O espectador diderotiano é o simétrico invertido do virtuose horaciano. Ele compra arnficção alheia, usufrui a glicose que consegue, cospe fora o bagaço na sarjeta defronte ao teatrorne, findo o espetáculo, retoma tranqüilamente o fio de sua vida normal de vícios e enganosrnmedíocres. Recuperado do transe passageiro do sonho desperto, o cidadão que sai pela porta dornteatro é exatamente o mesmo que lá entrou. Mas será ele simplesmente um hipócrita? Qual arnrelação, se é que existe alguma, entre o espectador sublime, capaz de insuspeita grandeza ernvirtude na escuridão da platéia, e o cidadão rasteiro, capaz de tanta perfídia, esperteza ernmesquinharia sob a luz do dia?

