e fazendo logo a cirurgia logo sua voz não mudaria continuaria sopranino, os pelos no rosto e no corpo não iam crescer e fazendo um tratamento hormonal na sua idade, os seios começariam a crescer e seu corpo se arredondaria e os seus músculos ficariam mais flexíveis e os braços se tornariam mais delicados e os quadris mais volumosos e arredondados. Nós ficamos admiradas com o conhecimento que o nosso primo adquirira em tão pouco tempo. Comportando-se como um adulto pela internet sem falar nada para nós ele marcou uma consulta com conhecido cirurgião especializado em mudança de sexo. Ficamos sabendo posteriormente pelo médico que ele ficou surpreso quando soube da sua idade e do conhecimento que ele adquirira corretamente sobre a mudança de sexo, por isso pediu que ele na próxima consulta trouxesse seus responsáveis. Assustadas, preocupadíssimas com a iniciativa por ele tomada resolvemos ir com ele o quanto antes na próxima consulta. O médico falou que realmente o garoto estava certo, que ele estava muito bem informado sobre esse assunto e lembrou-se das leis brasileiras exigem que uma mudança de sexo só possa ser realizada após os vinte e um anos depois de uma série preparatória com hormônios. Mas, na sua opinião pessoal, como médico, a mudança de sexo deveria ser feita na puberdade, pelas razões já conhecidas. Mas, apesar da proibição legal, o médico deu uma leve esperança, dizendo que iria estudar o assunto depois de conversar com a psicóloga que o atendeu daí uma semana então daí daria uma resposta definitiva. No dia marcado voltamos lá, meu primo estava muito esperançoso. O médico disse que o assunto era sigiloso e contava com a discrição de todos nós, porque se houvesse a denuncia poderia perder a sua licença de exercício da profissão pelo Conselho Nacional de Medicina. Falou que na verdade ele estava esperando há muito tempo por esta oportunidade de operar um pré-adolescente a fim de futuramente após uns dez anos, quando ele estivesse com uns vinte poucos anos completar a operação, então fazendo o transplante do útero e do ovário para que se tornasse uma mulher completa com a possibilidade de engravidar. Disse que esta oportunidade havia chegado para ele e não queria perder esta ocasião. O cirurgião disse que estava disposto a correr esse risco a fim de realizar o seu objetivo científico. Mas, o garoto tinha que se comprometer a fazer a experiência até o fim. O doutor apesar de se especializar em mudança de sexo, ele diariamente fazia outras cirurgias que nada tinha a ver com sexo. Quanto à operação em si ela seria oficialmente para tirar um pólipo na bexiga que poderia se vir se transformar em cancerígeno. Ele sabia que podia contar com sua fiel equipe, porque todos eles conheciam a muito tempo dos seus reais objetivos e dela também queriam participar. Disse por se tratar de um experimento, ele e a sua equipe não cobrariam nada, a família ficaria apenas com as despesas hospitalares. O médico perguntou quando ele queria começar o tratamento com hormônios informando que isso devia durar alguns meses. Disse-lhe que os seus pais estavam viajando e só eles podiam dar autorização para uma cirurgia tão séria como esta. Mesmo assim nosso primo estava radiante, confiante que seus pais dariam a autorização. Chegado o dia do regresso de seus pais da Europa, nós três fomos recebê-los no aeroporto. Apesar do nosso constrangimento, nosso primo fez questão de nos acompanhar até o aeroporto. Vestiu-se como sempre vinha se vestindo; vestido amarelo com golinha fechada em volta do pescoço e com um grande decote nas costas, sandálias rasteirinhas amarelas deixando seus pés todo a amostra, brincos colares, pulseiras, maquiado e as unhas pintadas de vermelho escuro tanto das mãos como dos pés. Ele agressivamente queria criar logo um impacto e resolver logo tudo sem delongas. Não tinha como ir de vagar. Ao aparecerem na porta de desembarque nós corremos para abraçá-los, abraços daqui, beijos de lá, meu