Eu confesso que eu não me entendo. Quando estou apaixonada, sofro demais. Quando não estou, sinto falta de me apaixonar. Deve ser carência, né? Mas é uma coisa tão chata. Do jeito que minha vida está um cocô, eu só vou poder me permitir ter um relacionamento daqui uns 3 anos no mínimo, se eu ainda estiver viva. Mas é tão difícil ficar sem ninguém. Eu já estou 4 anos sem ninguém, nem beijo na boca. Não é que eu não tenha me apaixonado, mas nada deu certo. Um deles era comprometido, o outro só queria amizade colorida (e eu tenho ciúme e levo muito a sério), um feinho (porém dotado de um QI acima da média) me tratou com ignorância e ainda dizia que se fosse me visitar, ele não iria embora, pretendia morar comigo (mesmo eu avisando que moro com a minha família, folgado da internet, querendo moradia e comida grátis e ainda me pegar talvez), aí teve um que não queria nada comigo (ele era meu professor de um curso que eu fiz, mas mesmo assim nossas idades não eram muito diferentes e ele parecia ser solteiro e não gay). Aí eu vi que eu permaneci tanto tempo naquele curso justamente por causa dele, pois eu nem gostava tanto assim do assunto. Não que eu me ache linda, mas um outro cara chegou em mim, depois de uns 4 meses do início do curso, quando eu já tava achando que nem se chovesse canivete, o cara que eu estava a fim iria chegar em mim. Aí eu aceitei as investidas desse cara, ele era bonito e também tinha uma idade compatível, só que ele deu pra trás uma hora lá e eu não perdoei, nunca mais quis olhar pra cara dele. Enfim, só tenho azar. Eu não me achava boa o suficiente para esse cara (o que era meu professor), eu nem trabalho, né? E eu sei que ele talvez não quisesse misturar as coisas, pq ele também não era montado na grana, então todas as mensalidades ali talvez importassem no final pra somar no salário dele, talvez não quisesse me perder como aluna. Eu só sei que no último dia que eu fui no tal curso, antes de largar de vez, eu nem consegui me conter direito. Eu quase chorei e fiquei encarando ele. Talvez ele ficou com pena e por isso tenha ido me dar um pouco de atenção, fazendo aquelas perguntas bobas do tipo: "Será que chove?" Isso me alegrou momentaneamente, pq eu tava me sentindo um lixo. Eu sentia que ele até tratava melhor os outros frequentadores do curso, em relação a mim. Acho até que o negocio piorou depois do incidente do idiotinha que chegou em mim e pegou meu telefone, fiquei até me sentindo meio mal, mas ele achou que eu ia ficar esperando ele tomar alguma iniciativa? E eu falava com ele sorrindo, era legal com ele, às vezes, por conta da minha timidez, era difícil falar com ele olhando pra cara dele e se ele me tocasse, eu sentia um arrepio, eu quase morria, mas tentava não transparecer. Eu até dei um agradinho pra ele, em uma data comemorativa e fui a única (pelo menos naquele horário) a dar alguma coisa. Eu nem tinha esperança de nada. Ao mesmo tempo que eu queria que ele soubesse, eu não queria, pq eu achava que eu iria me machucar, pq se ele quisesse mesmo algo, talvez ele tivesse me tratado de outra maneira, não como ele faz com todo mundo, sendo professor e um cara legal. E eu já peguei ele me olhando, mas talvez seja pq eu ficava secando ele às vezes, não que ele estivesse a fim. Uma vez, ele falou algo de uma moreninha, baixinha, nem entendi direito, pq peguei pela metade, só sei q eu fiquei muito puta com a possibilidade de ser alguma namorada dele, mesmo ele não usando aliança. Mas ele podia estar falando de outra pessoa, só que como eu sou muito pessimista, já imaginei o pior. Eu sofri tanto. Eu fiquei quase um mês, pensando se daria algo pra ele de dia dos namorados, anonimamente é claro. Foi aí que surgiu aquele fdp bonitinho fazendo de conta que me queria, com atitude e depois desapareceu, reapareceu fingindo que nada aconteceu. E isso tudo faz um ano. Eu vivo de passado. Eu ando tão doente, pouca gente sabe, não gosto que tenham pena de mim ou fiquem me incomodando, perguntando. Minha família não respeita esse tipo de coisa, aí eu tenho que manter segredo. Eles não entendem que eu só quero que me deixem em paz. Mesmo estando doente e tendo um monte de coisas pra cumprir na minha vida antes de arrumar um namorado (será o segundo de toda a minha vida), eu sinto falta de ter alguém. Eu tive um amigo que gostou de mim. Ele era meu tipo físico até, mas não teve jeito de eu sentir uma química por ele, isso foi há 2 anos atrás. Ele começou a namorar ano passado. Eu senti um pouquinho de inveja, mas ele merecia ter alguém. Aliás, nem é mais meu amigo, pq ele descobriu que eu gostava de outro e eu acabei pisando na bola com ele, por dar mais atenção ao outro. E no fim, era aquele lá que eu disse, no início, que só queria me comer, que me conquistou com palavras doces, um jeito másculo, mas que me via como só mais uma (apesar de ser um grande mentiroso). E digo mais, 3 caras desses que eu citei, eu conheci pela internet. Eu sou muito caseira e ainda fiquei um bom tempo isolada, por causa dessa doença. Mas eu acho que não conseguiria gostar desse meu antigo amigo, mesmo ele sendo uma pessoa cheia de atrativos. Algo me incomodava um pouco nele, ele me elogiava demais, eu nem merecia tudo que ele dizia, ele via coisas em mim que nem existem ou fingia, pq tem uns q sei lá elogiam pra agradar. Talvez até fossem elogios sinceros, mas eu ficava constrangida, eu sentia um peso tão grande, por causa de toda essa expectativa que eu sabia que não iria corresponder. Coisas tão bobinhas que eu fizesse eram maravilhosas pra ele, ele dizia que eu podia ter o homem que eu quisesse, como se eu fosse alguma maravilha da natureza (mas eu tenho estria, celulite e outraa coisas), ele dizia que eu era a pessoa mais inteligente que ele conheceu (eu não me acho burra, mas já cruzei com várias pessoas com um intelecto superior), ele me achava uma artista em um hobby lá meu (algo que eu desenvolvi na adolescência e depois larguei na vida adulta), como se eu fosse boa demais pra ser verdade (sendo que eu não sou poliglota, não sou atlética, nunca tive uma linha minha publicada em algum jornal ou revista de grande circulação, não sei cozinhar, não sei dançar, não sou tão grande coisa), era pressão demais. Eu acho que ele me sufocava.

