Aqui encerro o que comecei. Havia expressado em minha confissão anterior a que preço me atenho a servir as pessoas em minha volta. Se há a necessidade de agir como capacho, calar-me ou sofrer porque o outro precisa existir em seu próprio modo, então aceito tal condição humilhante.
O cerne de todo este olhar receptivo para com a humanidade se baseia num modus operandi do meu corpo, e que é a infantilização do meu ser, se assim posso dizer. Talvez eu me refira a esta palavra de maneira negativa, e é porque no momento só vejo a parte ruim dela. Não gosto de tomar escolhas, tirar conclusões e nem de me manter no que quer que seja. Gosto deste estado pré-individual, onde vivo sendo levado pelas circunstâncias.
Acontece que não é só de abraços que vivo. Além de acolher as pessoas. Sinto a vontade secreta de matar, humilhar, xingar, pisar, gritar, rebaixar, menosprezar, torturar e machucar todas as pessoas em minha volta. Na confissão anterior mostrei como quero ser para o outro aquilo que mais o faria se sentir à vontade e "poderoso". Acontece que o oposto acontece também. Desejo ser o único ser do universo, e dominar a vida em minha volta, anulando as diferenças que tentam solapar minha individualidade. Um lado é o nada, o nulo que dá tônus ao mundo em minha volta; o outro lado quer ser a única peça viva que se alimenta de maneira egoísta e sádica.
A confissão aqui é minha falta de paciência com esta dicotomia, e como estou exausto de variar entre pisar ou ser pisado. Não aguento mais tanto ódio, mas também não aguento mais tanta culpa. E pra piorar, sou devorado pelas emoções – sensações que machucam ao extremo meu corpo.
Desabei. E desabo todo dia, sempre perdido e sem identidade alguma. Sou o que, caralho? Sou um receptáculo que acolhe as chagas do mundo ou sou o monstro que deseja pisar nas pessoas? Cansei desta merda. Cansei de pensar, cansei de escrever, cansei de refletir. Já o fiz demais. Quero sair daqui, sair desta merda, parar de sentir tanta dor, parar de estar sempre em luto porque tudo está sempre morrendo. Quero ser algo logo,

