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🇷🇺 PUTIN CONSTRUIU UM PAÍS QUE JÁ NÃO SE PODE DAR AO LUXO DA PAZ

Uma das razões mais fortes pelas quais Vladimir Putin pode ser incapaz — ou não estar disposto — a pôr fim à guerra pode ser ouvida nas suas próprias palavras.

Falando sobre os russos envolvidos na chamada “operação militar especial”, Putin admitiu que muitos já estão preocupados com o que virá depois:

“Quando a operação militar especial terminar, o que vamos fazer?

Eles envolveram-se de tal forma nisto, sentem que estão a participar numa grande causa para a Rússia.

A ansiedade deles é esta: continuaremos a ser tão necessários como somos agora?”

Esta é uma das declarações mais reveladoras que Putin fez desde o início da invasão

Ele já não está apenas a falar sobre vencer uma guerra.

Está a falar sobre um país que se tornou dependente dela.

Após mais de quatro anos de combates, a Rússia pagou um preço enorme. Estimativas independentes colocam as perdas militares russas em bem mais de um milhão e meio de mortos e feridos.

Cada uma dessas baixas representa uma família para sempre transformada, um trabalhador retirado da economia e mais uma cicatriz na sociedade russa.

A pergunta a que Putin não consegue responder é simples:

Para que serviu tudo isto?

O que justificou centenas de milhares de mortes?

O que justificou o isolamento económico?

O que justificou a destruição de uma parte tão grande do futuro da Rússia?

Acabar com a guerra não faria desaparecer estas perguntas. Torná-las-ia impossíveis de evitar.

As consequências iriam muito além do campo de batalha.

Centenas de milhares de veteranos regressariam a casa com ferimentos físicos, traumas psicológicos e expectativas que o Estado dificilmente conseguirá satisfazer. A Rússia enfrentaria custos crescentes com cuidados de saúde, pensões e reabilitação, ao mesmo tempo que teria de lidar com riscos acrescidos de violência doméstica, alcoolismo, criminalidade, instabilidade social e desemprego entre antigos soldados — como aconteceu depois de muitas grandes guerras.

Ao mesmo tempo, enormes setores da economia russa tornaram-se dependentes da despesa militar.

As fábricas produzem agora armas em vez de bens civis.

Regiões inteiras dependem de contratos de defesa.

Uma nova elite política e empresarial enriqueceu com a produção militar, os contratos públicos e a logística da guerra.

Para muitas destas pessoas, a paz não é um bom negócio.

O setor energético russo também enfrenta uma pressão crescente. As exportações de petróleo e combustíveis — o motor financeiro do Estado russo — têm sido cada vez mais condicionadas por sanções, limites de preços, ataques às infraestruturas de refinação e custos logísticos crescentes. Manter as despesas de guerra enquanto as receitas energéticas estão sob pressão torna-se progressivamente mais difícil.

Na prática, o Kremlin transformou a Rússia numa economia de guerra.

O país já não está simplesmente a travar uma guerra.

Está cada vez mais a viver da guerra.

E isso cria um paradoxo perigoso.

Quanto mais tempo a guerra continuar, mais difícil se torna acabar com ela.

Terminá-la sem uma vitória convincente exporia o enorme preço humano, económico e político que os russos já pagaram. E obrigaria a enfrentar uma questão profundamente incómoda: será que todos esses sacrifícios serviram para alguma coisa?

Esta é a armadilha que Putin construiu para si próprio.

A guerra tornou-se a cola que mantém unida grande parte do atual sistema político, da economia e até da identidade que o Kremlin promove há anos.

Um regime construído sobre uma mobilização permanente tem enormes dificuldades em regressar à normalidade.

Isso não significa necessariamente que o conflito tenha de se expandir, mas significa que o Kremlin tem poderosos incentivos para manter a sociedade russa concentrada no confronto com inimigos externos, em vez de enfrentar os seus problemas internos.

Putin não se limitou a começar uma guerra.

Construiu uma Rússia cujo sistema político, economia e estrutura social se tornaram cada vez mais dependentes da continuação dessa guerra.

E esse pode ser um dos maiores obstáculos à paz.

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Escrito por Super Curioso

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