“Paixão que intriga, carinho que abriga. Cúmplice, amiga. Uma loira em minha vida”
Um parênteses que se abriu despretensioso, meio sem querer, um furacão que eu pensei que fosse enfraquecer, mas continuou assim soprando forte, me arrastou para o alto, me jogou de lá pra cá, me desorientou o norte. Fez do som da sua risada para mim um hino, me fez de novo menino.
E o parênteses não fecha. São linhas e mais linhas de emoções, montanha russa, sobe e desce e faz a curva de repente. Peço para descer, ela diz que vai parar, e quando vemos estamos ali juntos de novo, sem pensar. E o parênteses não fecha, são parágrafos e parágrafos de discussões, de perguntas que não se explicam, de teorias que não se aplicam, de por ques que não se respondem, a única coisa que faz sentido são aquelas horas juntas, bem juntinhos.
O nome dela já foi ……Monalisa, foi um desses apelidos secretos um dia usados para disfarçar nossa situação. Monalisa do sorriso doce, do olhar penetrante, a cor que não posso revelar mas é … lindo. Monalisa do sotaque macio, da fala macia, do amor pelo próximo revelado em cada palavra, nas atitudes para com as crianças ao seu redor, na solidariedade para com as amigas, mas só aqueleas que não se deixam levar pela inveja e a enxergam como companheira. Monalisa do signo poderoso mas que aqui permanece misterioso, signo que é forte, que argumenta, que se enciuma dos seus, que se posiciona. Que mesmo se esfria, ainda me esquenta.
O nome dela já foi…..Fernanda, mulher elegante, bem arrumada, de colares nos pulsos das mãos que saem da janela do carro da frente. Fernanda que usa aquela calça que eu gosto, que vem vestida com aquela camisa que presenteei……ou Fernanda, venha sem nada por baixo e vamos viver aquela loucura adolescente no carro. Quem sabe voce entra na pastelaria, assim bem provocante, sabendo que estou por perto. Quem sabe voce tome café na mesma padaria que eu, nossos olhares se encontrando sem ninguém ver, nossos corpos se tocando, calça preta justa, sem ninguém perceber.
Ela mora em……não posso revelar, mas já passei na frente da casa dela, já passeei na sua cidade, já a visitei no seu trabalho, invisível, anônimo, ninguem sabe, ninguém imagina. Será que a loira sabe o quanto isso me faz sentir vivo? Será que ela sabe o quanto isso me devolveu anos de vida? Eu falo sempre, mas ela desconfia. Ela desconfia porque ela é assim, e eu não quero consertar nada nela, apesar de ela já ter consertado um monte em mim, mas enfim…é ali que ela mora. Veio da mesma terra que eu, me visitou em sonhos infinitos, compartilhou sentimentos dos mais bonitos. Eu já a vi sendo mãe, já a vi sendo esposa, já a vi trabalhando, atravessando a rua, comprando….sem ninguém saber quem eu sou, apenas ela sabe. Ela sabe tudo de mim.
Loira, onde isso vai parar eu não sei. Nunca soubemos, aposto que estes quase oito anos também foram uma surpresa para voce. Voce também não sabia onde ia chegar. Eu já desisti de tentar saber. Eu já desisti de tentar definir, eu sou feliz em simplesmente sentir. E mesmo que a brincadeira continue assim, anônima, secreta, até mesmo aqui neste texto que eu fiz sem endereço, voce sabe que o destino é voce.

