Eu confesso que descobri nesta semana, durante a minha primeira consulta urológica, por que os homens fogem como o diabo da cruz do exame de próstata. Tive, durante o exame, uma ereção monumental, a ponto de o pênis inclusive ficar gotejando, na ponta. A última vez que tinha ficado nesse estado quase febril foi ao folhear uma revista da Sandra Bréa, nos anos 70. Depois, o médico ficou ali, explicando-me sobre enzimas, hormônios, taxas disso e daquilo, etcetera e tal, enquanto meu pau não queria saber de abaixar de jeito nenhum. Faltava-me o ar. “Que vergonha! Que vergonha!”, era o que eu pensava. Eu, um contador de meia idade, cuja única extravagância na vida havia sido, sem que a Zuleika minha esposa visse, em uma noite qualquer de 1996, ter atacado uma lasca de queijo Palmira antes do jantar, estava ali, estupefato, com uma ereção monstruosa após o exame de próstata. Naquele dia nem vi Law & Order, cheguei em casa, tomei banho, pus o pijama de listras azuis, engoli uma canja, beijei a testa da Zuleika e fui me deitar…

