Bom, não sei bem por onde começar. .. aos 14 anos eu eatava ainda iniciando a minha vida sexual, com um ficante que na época tinha 21 anos. Em dois meses mantendo relações com ele, poucas vezes com proteção acabei ficando grávida. Entre em desespero, como contaria aos meus pais? Eu estava prestes a realizar o sonho da festa de 15 anos, eles eram super rigorosos, não queria desapontá-los. Guardei para mim. Quando estava de 13 semanas de gestação, resolvi dizer ao meu ficante que estava esperando um filho dele. Ele surtou, disse que era de outro e me agrediu. Estava sozinha, algumas amigas sabiam da gravidez, mas todas me incentivavam a abortar. Com medo e sem ter o que fazer procurei a mãe do rapaz, ela também disse que o melhor seria abortar. Eu não teria condições de criar um bebê, estava prestes a fazer 15 anos, como alguém tão nova saberia lidar com as responsabilidades de cuidar de uma criança. Eu não tinha estatura para aguentar uma gravidez, era bem pequena e pesava menos de 45kg. Certamente aconteceria um aborto natural. Então ela depois de alguns dias me deu um comprimido para tomar junto com chá de boldo e canela. Tomei. Se passaram alguns minutos e vomitei. Ela me fez repetir a dose, lembro bem da forte dor parecendo uma cólica me machucando, da tontura. Lembro bem quando não aguentava mais a dor e sentei no vaso, trêmula, suando frio. Do sangue descendo com intensidade.
Foi mais de uma hora nesse sofrimento.
Abortei meu bebê. E sim, foi melhor para mim e concerteza para ele também. Ainda não havia vida.
Se tivesse levado a gravidez a frente, hoje seria mais uma criança jogada no mundo. Seria mais um sem pai. Seria uma criança sem amor, sem nenhum tipo de carinho. Seria hoje uma criança de 3 anos, morando comigo num quartinho e indo para prostibulos de madrugada. Passando apertos, passando necessidade.
Eu o impedi de nascer, mas também o impedi de sofrer. Porém, ele ainda não tinha vida.

