Eu confesso que sou enfermeira e logo que me formei em um dos meus plantões noturnos há muitas décadas atrás, estava c/ duas pacientes em trabalho de parto. Uma era jovem, recém casada e humilde, era o primeiro filho, a outra era uma senhora de mais de 40 anos c/ histórico de muitas tentativas de engravidar s/ sucesso, estava tentando seu primeiro filho também apesar da idade. Ambas deram a luz quase que ao mesmo tempo, mas devido as complicações o filho da senhora veio a falecer, e quase ela faleceu junto pois teve uma grave hemorragia e acabou perdendo o útero. Foi quando o marido dela chamou o médico e eu na sala e fez o pedido: Que nós trocássemos os bebês, pois a esposa dele não poderia engravidar nunca mais o que sempre foi uma dificuldade para eles e a jovem moça recém casada poderia ter outros filhos, a esposa tinha problemas para engravidar e nunca tiveram o tão sonhado filho. E aquela era a única e última chance para eles terem o filho. Foi quando o médico topou a proposta e creio que ganhou algo a mais em troca e trocou os bebês, entregou o bebê morto a outra mãe. Eu fui apenas uma testemunha, convivo com esse segredo há anos a fio e todo ano no dia das mães fico me pensando: Como deve doer o coração dessa mãe que acha que perdeu seu filho e não sabe que ele ainda está vivo.

