Recentemente meu marido me contou que já se prostituiu enquanto era adolescente. Isso faz uns 3 a 4 anos. Disse que fez isso com alguma frequência, pelo prazer de ganhar dinheiro (com certeza também pra cheirar cocaína), mas que não tinha prazer no sexo. Falou que ficava na rua "mostrando as partes" (sic). Já entrou em kombi e não sei mais o quê e preferia ser passivo "para ter menos trabalho". Contou isso com insegurança e vergonha, tentou se justificar falando que era questão de sobrevivência e eu o ouvi e o acolhi. Abracei, disse que tava tudo bem, que nada ia mudar entre nós. Mas eis que tive uma crise nervosa. Chorei muito e não conseguia parar. Me acalmei com muita dificuldade, mas os fantasmas se mantiveram me perturbando. As imagens que criei permanecem indo e vindo pela minha cabeça. Tive algumas dores físicas também, mas estou tomando analgésicos para relaxar e fumando maconha pra conseguir dormir. Não tenho questões morais relacionadas a isso. O que me perturba nisso tudo é: 1) ele evita ao máximo ser passivo comigo e isso desencadeia ciúmes, porque ele foi com mais de 50 por dinheiro, mas não pode ser por amor. Me dá até raiva. Dá vontade de ironizá-lo perguntando se caso eu pagasse ele faria. 2) Medo de que ele volte fazer programa. Esse é o mais infundado de todos. Há anos ele não faz e não tem necessidade alguma de fazer. Sofreu enquanto vivia assim e agora se realizou tendo um relacionamento estável. Ele fala isso e é perceptível pelo modo como se expressa e me trata. 3) Sinto inveja do passado dele. Estranho, porque foi um passado sofrível, mas o que me faz sentir inveja é o número e nível das extravagâncias. Sinto como se eu tivesse jogado a minha adolescência no lixo ao não ter chegado a tanto. Queria ter cheirado muito sem me preocupar com isso; e até ter ganho dinheiro me prostituindo. Na verdade, no fim da minha adolescência eu também transei até com mais de 50. Vários numa noite. Em festas, saunas, etc. Bebi, fumei, chapei, tomei doce… Só não cheirei. Mas é como se isso não tivesse valor agora. É como se eu não tivesse feito o máximo que podia nos meus dias de solteiro. Estou tentando lidar com isso. Comecei a fazer terapia, mas a próxima sessão parece demorar uma eternidade. E esses pensamentos me torturam. Tento esquecê-los. Lidar com eles, enfim… Nós dois temos um relacionamento ótimo e nada mudou, senão na minha cabeça. Mas tenho o mesmo sentimento de carinho e afeto, tesão, admiração, etc. Não sinto nojo dele. Só fico ruminando essas questões e não tenho muito com quem falar sobre, porque socialmente falando é um caso bastante cabeludo.

