Eu confesso que nada me faz feliz nem triste. Eu acho repugnante conversar com as pessoas, pois a maioria das coisas que elas têm a dizer é inútil e artificial. Também detesto ruídos, gritaria, celular, televisão (…) Gosto de ficar totalmente sozinho.
Muitas pessoas se sentem eufóricas quando falam de sexo, mas não há nada demais nisso. Não consigo sentir o verdadeiro prazer em tudo que é tangível e sumamente sensorial. Porque tudo o que o corpo nos oferece é imediato, dura pouco. Procuro o duradouro, o que se estende por períodos atemporais e que faz a minha alma tremer. Vivo para buscar o valor das coisas.. e, infelizmente, tudo o que acho sem sentido e inútil, eu descarto.. eu desfaço. Não gostaria de ser assim, porque acabo sendo muito intolerante e "perfeccionista".
As únicas coisas que realmente me faz muito feliz é viajar, aprender novos idiomas e observar a natureza. Apesar de eu ser assim, todo "rabugento", sou apaixonado. Eu amo quando a mulher sorri autenticamente, sem precisar se expor e se entupir de maquiagem. A mulher amada poderia ficar nua em minha frente, que a luxuria passaria despercebida. Há tanto o que contemplar e delinear, sexo estragaria o verdadeiro prazer.
Passei em medicina, e minha maior motivação é conhecer o nascimento e a morte. Quero me sentir tocado pelos ciclos da vida. Meus colegas do curso só pensam em prestígio e dinheiro. Isto, para mim, é só consequência de um bom trabalho.. E não um motivo para cursar.
Por tudo isto, me sinto sozinho por um lado. Pois é como se eu fosse o averso. E por outro, me sinto unido.. Porque há tanto biodiversidade e mistério ao redor, que é impossível permanecer solitário para sempre.

