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Sofri abuso do meu meio irmão

Antes de começar, quero que fique bem claro que isso não é nenhuma fantasia/conto ou algo do tipo. Eu repudio qualquer coisa do tipo, principalmente quando se trata de crianças. Nunca contei o que me aconteceu pra ninguém da minha família, amigos, nada. Na primeira vez que aconteceu, eu tinha uns 7 anos e ele uns 13. Eu me lembro como se fosse hoje a situação. Estavam minha mãe, minhas três irmãs e meu irmão na sala de TV. Eu cheguei, e não tinha mais espaço em nenhum dos dois sofás para eu me sentar, e como meu irmão estava deitado sozinho em um deles, falei pra ele se sentar. Ele estava quase cochilando, e só resmungou "Deita aí também". Eu deitei, ficando de costas pra ele, ele estava de frente. Com a idade que tenho hoje, obviamente não me deitaria assim, mas naquela idade eu não tinha maldade alguma, e além de tudo, era meu próprio irmão. Passado um tempo, ele foi colocando a mão dentro do meu short. Eu não me lembro o que pensei, só me lembro que continuei imóvel, sem entender o que estava acontecendo. Ele começou a passar a mão na minha virilha e eu sem entender nada, ninguém na sala vendo nada. Até que minha mãe mandou a gente ir dormir. Eu me lembro de pedir ele pra eu sair. Hoje eu não lembro mais como me senti no dia posterior, se fiquei lembrando do que tinha acontecido ou algo do tipo. Mas depois disso, aconteceram outras vezes. Eu passei a ter medo de ficar sozinha, porque geralmente, ele chegava, me segurava por trás, e colocava a mão dentro da minha calcinha como na primeira vez. Eu tinha medo até de tomar banho sozinha, pra vocês terem noção. Não me lembro quantas vezes foram, não foram poucas, mas não era coisa diária também, até porque eu passei a sempre evitar ficar sozinha quando ele estava em casa. Quando fiz nove anos, fui estudar em uma cidade vizinha, e ficava nessa cidade a semana inteira e só voltava pra casa no fim de semana. Os abusos pararam. Ao menos era o que eu pensava. Quando eu estava com uns 11-12, aconteceu de novo. Eu me lembro do contexto, meu pai tava recebendo um amigo em casa, fez um churrasco, e a filha dele estava lá. Ela era bonita, tinha um corpo bonito, provavelmente tinha a idade do meu irmão na época (uns 18). Estava tudo bem, eu já não tinha medo mais, e nem pensava mais no que tinha acontecido. O amigo de meu pai e sua filha estavam em casa ainda, eu fui tomar meu banho, era noite. Terminei o banho, troquei de roupa no meu quarto, e quando abri a porta, me assustei por ele estar lá. Ele me agarrou por trás como fazia, e ia colocar as mãos de novo na minha calcinha, mas agora eu já entendia que era errado, e essa foi a primeira vez que eu disse algo. Griteu pra ele apenas "Para" e ele me soltou, e voltou pra ficar com o meu pai como se nada tivesse acontecido. Essa foi a última vez que ele tentou me tocar, apesar de não ter sido a última coisa que ele fez. Passaram-se mais anos, eu já estava no ensino médio, 15 anos e ele 21. Era noite, minha família estava indo sair, e como eu sempre fui muito caseira, não quis ir junto. Íamos ficar só ele e eu em casa. Vocês podem achar estranho eu não importar de ficar sozinha com ele assim, mas já haviam passado anos desde a última vez, e como eu já havia dito, meu mundo não girava ao redor disso. As vezes eu me lembrava, as vezes não. Voltando, eu me lembro que fui tomar meu banho, e quando saí do banheiro, notei que eles já tinham saído de casa. E escutei o barulho da TV ligada também, então pensei que meu irmão estava lá. Fui pro meu quarto me trocar, e como no dia posterior seria aniversário do meu pai, fui experimentar umas roupas para ver qual usaria. Até que escutei um passo pela janela. Me assustei, mas cheguei mais perto da janela. É até irônico, porque é tipo aqueles filmes de terror em que a gente fala "Não vai, sua idiota" mas na realidade, você quer sim saber o que é. Ao me aproximar, vi a sombra. Não vi o rosto dele, mas pela sombra, soube que era ele. E ele viu que eu vi. Eu me afastei da janela e me lembro de ficar ali, paralisada, com a blusa que eu estava prestes a vestir cobrindo o meu peito. Fiquei parada olhando pra janela por uns 10 minutos, sem exagero. Depois, fui na janela e a tranquei. E fiquei trancada no quarto, com medo, querendo que meus pais chegassem logo. Para o meu espanto, ele veio bater na porta "Eu tô com fome e vou comprar alguma coisa, você quer algo?" Eu só gritei um "Não". E lembro de escutar o portão de casa fechando. Mesmo assim, eu não saí do quarto. Fiquei lá, com um ódio tão grande, mas ao mesmo tempo me sentindo tão pequena. Ele voltou, foi direto pro quarto dele dormir. Eu fiquei pensando se deveria sair ou não. Haviam se passado horas já e ele não tinha saído do quarto. Aí saí. Passado um tempo, meus pais chegaram, e não, eu não contei nada a eles. No outro dia, quando fomos comemorar o aniversário do meu pai (não foi em casa), meu irmão nem apareceu, e eu fiquei feliz por isso. Depois disso, eu fiquei com muito ódio dele. Tudo o que ele havia feito começou a encher minha cabeça todo dia, eu fingia que ele nem existia mais. Um dia, ele me deu bom dia e eu não respondi. Estávamos na cozinha eu, ele e a moça que trabalhava na minha casa. Ele agarrou o meu braço e me disse "Quando eu falar com você, você me responde" e eu disse apenas "Me solta, você tá me machucando". O ódio que havia crescido em mim não passou de um dia para o outro, mas eu superei com o tempo. Eu acho que o meu maior medo sobre contar, é a reação que meu pai teria. Minha família é muito conservadora, a gente é de uma cidade muito pequena, tenho certeza que meu pai colocaria ele pra fora, imagina tudo que isso causaria na família… Eu odeio esse tipo de pessoa. Odeio mesmo. Se pudesse eu mataria qualquer um que faz esse tipo de coisa, com uma criança ainda por cima. Ele é meu irmão, eu o odeio por ter me feito passar por isso quando eu era uma criança, mas eu o perdoei. Tenho certeza de que se fosse uma pessoa de fora, eu não teria perdoado, mas família é família pra mim. Porém, já me prometi, se eu descobrir que ele fez isso com alguma das minhas irmãs mais novas, eu conto tudo. Hoje eu tenho 19 anos, nunca esqueci o que ele fez, nunca vou esquecer, mas de certa forma, o perdoei.

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Escrito por Anônimo

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