tio perguntou onde estava o seu filho e quem era aquela garota. Ele abrindo os braços disse sorrindo: — “Papai, sou a sua filhinha que está aqui; que saudades”. Beijando seus pais e seus tios nos rostos. Foi um choque tremendo, os quatro ficaram estatelados, boquiabertos, imóveis, examinavam o filho e o sobrinho de alto a baixo, quase tiveram um troço não acreditando no que estavam vendo. Eu disse que nós fossemos para a van e lá eu ia explicando tudo àquilo que acontecera. No carro eles ouviam atentos o meu relato ao mesmo tempo não paravam de olhar para ainda aquele garoto vestido como uma mocinha que calado ouviu tudo sem interferir. No dia seguinte, ainda não acreditando no que estava acontecendo os seus pais resolveram ir primeiro até a psicóloga e depois ao cirurgião. Meu primo estava resoluto, nada o demovia, queria porque queria mudar de sexo, disse que se seus tios o aceitassem ele queria continuar morando com eles no Rio de Janeiro porque não queria voltar para São Paulo por motivos óbvios onde todos o conheciam por isso queria que fosse transferido para o colégio onde eu e minha irmã havíamos estudado. De fato isso aconteceu. Devido à situação, meus pais aceitaram com prazer ficar com meu primo e meus tios concordaram em ficar longe do filho, prometendo que viriam visitá-lo com frequência. A fim de matricula-lo eu e minha irmã como ex-alunas fomos acompanhada da psicóloga com o proposito convencer a diretora que embora ele fosse do sexo masculino iria frequentar o colégio como se fosse uma nova aluna. A diretora acabou aceitando a matricula naquelas condições e ainda mais que no segundo semestre ele provavelmente estaria lá de fato com aluna do sexo feminino. A nosso pedido ela se comprometeu a guardar segredo. Meu primo angariou a simpatia dos novos colegas como dos professores e da diretora e se mostrou uma “boa aluna”, estudiosa, aplicada nos seus deveres escolares. Após fazer as lições de casa, no tempo que ele disponha meu primo não saia diante do computador, ali passava horas. Seus pais ainda se mantinham indecisos em autorizar a cirurgia. Certo dia, impaciente, ele me confidenciou que estava preocupado vendo o tempo passar e que dentro em pouco pelos de barba poderiam aparecer e sua voz engrossar, por isso aprendera pela internet como é feita a cirurgia para mudança de sexo e me falou que caso seus pais não se apressassem em autorizar logo a operação ele sabia muito bem como podia se castrar, mas logo depois, se mostrando arrependido daquilo que dissera pediu que eu esquecesse que ele havia dito porque jamais teria coragem de fazer isso. Embora ele tivesse dito que jamais faria aquilo eu fiquei preocupadíssima pensando que ele bem podia cometer tamanha insensatez. Quando um dia meu primo foi à psicóloga, como fazia semanalmente, eu aproveitei a sua ausência e fui ao seu quarto e comecei a vasculhar as suas coisas. Por fim; no fundo de uma gaveta eu vi alguma coisa enrolada numa toalha, abri, levei um susto, lá estava um bisturi, uma tesoura cirúrgica, ainda nas embalagens, uma seringa, gaze, algodão esparadrapo e anestésico. Eu procurei na internet como era feita a cirurgia da mudança de sexo, vi que a auto castração seria possível, embora fosse muito perigosa. Aproveitando a sua ausência levei todo aquele material e mostrei aos seus pais, eles ficaram apavorados e assim acabaram se convencendo em autorizar a cirurgia. Obviamente eu pus logo todo aquele material cirúrgico no lugar onde estava e meu primo não percebeu nada. A operação ficou marcada para o inicio das férias de julho. Enquanto isso eu perdia noites de sono, perdia o apetite, eu me sentia culpada por tudo aquilo que estava acontecendo, dizia para mim mesma; porque eu o forcei vestir aquelas fantasias, ele resistiu até onde pode, eu forcei a barra. O meu remorso era muito grande. No dia da cirurgia, toda família foi ao hospital; eu, seus pais, meus pais e minha irmã. Radiante, meu primo sorridente foi