Queria falar coisas que estão e mim e não consigo ou não posso falar para alguém, mesmo que extremamente confiável.
Ano passado, 11 meses, para ser mais exato, conheci a garota que hoje é minha namorada, confidente. Minha mãe, que até então nunca gostou de nenhum relacionamento meu, logo amou ela. Ela passava os finais de semana inteiros na minha casa, fazíamos de tudo, era mágico. Sempre muito felizes. Encontrei a pessoa que me fazia feliz na dosagem exata, até muito mais do que eu precisava. Ela me deu tudo o que eu nunca tive em relacionamento algum. Além de linda, é de uma personalidade forte e marcante, um doce. Mas eu, ainda machucado e odioso do relacionamento anterior, mesmo tendo toda essa felicidade, continuava um pouco arisco, errei logo no nosso primeiro mês, logo nas primeiras semanas. Muitos meses após, ela descobriu, e começou ficar mais fechada, na dela. Ia na minha casa e ficava no canto dela, chateada. E quando precisava de mim, fui simplesmente um babaca, eu virava as costas e a chamava de louca. Até que ela foi mudando por razões de eu ter me portado dessa forma. Minha mãe vendo isso, e sem saber da real história, começou a desgostar dela, e somou isso ao enorme ciúmes que tem de mim. E transformou todo aquele carinho que ela tinha pela minha namorada em um ódio sem muita noção. Minha namorada parou de ir na minha casa, eu continuei indo na dela, normal. Até que minha mãe ficou fora de si, fazendo ameaças. Para a segurança da minha namorada, eu menti para a minha mãe que terminamos. Inventei uma oura namorada fictícia para que tirasse a atenção dela. Porém não contei isso para a minha namorada de verdade. Durante duas semanas, dois finais de semana, menti para minha mãe que ia para a casa dessa ”namorada”, mas na verdade eu ia para a casa da minha real namorada. E minha mãe, ciumenta como é, me ligava direto sem que eu atendesse, 3 horas sem falar comigo e logo queria contatar a polícia. No último domingo isso explodiu e minha namorada, não sei como, descobriu que eu havia inventado uma namorada fictícia. Logo quis terminar novamente, não por ciúmes de alguém que não existe, mas por eu ter mentido mais uma vez. Já no outro dia, meio que arrependida, deixou a entender que estamos juntos ainda, e, de fato, ainda estamos. Hoje sou um novo homem, totalmente reformulado, estou adorando ser o namorado que estou sendo. Sou muito romântico, atencioso de verdade, presto atenção no que ela fala, dou flores, roubo rosas da vizinhança pra dar para ela, invento 1001 desculpas pra poder ver ela todos os dias. E vejo no rosto, nos olhos dela, que ela gosta. Embora ainda muito machucada pelo que fiz no passado. Sinto que ela me ama. Tudo o que faço não é nada forçado, é espontâneo, eu realmente gosto de fazê-la sorrir, de fazer de tudo que posso por ela. Acredito que, mesmo desconfiada, se sinta amada, e eu me sinto completo por tê-la. Ela, em 11 meses me fez muito feliz, e agora, em meio a essa instabilidade que se passa na minha vida, me faz muito feliz, tira todo o peso das minhas costas. Ela é o que mais me faz feliz na vida. Levando em consideração que há 2 anos perdi a melhor pessoa que já tive, meu pai. Meu relacionamento com a minha mãe, foi, durante os meus 20 anos, muito conturbada, caótica, sempre, toda vida, foi difícil. Ou seja, em casa tenho alguém, que apesar de minha mãe, não me faz bem. Tanto pelo fato de quando meu pai faleceu, me deixou uma pensão muito boa. Mas minha mão gasta todo esse dinheiro, compra desenfreadamente, pega inclusive o dinheiro do meu salário. E nos últimos meses, luta comigo para me tirar, se não toda, boa parte desta pensão. Mas é com esse dinheiro que eu estudo, pago meu carro e o aluguel, que são as únicas contas que eu tenho. Mas mesmo assim ela dá conta de gastar. Tanto que estou com uma mensalidade da faculdade atrasada, e não sei como vai ser.
