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AMOAMO

Sonho crossdresser – saindo na rua

Toda crossdresser sabe que nosso maior sonho é sair montadinha em público e nosso maior medo, também. Depois de anos vivendo as emoções entre quatro paredes, eu não suportei meu desejo e debutei. Optei por um visual básico, pois convence mais que muita produção . Escolhi uma noite fria, vesti uma calça preta feminina, com elastano, bem justinha do bumbum até o tornozelo, sob ela uma calcinha bem pequena, uma blusinha manga longa cor rosa,também justinha e por baixo dela um sutiã com bojo mais firme, dando um efeito perfeito sob a blusa, como os seios de uma garota. Como a noite era fria, a desculpa perfeita para um moletom com capuz. Era azul claro, com pedrinhas brilhantes formando desenhos que o tornavam delicado e feminino. Uma base no rosto suavizando minhas linhas e minha pele, e o capuz do moleton ocultava minha identidade e revelava somente minha face. Mesmo o cabelo curto de corte masculino, não era revelado. Como calçado um sapatênis azulzinho. Pronto, era uma moça de tênis, calça, blusinha rosa, moleton delicado e capuz protegendo do vento frio. Pude assim sair do local onde me montei, sem chamar atenção e entrar no carro. Pude dirigir na noite sem chamar atenção. Então na saída da cidade, numa rua escura, parei o carro, para o toque final. Passei um batom vermelho nos lábios, e troquei o tênis por um scarpin branco número 40, salto agulha bem justo e que me dava firmeza ao caminhar. Agora sim, o batom já revelava mesmo por fora do carro, uma mulher, e o scarpin é inconfundível mesmo a noite e de longe, de que conduz uma fêmea sobre ele. Rodei mais algumas ruas e cheguei num novo ponto bem escuro. Desliguei o carro, respirei fundo, tomei coragem e fui viver o sonho de uma vida inteira: sair a rua, vestida de mulher. Desci do carro sentindo o vento frio da noite em minha pele, acariciando meu rosto, e abraçando meu corpo. A pele delicada arrepiava, e sob o som maravilhoso do trotoar do salto, caminhei pela calçada observando as casas, com as luzes acesas, onde as janelas eram minha exposição máxima a algum observador mais atento . Tentei fazer a volta na quadra, mas as pernas tremeram e voltei a segurança e anonimato do carro. Então segui rapidamente para fora da cidade, e nas rodovias, ninguém consegue ver sequer o rosto dos ocupantes dos outros carros, devido aos faróis , assim ia protegida em minha personagem. Em meia hora, nove da noite, cheguei na cidade mais próxima. Como lá poucas pessoas me conhecem, diferentemente da minha, onde qualquer confusão ou escândalo me abalaria o nome, como em toda cidade pequena do interior, me sentia mais segura para continuar vivendo meu sonho. A cidade estava quase vazia. Poucos carros nas ruas, pedestres raros . Estacionei ao lado da praça matriz . Pensei, se é para estrear, que seja realmente num lugar bem público, sem me esconder. Nova emoção meu coração saindo pela boca, o peito pulando dentro do sutiã , em misto de medo, emoção e felicidade por me encontrar comigo mesma, com as roupas certas. Desci do carro, travei a porta e caminhei pela calçada, subi alguns degraus de escada, e lá estava eu, nas calçadas curvas da linda praça , cheia de árvores frondosas, mas também cheia de luzes sob globos brancos. Não dava mais para se esconder num lugar tão iluminado . Caminhei nervosa sem saber o que fazer, pois do outro lado havia algumas garotas conversando, alguns homens também. Contornei um quiosqui e sentei em um banco, proxima ao carro, e fiquei brincando com o celular. Ao longe, parecia uma garota, a espera de um telefonema, ou trocando mensagens, para talvez encontrar-se com alguém. O scarpin branco, o batom vermelho, as roupas justinhas e delicadas, revelavam a mulher que eu me sentia, mas que agora outros podiam também ver. Poucos minutos e um carro de polícia com giroflex ligado patrulhando as ruas. Termi. Pensei, se vierem me revistar por alguma denuncia típica de cidade pequena, contra carros e pessoas de fora, pode dar ruim. Mas não olhei para eles, sei bem como são olhos treinados e muito observadores e agir como suspeita só despertaria a atenção . Segui olhando o celular e discretamente observei a viatura seguir. Muitas vezes eles retornam, dão a volta , antes de abordar. Custei a me convencer que isso não iria acontecer. Não aguentei mais, e logo caminhei novamente pela praça desta vez fazendo o caminho mais longo, entre as calçadas sinuosas, saindo no canto, e voltando pela calcada onde era vista por pessoas ao longe ou algum carro que circulava. Atravessei o asfalto, caminhei pela calçada do outro lado da rua, parei para olhar vitrines, caminhei novamente, tentando prolongar ao máximo aquela emoção indescritível e ao mesmo tempo termina-la, evitando um incidente que complicasse minha situação . Voltei ao carro e ao meu mundo, onde só as mulheres e travestis sabem como é difícil e desafiador dirigir de salto agulha, é só as crossdresser fazem isso com pouca regularidade, embora nós nos deliciemos com a sensação . Quem ler o meu conto – alma crossdresser – prisão sem grades – vai cada vez mais conhecer meu mundo, ver minha alma sem veus, e compreender melhor o universo crossdresser. Meus contos são todos verídicos pois sonhar eu sonho na cama. Minhas emoções eu prefiro viver. Fora do site eu confesso, buscando no Google, quem curtiu pode encontrar ainda dois contos reais meus, mais sensuais – virei putinha e amei e também virei putinha e amei – agora com casal. Minhas experiências são minha janela para o mundo. Beijos Vanessa Cristine

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Escrito por Anônimo

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