Chamo-me Fernando, tenho 23 anos, sou homossexual (é apenas um detalhe, o desabafo não é sobre isso), namoro há 2 anos, sou estudante, brasileiro, paulistano, etc.
Fiz faculdade de Estatística na UFSCar durante dois anos. Sou de São Paulo e fui morar no interior, fiquei longe da família, não me adaptei, entrei em depressão, emagreci uns 10kg, fiquei doente, etc. Decidi voltar pra casa no final de 2015. Decidi prestar vestibular pra Engenharia na Politécnica da USP em agosto de 2015 e consegui ir pra segunda fase. Porém, não consegui passar da segunda fase e decidi estudar em um cursinho no ano de 2016. Fiquei feliz de ter ido pra segunda fase de um dos cursos mais concorridos da USP e decidi tentar. Sem falar que meu irmão mais novo no ano interior havia conseguido entrar no curso de Direito da USP, algo que também me motivou muito.
Ainda no começo do 2017, conheci um rapaz muito especial e com valores parecidos com o meu. Nos apaixonamos e começamos logo a namorar. Deixei claro que eu era uma pessoa séria e que prezava um relacionamento monogâmico e estável. Ele também buscava isso. Começamos a namorar, fizemos os testes pré-nupciais (de DSTs). Os dois estavam limpinhos e saudáveis, e assim permanece até hoje. Nos amamos muito e nos respeitamos mutuamente, e temos planos de morarmos juntos. Ele acabou de se formar em Psicologia pela PUC-SP e está iniciado sua carreira como psicólogo.
Voltando à história, em meados de 2016, minha avó querida que morava comigo e minha família foi diagnosticada com um câncer severo e avançado, e nos foi dito que ela era uma paciente terminal. A vida a da minha família virou de pontas pro ar. Nos desestabilizamos. Minha mãe ficou com depressão, meu irmão começou a ter crises de ansiedade e hoje até toma remédios psiquiátricos e frequenta um psicólogo. Agora as coisas estão voltando a se normalizar, mas foi muito difícil. Um ano que era pra ter sido de estudo intenso, acabou mudando totalmente de rumos. Pois bem, mesmo com as dificuldades, fui de novo para a segunda fase de Engenharia na Poli, com uma nota de 10 pontos acima da nota de corte, mas me sinto depressivo, resignado, sem vontade de lutar. Sinto que, assim como ano passado, eu não conseguirei de novo.
Outra coisa que me incomoda é que eu sou uma pessoa ambiciosa e tenho muitos sonhos de melhorar de vida, de ter alguns confortos, e graças a Deus sempre soube que isso eu só posso conseguir a partir de muito estudo e trabalho. Porém, ultimamente eu tenho tido pensamentos negativos, que me dizem que eu não vou conseguir, que não conseguirei chegar a lugar nenhum.
Minha família tem condições de vida bem razoáveis. Temos casa própria, minha mãe tem um bom emprego, deve receber cerca de R$5mil, e é com esse dinheiro que eu, ela e meu irmão vivemos. Ele pretende começar a estagiar na área de direito agora, e eu quero logo passar em Engenharia na USP e começar a trabalhar nessa área tbm.
Porém, vivemos em um bairro de subúrbio, é um condomínio residencial, temos uma casa bonita, apesar de não ser tão grande, só que é meio afastada do centro, não temos carro, parece que tudo é muito mais complicado para nós.
Já a família do meu namorado é de classe média alta paulistana. Ele estudou em um dos colégios mais caros da cidade, mora em um apartamento de 350m² em um dos bairros mais caros da cidade, 4 carros na garagem, empregada, sócios de clube (tbm um dos mais tradicionais de SP), etc. Os pais são ambos aposentados. Um é engenheiro aposentado, e a mãe é filha de dsembargador e recebe uma pensão MUITO ALTA.
Nunca desejei nada que é dele. Eu não sou tão pobre assim, apenas não sou rico, mas também não passo fome ou necessidade. Só que a única coisa que tem passado na minha cabeça agora é que tudo é muito injusto, que eu tô sem forças pra continuar, talvez pela morte da minha avó, talvez por outros motivos, e que eu não vou conseguir realizar meus sonhos materiais, como ser um grande engenheiro, ter um bom padrão de vida, etc.
Não sei de onde vem esses sentimentos. Eu tô cansado de me comparar ao meu namorado (eu o amo muito e ele é a pessoa mais simples do mundo, mesmo sendo rico), a gente se gosta de verdade, pensamos parecido, temos sonhos em comum, ele é muito carinhoso e etc. Mas infelizmente, às vezes dá uma revolta, devido ao fato da família dele ter tanta coisa, e a minha lutar incessantemente pra correr atrás das coisas. Um exemplo são nossas mães: a minha trabalha muito pra ganhar R$5mil, enquanto a dele nunca trabalhou e ganha uns R$30mil de pensão. É justo? Sei lá. Eu não quero o mal deles, só quero o bem da minha família.
Tõ com a autoestima tão baixa que me sinto um lixo. Sei que tenho potencial, mas tenho sensação de que não vou passar de novo na USP. Quero ser um grande engenheiro, ganhar muito dinheiro, trabalhar muito e ser realizado profissionalmente, financeiramente, amorosamente, etc. MAS ALGO ME PUXA PARA TRÁS!!!
Talvez me achem invejoso, mimado por não trabalhar ainda com 23 anos. Ok, eu entendo. Sou humano, erro e tenho defeitos. O que mais quero é entrar na faculdade dos meus sonhos, estagiar, trabalhar, e conquistar minhas coisas.
Obrigado.

