Eu confesso que eu sou muito infeliz! Quando eu estava na 4ª série a minha melhor amiga saiu do colégio e foi morar em outro estado. Depois, quando eu fui pra 5ª série, em que a gente ta virando adolescente, eu comecei a sofrer Bullying, as pessoas me chamavam de nerd porque eu era a mais inteligente da sala, e riam porque eu sou muito branca e alta, e meus braços são compridos, e minha estrutura física é graúda, eu tenho ossos parecidos com de meninos, e pra piorar estou um pouco acima do peso, todos faziam piadas comigo, diziam que eu parecia um traveco, que eu era esquisita porque eu era branca de mais, que ninguém normal era tão branco assim, e me chamavam de CDF, e eles apontavam e diziam “lá vai a feiosa!” eu não falava pros professores porque sempre diziam que era simplesmente não dar bola, e não resolvia nada, eu não falo nada com meu pai porque ele já tem muito problemas com os irmãos, eu não quero que ele fique se preocupando mais comigo, e a minha mãe simplesmente diria pra mim rezar, e oferecer a outra face. A minha mãe parece mais uma crente, ela me sufoca, me obriga ir à Igreja duas vezes por semana e quando eu era mais criança fazia eu rezar uma dezena do terço toda tarde de domingo, e eu quase não tenho amigos, porque todos combinam de sair, ir nas casas um dos outros, ir ao shopping, sair pra festas, e ela não me deixa fazer nada disso. Eu não me rebelo porque eu sei que apesar de tudo ela me ama, ela me ajuda muito também, se esforça pra conseguir as coisas que eu quero, pra pagar um bom colégio, pra me dar uma vida boa também, mas as lições de moral dela me sufocam! E agora eu fui pro 1º ano do Ensino Médio, eu estava a 8 anos no mesmo colégio , e mudei pra outro estado agora, e no novo colégio todos são ricos e metidos, as meninas são lindas e fazem piada com qualquer uma que não é, e claro, eu já entrei nessa lista! E riem de mim por causa do meu sotaque gaúcho, lá não tem isso… Tem o que eles chamam do grupo dos “desajustados”, e esse é meu grupo… E eu não suporto mais o Brasil, o jeitinho brasileiro de ser, o fato de ter que escutar músicas bagaceiras como funk, com letras do tipo “to ficando atoladinha”, e ter que agüentar toda essa corrupção que não acaba, e todo ano agüentar o Carnaval, com as mulheres quase nuas rebolando na TV, como verdadeiras putas, e as pessoas achando que podem fazer o que bem entender… Eu gostaria de mudar o mundo, fazer do mundo um lugar livre, sem ter que corresponder a tipos físicos, sem se importar com a aparência, a religião, raça, opção sexual… Mas quando eu vejo que o mundo não é assim, é tudo muito violento, eu tenho vontade de desistir da vida… Não sei mais o que fazer…