vestido como se ele fosse para uma festa, agora com os cabelos bem crescidinhos, maquiado, com vestido de alcinha, sandálias rasteiras unhas pintadas e batonzinho, seus seios haviam começado a brotar depois três meses tomando hormônios, por isso todo contente passou a usar sutiã. Um dos parentes podia presenciar a operação, eu me ofereci porque me sentia responsável por tudo aquilo que estava para acontecer. A mesa de operação era a mesma que servia as parturientes. Meu primo ficou com as pernas bem abertas apoiadas no lugar apropriado bem alto para que o cirurgião confortavelmente pudesse se movimentar. A cirurgia foi feita com anestesia local, apenas tomou um leve tranquilizante para relaxar e sentir uma sonolência a fim de perder noção de tempo. A equipe era seguinte: cirurgião e seu assistente e três enfermeiras uma delas a instrumentadora e o anestesista. Após os preparativos operatórios a cirurgia começou às oito horas e terminou por volta do meio-dia. Inicialmente após a anestesia local, eu afastada de qualquer emoção, passei a ter a maior atenção nos mínimos detalhes, nada me escapava em observar o cirurgião que com o bisturi começou abrir o escroto pelo meio desde o períneo, ai apareceram os testículos, o médico com muito cuidado rompeu um conduto que conduzia a esperma com a tesoura cirúrgica, com a mão pegou um dos testículos extraído e o colocou na bandejinha de aço segura por uma das enfermeiras, em seguida fez o mesmo com o outro. O médico assistente sempre atento com uma pinça auxiliava o cirurgião. Depois como mesmo bisturi continuou cortando o escroto e começou a separar a pele que envolvia o pênis até separar todo prepúcio do pênis deixando-o em carne viva se estendia para dentro do corpo se afunilando, a amputação foi um processo mais demorado para evitar hemorragia depois foi à retirada a próstata. O cirurgião passou com toda a pele do escroto a dar forma na vagina. O nervo que estava no pênis a fim de produzir o prazer erótico foi convertido como clitóris e posto no seu devido lugar no alto da vagina. O cirurgião teve o cuidado de colocar no ventre um involucro onde havia várias bolinhas de plástico semelhantes a bolinhas de ping-pong, isso para que no futuro quando a adolescente passasse a ser adulta houvesse espaço para implantar os órgãos femininos o útero e o ovário numa tentativa que pudesse vir a funcionar normalmente. Finalmente o cirurgião nos informou que apenas suturara apenas alguns pontos da pele do escroto esticada onde era devido a fim de lá fixa-la no local certo porque assim a cicatrização se daria naturalmente em poucos dias devido aderência da pele do escroto ao músculo que podia assim se comprimir ou não. Falou que tudo ocorreu além da expectativa porque nesta idade uma cirurgia como esta é muito facilitada, que ela agora estava com uma vagina perfeita. Eu como havia observado tudo com a máxima atenção me convenci que seria capaz de fazer uma operação como aquela com toda segurança, aí despertou em mim a vontade uma médica cirurgiã. No quarto quando logo que ela — agora ela — acordou da sonolência balbuciando uma pergunta de como havia corrido a operação, dissemos que como estava previsto tudo ocorreu muito bem, eu disse que agora ela era definitivamente uma linda garota como ela queria ser. O seu primeiro ato foi passar as mãos sobre o volumoso curativo como se quisesse se certificar que de fato tinha sido operada. Daí dois dias minha prima recebeu alta. Provisoriamente ainda tinha que urinar com um dreno. O médico em uma das suas visitas disse em tom de brincadeira: — “Como vai a minha menina? Agora você, depois da retirada do dreno vai ter que se acostumar a fazer pipi sentada, mas em compensação você não será incomodada pelas menstruações mensais e como se sente?”