Na verdade, eu só queria a paz que eu tinha anteriormente, e pensando a fio, eu acabei desencadeando tudo isso, apenas por ter sido babaca, um tanto negligente à minha relação.
Mas agora estou mudado, as pessoas não vêem muito isso, apesar de ser verdade. Eu teria chances de reconstruir tudo como era antes, porém melhorado. Mas minha namorada, devido às ameaças passadas da minha mãe, insiste em não querer falar com ela e termos tudo aquilo de novo. Na verdade, eu a entendo. Minha mãe não quer ver ela, nem ela ver minha mãe. Minha mãe não aceita que eu saia de casa, pois assim perderia o dinheiro ”dela”.
Hoje vou tentar um diálogo pra tentar resolver e falar que sim, eu quero ficar com a minha namorada de verdade. Terei que me impor um pouco. Tenho 20 anos, estudo, trabalho, me mato durante a semana nessa rotina. Sou responsável. Muito elogiado, tanto por amigos e familiares. Minha sogra me adora.
Frente à minha atual mudança, atualmente eu seria plenamente feliz. Mas, por empecilhos da minha mãe, sou impedido a fazer algo tão simples sem prejudicar ninguém, muito pelo contrário.
Sempre digo que a vida leva as pessoas erradas. Meu pai era a melhor pessoa que eu conheci (fui adotado por ele, quando tinha 3 dias). Não falo isso por ser meu pai, ter me dado sempre tudo o que eu quis, na medida do possível. Mas, pela pessoa que ele era. Um profissional sem igual. Era mestre no que fazia. Dedicado. Um pai dedicado. Em 18 anos com ele, nunca, jamais tivemos uma briga, alguma se quer. Era uma pessoa com problemas de saúde, hipertenso, problemas renais. Recebeu transplante de rim. Praticava exercícios, não fumava, não bebia, era alguém que, apesar dos problemas de saúde, era um exemplo de vida saudável. Se cuidava ao máximo. Ajudava uma organização de crianças carentes, as quais ia pessoalmente levar materiais escolares e presentes de páscoa e natal para crianças as quais os pais não tinham a mínima condição. Em algumas oportunidades, fui com ele nesses locais, auxiliá-lo, era mágico, eu sentia o prazer que ele tinha em fazer isso. E por fim, acaba por ter um infarto, logo no dia após a minha formatura do ensino médio. Acho que nunca o vi tão feliz em tanto tempo. Logo, vem a parte da minha mãe, que junto dele, me adotou. Durante anos e anos, tiveram um relacionamento conturbado. Ele dava tudo o que ela queria. Assim como pai, era um marido dedicado. Porém nunca foi recíproco. Minha mãe teve sempre a sede pelo dinheiro dele, profissional muito bem remunerado. Ele sempre atendeu seus desejos e regalias. Ai então eu descobri que ela estava em um relacionamento paralelo, e não sabia o que fazer, até que ela pediu a separação. Porém, não foi a primeira traição em 25 anos de casados. Resumindo, a saúde dela foi sempre precária. Fumante desde os 14 anos, diabética, abusou algumas vezes do álcool, ainda bebe, mas moderadamente. Mas cigarro, ah, isso ela come. É como se não tirasse um cigarro da carteira, apenas acendesse a mesma e os fumasse todos juntos. Fuma tão compulsivamente que não sei como o pulmão aguenta o simples movimento de piscar. Tem uma tosse terrível, mas não admite que é o cigarro. Por fim, não desejaria que minha mãe morresse, mesmo com todos os problemas que tem me causado e nos causou. Mas, meu pai, do jeito que era, teve um fim precoce.
Hoje me resta a saudade infinita do meu pai, a pena da minha mãe, e o desejo de estar com a minha namorada, parceira, amiga fiel.
Percebam que em momento algum falei de Deus, sou ateu desde pequeno.

