Tomei coragem para desabafar, depois que vi um post aqui sobre ter problemas com mães. A minha mãe nunca me tratou com carinho, atenção, sempre estava ocupada, nunca tinha tempo de conversar comigo. Lembro desde os 5 anos de idade, quando ela ficava brava comigo me xingava de "sua negrinha", inventava que uma menina cobra iria me pegar se eu desobedescesse, mas não me lembro que eu era tão terrível assim…nem conseguia dormir direito, quando ela brigava comigo. As brigas eram constantes, fora as surras que chegavam a criar vergões no meu corpo. Lembro me que eu era calada, parecia um bicho. Um dia inesquecivel foi quando fiquei ajoelhada no milho por mais de uma hora, meu joelho ficou todo marcado e dolorido, o pior que eu nem me lembro o motivo do castigo. Não bastasse as surras, a minha mãe comprou um chicote de couro, daqueles de chicoterar cavalos. O chicote ficava pendurado na cozinha e ninguem podia encostar nele. Nossa tinha odio daquele chicote, minha vontade era que aquele chicote desaparassesse e minha mãe junto. Depois fui crescendo e me rebelando contra ela. Alguem deve estar se perguntando e onde estava meu pai nisso tudo, meu pai trabalhava fora e só o via nos finais de semana. Ele nunca se envolvia muito, quando se envolvia era quando eu tinha apanhado demais, mas depois ele ia embora e o inferno começava de novo. Comecei a " dar problemas na escola" , brigar com colegas, ficava irritada com tudo, as vezes brigava sem motivo. Cheguei a perder um ano na escola, passei por um psicologo, lembro que era dificil para meu pai pagar um psicologo pois não ganhava muito, segundo o psicologo eu precisava de colo. Nesse periodo as surras diminuiram, mas depois de um tempo depois das sessões com o psicologo, era chegar em casa e apanhar. Passei a ser uma criança dificil, as professoras passaram a correr de mim, minha mãe me isolou mais ainda. Porem algo bom aconteceu me aproximei do meu psicologo e do meu pai, nos tornamos mais amigos, meu pai me entendia. Comecei a gostar de estudar, minhas notas melhoraram, cheguei até ganhar um certificado de melhor aluna da sala. Minha mãe continuou me tratando da mesma forma, mas eu já era adolescente e a respondia, não apanhava, mas ela me tratava muito mal, não podia nem levar amigos em casa. Meu pai vendo que eu me interessava pelos estudos começou a me incentivar a estudar, trazia livros usados dos filhos dos patrões, eu pulava de alegria. Quando brigava com minha mãe eu lia, era um jeito de fugir um pouco daquela realidade. Minha mãe começou a criticar o que eu vestia, chegou a dizer para minha Madrinha que eu era feia. Nossa convivencia ficou impossivel, intolerável. Comecei a enxergar os estudos, uma maneira de sair daquela vida. Nessa epoca, eu alisava o cabelo, segundo minha mãe era para dar um jeito no meu cabelo. Porém na adolescencia passeo a usar meu cabelo afro, volumoso. Depois do ensino medio passei no vestubular e fui estudar numa Universidade Federal, la eu morava no alojamento e trabalhava para ter alimentação. Passei a ir menos casa, isso foi bom durante um tempo, mas comecei a sofrer com essa sitiação, minhas colegas de quarto tinha bom relacionamento com a mãe, mas eu não. Ninguem é bem visto quando tem problemas com a mãe, sempre o filho que não presta, por isso preferi esconder isso das pessoas. Meu pai ficou meu amigo, mas queria que eu ficasse de bem com minha mãe, mas ele e na vdd nem eu sabia que nosso elo havia se quebrado. Depois me formei,passei em varios concursos e hoje tenho bom emprego, trabalho e nunca recebo um elogio da minha mãe. Meu pai me olha orgulhoso, da pra ver nos olhos dele. Hoje tenho um filho lindo, meu pai tbm o ama muito, mas minha mãe nem liga para saber como ele está. Hoje, confesso que não tenho vontade e nem necessidade de ter ela por perto, acho que depois de tanta analise, terapias, ela deixou de ter importancia em minha vida. Nunca vai deixar de ser minha mãe, no papel, socialmente, mas no meu coração deixou de ter aquele espaço que hoje é ocupado por meu pai e minha familia.

