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acorrentado…

tá difícil, quero sair

acho que não vou sair nunca

talvez seja por causa disso que eu me afogo nos meus vícios

meus vícios fúteis, que só me fazem perder tempo

mas de alguma forma me anestesiam o pensamento

se eu levar a vida a sério, eu me desespero

eu tenho que fazer tanta coisa… sem meios pra fazer 1%

eu não consigo ser igual a quem eu quero ser

o que me resta é só admirar essas pessoas

se eu medir a distância entre quem eu quero ser e quem eu sou, acho que dá umas cinquenta voltas ao mundo na quilomentragem

e, numa metáfora, eu tenho que percorrer essa distância toda de joelhos

sendo otimista, pelo menos sonhar é livre, não custa nada

o que é naturalmente fácil pra outras pessoas, normalmente é difícil pra mim

apesar de haver essa diferença natural entre as pessoas, às vezes a balança é muito injusta

e as pessoas não dão valor quando vem fácil pra elas

o que pra mim nunca virá, e é algo tão simples, o que eu queria não custa nada, é de graça, mas ao mesmo tempo não tem preço

não dá pra calcular o valor de ser feliz com alguém que você gosta

alguém pra abraçar

a sensação que eu tenho é a de uma camisa de força

como se eu estivesse enjaulado, vendo o que eu quero à minha frente e só poder admirar

nunca poder viver, sentir…

eu me assusto com a banalidade com que as pessoas tratam o amor

quando eu penso que muita gente deve me olhar como um idiota por falar essas coisas, por ser sentimentalista, emocionalmente exagerado, eu entro em pânico

fico desesperado, porque é nessa hora que eu perco de vez a esperança de um dia achar alguém igual a mim

não sei se as pessoas desdenham o amor porque não querem transparecer o que sentem de verdade (quando sentem)

acho que a postura de não se importar é tão estúpida

isso me deixa mal, me faz ainda pior

então, o amor pra mim é literalmente um oásis no deserto, porque é isso o que as pessoas são: um deserto infértil

não dá pra esperar uma coisa especial de quem é comum, indiferente, acostumado ao mais do mesmo

eu nunca namorei, não fazem ideia de como eu gostaria, do quanto eu quero

quem é acostumado trata isso com banalidade

entra no modo "tanto faz quem tá na sua vida", contanto que não te desagrade

porque no fim, o que conta é o ego de cada um

esse amor que é tão sonhado não existe

é ficção

é produto de consumismo

talvez essa amarra, essas algemas, essa camisa de força e essa jaula que me prendem estejam me protegendo ao invés de me reprimirem

que se foda

só vou continuar me isolando

vou continuar no meu esforço épico pra não revelar minha infelicidade por ser um cara sozinho

por sempre ter sido assim

porque o meu sucesso pessoal é ter êxito em não ser lembrado, em ficar de fora das rodas de amigos, das mesas de bar que se socializam, das festas
e evitar o constrangimento de não ter resposta quando me perguntam "você tem namorada?"

e ter que responder: "eu nunca namorei, porque tenho medo e me odeio"

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Escrito por Anônimo

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