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acorrentado

tá difícil, quero sair
acho que não vou sair nunca
talvez seja por causa disso que eu me afogo nos meus vícios
meus vícios fúteis, que só me fazem perder tempo
mas de alguma forma me anestesiam o pensamento
se eu levar a vida a sério, eu me desespero
eu tenho que fazer tanta coisa… sem meios pra fazer 1%
eu não consigo ser igual a quem eu quero ser
o que me resta é só admirar essas pessoas
se eu medir a distância entre quem eu quero ser e quem eu sou, acho que dá umas cinquenta voltas ao mundo na quilomentragem
e, numa metáfora, eu tenho que percorrer essa distância toda de joelhos
sendo otimista, pelo menos sonhar é livre, não custa nada
o que é naturalmente fácil pra outras pessoas, normalmente é difícil pra mim
apesar de haver essa diferença natural entre as pessoas, às vezes a balança é muito injusta
e as pessoas não dão valor quando vem fácil pra elas
o que pra mim nunca virá, e é algo tão simples
o que eu queria não custa nada
é de graça, mas ao mesmo tempo não tem preço
não dá pra calcular o valor de ser feliz com alguém que você gosta
alguém pra abraçar
a sensação que eu tenho é a de uma camisa de força
como se eu estivesse enjaulado, vendo o que eu quero à minha frente e só poder admirar
nunca poder viver
eu me assusto com a banalidade com que as pessoas tratam o amor
quando eu penso que muita gente deve me olhar como um idiota por falar essas coisas, por ser sentimentalista, emocionalmente exagerado, eu entro em pânico
juro que entro, fico desesperado, porque é nessa hora que eu perco de vez a esperança de um dia achar alguém igual a mim
não sei se as pessoas desdenham o amor porque não querem transparecer o que sentem de verdade (quando sentem)
acho que a postura de não se importar é tão estúpida
isso me deixa mal, me faz ainda pior
então, o amor pra mim é literalmente um oásis no deserto
porque é isso o que as pessoas são: um deserto infértil
não dá pra esperar uma coisa especial de quem é comum, indiferente, acostumado ao mais do mesmo
eu nunca namorei, não fazem ideia do quanto eu gostaria
quem é acostumado trata isso com banalidade
entra no modo "tanto faz quem tá na sua vida", contanto que não te desagrade
porque no fim, o que conta é o ego de cada um
esse amor que é tão sonhado não existe
é ficção
é produto de consumismo
talvez essa amarra, essas algemas, essa camisa de força e essa jaula que me prendem estejam me protegendo ao invés de me reprimirem
que se foda
só vou continuar me isolando
vou continuar no meu esforço épico pra não revelar minha infelicidade por ser um cara sozinho
por sempre ter sido assim
porque o meu sucesso pessoal é ter êxito em não ser lembrado, em ficar de fora das rodas de amigos, das mesas de bar que se socializam, das festas
e evitar o constrangimento de não ter resposta quando me perguntam "você tem namorada?"
e ter que responder: "eu nunca namorei, porque tenho medo e não me gosto"

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Escrito por Anônimo

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