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Tempo.

Será que você não tem sensibilidade o suficiente para notar a brisa gélida que cora os nossos rostos, enquanto andamos juntos numa noite de tédio? Será que você não é sensível o suficiente ao ponto de escutar as batidas de um coração que não é o seu? Às vezes, eu creio que não.
Pois eu já tentei de tudo. Dos sinais que não deveriam ser apontados até os segredos que não deviam ser contados, mas parece que você não consegue enxergar o meu verdadeiro “eu. Serei eu o culpado disso tudo? Serei eu o homem invisível, cego? Ou seria a cegueira da história a sua própria?
Sabe, P, se eu pudesse voltar no tempo, eu juro que iria tentar ser um pouco mais transparente, um pouco menos enigmático. Mas assim não tem graça. Quero que você seja capaz de me descobrir, e acredito que você realmente consiga fazer isso. (Por que acha que sou tão misterioso? Só quero que você tente me ler, sua idiota metida a espertinha).
Se eu pudesse reverter as areias do tempo, eu não iria deixar de gostar de você. Pelo contrário: desejaria te desejar mais. Te querer mais ao ponto de conseguir ignorar o seu pai, os seus irmãos, o seu transtorno de personalidade antissocial, a nossa honra -ou seja lá como isso se chama-, e te beijar. Um beijo, apenas. Não peço mais do que isso.
Mas a verdade é que nunca conseguirá me entender. Estamos fadados aos eternos desencontros.

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Escrito por Anônimo

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as vezes a vida e uma bosta…

Confesso