Hoje, eu acordei no meio da madrugada como de costume, sempre tendo tempo demais comigo mesmo eu fico pensando em merdas desnecessários. Mas hoje eu pensei em algo que não deveria e isso só piorou o clima do meu começo de dia. Cinco anos atras minha vida descarrilhou por causa de um relacionamento idiota que pra falar a verdade eu acho que nunca superei. Eu era aquele cara feliz, o amigo positivo e divertido que todo mundo tem, raramente me sentia triste ou mal, e ai ele surgiu. Gentil, amável, carinhoso, atencioso, ele me fez descobrir o paraíso pelo qual eu nunca havia me interessado: o amor.
Um ano e meio se passa e as coisas não mostravam sinal de que mudariam pra pior, somente pra melhor, foi quando tudo aconteceu, ele terminou por mensagem de texto, cortou todo contato e simplesmente me largou de coração espedaçado. Quando finalmente descobri a verdade isso nada fez para mudar o fato, ele estava sendo obrigado a casar devido a ter engravidado uma mulher, mas o estrago estava feito, por meses eu não consegui sair da cama, quase morri pela minha própria mão duas vezes antes de encontrar coragem pra viver, ai o próximo vagão da minha vida descarrilhou. Eu mal havia começado a me sentir melhor depois de vários meses quase e estado vegetativo quando outra pessoa apareceu, me ofereceu conforto e um porto seguro, pela segunda vez deixei meu coração acreditar que podia amar só pra ter ele esmagado novamente, dessa vez em tempo recorde de três meses. Mas não voltei ao estado vegetativo de não sair do quarto ou sequer ver a luz do sol, mas viver já não tinha o mesmo sabor, me endureci não querendo sentir mais nada, foi quando o terceiro vagão veio, amigável e divertido, ele fez avanços sutis e me amoleceu o bastante pra me permitir gostar pelo menos de ter sua companhia, acabei me apegando a ele, mas ele acabou se desapegando de mim e me jogando numa lixeira (bem mais literalmente do que seria adequado).
Hoje, cinco anos desde que a vida começou a descarrilhar, eu não vivo, eu não saboreio viver, eu simplesmente existo porque eu sei que se eu deixar de existir, as pessoas próximas de mim vão sofrer, e o desejo de não causar sofrimento é mais forte que a vontade de acabar com ele.
Cinco anos depois do começo do descarrilhamento, eu meramente existo, mesmo querendo deixar de existir, e ainda sim eu não consigo evitar lembrar os nomes, os rostos e todos os momentos felizes que cada um dos malditos que me causaram isso me proporcionaram.