. — “Estou feliz da vida, aconteceu aquilo que eu mais queria na vida, obrigada doutor.” — Há algum tempo ela vinha usando o artigo feminino quando se referia a si mesmo. Uma vez em casa, a operada passou em dias alternados indo ao cirurgião que a fim dele remover as bandagens a fim de verificar como ia à cicatrização, porque não havia sinal algum de sutura. Eu sempre a acompanhava nessas consultas. Finalmente chegou o dia da retirada definitiva da última bandagem. Como sempre ela se deitava na mesa de exames do consultório e o médico verificava o progresso havido na cicatrização, dessa vez o médico tomou um espelho e disse para minha prima: — “Veja só com ficou a sua vagina”. Ela de pernas abertas observou bem e falou: — “Como ela ficou tão bonitinha, era assim que eu queria, não ficou sinal algum da cirurgia, agora não tenho mais aquele troço horrível pendurado entre as minhas pernas, estou feliz da vida”. Nós rimos ao ouvir a sua observação. Os dias se passaram e quase todos os dias nós íamos à praia, porque era só atravessar a avenida, e lá no lugar costumeiro se reunia o nosso grupinho. Minha prima, antes como depois da cirurgia não deixava de nos acompanhar trajando o seus biquínis, saída de praia e seus tamancos; sempre lindinha. A garotada não tirava os olhos dela, e ela de óculos escuros não dava à mínima. Os anos se passaram e ela tornou-se uma linda jovem; aos dezessete anos tornou-se modelo fotográfico e se tornou manequim muito requisitada. Ela então me pediu fosse sua empresaria e cuidasse dos seus contratos e das suas finanças. De uma beleza nórdica, alta com quase um metro e oitenta, esguia, alhos azuis intensos, seus cabelos louros naturalmente ondulados que quando soltos iam até a cintura, mas ela geralmente usava rabo de cavalo ou coque assim ela se destacava tanto nas passarelas tanto com cabelos soltos como preso a fim de mostrar detalhes dos vestidos. Mas, para não chamar atenção sobre sua altura no cotidiano usava sempre sandalinhas rasteiras ou sapatilhas. Minha prima se tornou uma boa amiga e confidente. Ela quando se descobriu naquela véspera de carnaval que na verdade pertencia o sexo feminino, procurou com certa agressividade mostrar-se como de fato ela era, mas depois da cirurgia aquela impetuosidade foi deixando de existir, porque ela alcançou que mais ela queria daí por diante tornou-se dócil, afetuosa, de modos delicados sem ser afetados, até mesmo meio retraída como a conheci quando ela chegou a nosso apartamento naquela véspera daquele carnaval. Ela me confidenciou que permanecia virgem e pretendia assim se manter por muito tempo, porque nunca se interessou por homem algum apesar de ser muitíssimo paquerada e cortejada. Ela só pensava na sua carreira queria aproveitá-la ao máximo enquanto o tempo permitisse, sentia-se feliz, estava financeiramente independente, por isso não tinha tempo para namorar e não queria se comprometer com ninguém por enquanto. Viajou para França e com facilidade foi contratada por uma importante casa de modas e por um bom tempo desfilou nas passarelas de lá e pousando para fotógrafos. Ela nunca se esqueceu do seu compromisso que teve com o seu cirurgião, eles mantinham sempre contato, porque ela tinha também o maior interesse de um dia de ser uma mulher completa. Após a operação em que tive a oportunidade de assisti-la por inteiro, aí senti despertar a vocação para a medicina. Preparei-me para o vestibular entrei na faculdade hoje faço residência médica em um grande hospital. Procurei então o cirurgião que fez a mudança de sexo no meu primo e pedi que me aceitasse como uma de suas assistentes porque eu queria me especializar nesse tipo de cirurgia, ele me disse que assim e que assim eu terminasse a residência eu o procurasse e eu que ficasse tranquila porque o meu lugar estava garantido. Embora tudo isso tenha acontecido a meu contragosto foi meu primo, agora prima, que fez eu almejasse o desejo de me tornar uma cirurgiã. Apesar dela se sentir felicíssima como mulher, eu, não sei por que, continuo com aquele sentimento de culpa pelo que aconteceu que se tornou uma obsessão para mim. Quem puder me ajude.

