Será que é tão difícil assim compreender os outros? Sempre tentei ser uma pessoa com empatia pelas outras, dividi dores, aguentei dores sozinho, tentei me encaixar em todos os ambientes que estive desde a minha infância até agora, a cada lugar um novo traje. Sem nunca saber o que queria de mim mesmo, me tornei um fantoche. Regido pelos desejos e expectativas alheios, se formaram então vários “eu ”. Percebendo que meus movimentos e pensamentos não eram meus, já havia perdido meu nome e estava sozinho, pois não sabia quem era nem quem fui. Logo tudo perdeu o sentido, as memórias eram vazias, como se eu fosse um espectador do meu próprio eu. Mergulhado na escuridão buscando desesperadamente achar aquela pessoa… Quanto mais me aproximo da sua voz, mais ela perde a intensidade. Enquanto isso meu casco superficial magnetiza toda a dor do mundo. Será que essa pessoa irá me perdoar por ter deixado ela sozinha no escuro? Talvez eu mereça essa dor e não exista uma quantia necessária de lagrimas a ser derramadas para que eu pague pelo meu erro. Eu sou apenas a sombra de uma criança que está chorando no escuro, como dói sentir sua angústia, toda sua tristeza corrói o interior desse corpo, danificando suas funções naturais. As palavras das pessoas não incomoda a mim, mas a alcança de forma devastadora, eu não a vejo, mas peço perdão por tudo e espero que ela me escute e me deixe devolver o que é seu. Se não for possível, então ao menos darei a paz merecida a ela.
Como observador do mundo, e de mim mesmo, desejo que todas as pessoas encontrem a si mesmos, se amem e não se deixem levar pelos outros. Sei que muitos estão sofrendo sozinhos, se sentem carentes nesse mundo terrível. Olhando as confissões e desabafos tento imaginar o porquê essa pessoa tem que passar por isso, e suas lágrimas se transformam nas minhas. Espero que possamos viver bem, forte abraço a todos vocês.

