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Uma História da Caatinga

Eu confesso que no milênio passado, quando eu trabalhava pelo interior do Nordeste, num dia em que o carro da empresa não foi me buscar e eu tive que inspecionar as obras em vários locais usando um lotação de passageiros, presenciei um fato que parece estava ligado a sua pergunta. Era um dia de sol de rachar e no Nordeste há muito que as pessoas estão acostumadas com a falta de água. O lotação abafado entrava em tudo o que era povoado e pegava gente com toda espécie de bagagem. Era um daqueles ônibus que sobraram do tempo da segunda guerra; sacolejava demais nas estradas de barro e só tinha a porta da frente.Eu tive sorte de conseguir um lugar sentado na metade do ônibus. Logo o veículo encheu e havia pessoas de pé. Todo mundo suado e o ar impregnado de bafo de cachaça, perfume barato, chulé,peido, fumo de corda, fumaça, coisas da feira, frutas da estação e cocô das galinhas que muitos transportavam nos cestos colocados nos porta malas por cima das poltronas. Numa das paradas em plena estrada subiu uma jovem com cara de boboca e que vinha abotoada com uma cesta tampada. De repente um mau cheiro até então estranho para mim, superou a inhaca reinante e impregnou o ambiente. Eu percebi que o fartum vinha daquele cesto tampado. A jovem ajeitou-se perto de mim com o cesto aos seus pés. Olhei em volta: o novo cheiro não agradou ninguém e o cesto remexia de vez em quando. Depois de meia hora o lotação parou em frente a um boteco na beira da estrada debaixo do sol de quase meio dia. O motorista levantou, virou-se para o interior do veículo e falou alto: "a mocinha que está com a onça fedendo faça o favor de descer!" Tudo o que era mulher desceu do ônibus.
Tenho ainda a 101743 Tecnologia Moderna.

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Escrito por Anônimo

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