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Ameacei matar e estuprar pessoas

AVISO: Esta confissão contém algumas coisas pesadas, por isso está na sessão restrita, mas o foco dela não é nenhuma interação sexual, então não espere algo disso.

O caso que vou confessar aconteceu principalmente na internet e é um tanto complexo, portanto pode ser meio complicado de entender para algumas pessoas, especialmente pessoas mais velhas ou que não tenham muito costume de usar a internet. Os nomes que usarei aqui são fictícios.

Num breve resumo, o que aconteceu foi o seguinte: eu, um rapaz com certos problemas mentais e dificuldade de sociabilidade, cheguei a ameaçar matar e estuprar certas pessoas pela internet há alguns anos. Me arrependo disso até hoje, e muitas vezes eu não tenho temperança e não penso nas coisas que eu digo e faço. No texto abaixo, eu explico em detalhs como isso aconteceu. Tem muito contexto por trás, então ele demora pra chegar no ponto. Mas é importante que tudo seja lido para que meu caso seja entedido por completo.

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Sempre fui um rapaz tímido e um pouco ansioso, tenho TOC e meus psiquiatras já disseram que há uma boa chance de eu ter síndrome de Asperger (autismo leve), fora que já demonstrei alguns sintomas de esquizofrenia também. Vivo e sempre vivi num bairro relativamente bom, mas numa casa velha caindo aos pedaços, com pessoas problemáticas (dois alcoólatras e uma pessoa com esquizofrenia) e meus pais são separados. Apesar disso, nunca usei drogas nem bebi, e sempre me alimentei bem. Pelo que me lembro, desde que meu avô morreu há dez anos, comecei a demonstrar um comportamento anormal e por causa de bullying e outros problemas sociais eu vivia trocando de escola: não ficava mais que um ano em uma escola, às vezes nem isso. Já criei vínculos com várias pesssoas, mas são poucos os que eu considero realmente amigos de verdade. Mesmo destes tenho me afastado recentemente e sinto que a amizade com eles é de alguma forma incompleta. Também nunca tive nenhum relacionamento amoroso.

Sou um cara tímido; só me solto de verdade quando passo longos períodos com as mesmas pessoas (como numa sala de aula). Sempre gostei de estudar, mas também sempre fui muito fechado ao meu mundo, o que me faz preferir o estudo solitário ao estudo em grupo. Desde a morte do meu avô, eu estudei em sete escolas diferentes até largar tudo no meio do Ensino Médio. Apenas nas duas últimas escolas em que estudei é que eu fui respeitado, não sofri bullying e fiz amizades, mesmo sendo aos trancos e barrancos. Abandonei a escola não por questões sociais, mas por questões ideológicas mesmo (em suma, eu vejo a escola como um sistema cheio de felhas e uma forma de doutrinação e me sinto muito mais confortável estudando sozinho).

Durante a minha vida, já passei por várias crises psicológicas fortíssimas, incluindo crises de natureza religiosa e política, e problemas amorosos. A origem do meu caso começa com o problema amoroso que vou contar agora. Na penúltima escola em que estudei antes de largar tudo, estudei durante dois anos. No segundo ano, já havia feito amigos lá, que com o tempo se tornaram amigos próximos, meus melhores amigos; eu podia dizer de novo que tinha uma vida social. Sempre saíamos e nos falávamos pela internet também; foi um tempo bom, nos divertíamos; era melhor do que hoje. Mas foi também naquele ano que aconteceu o que direta e indiretamente me causa mal até hoje: eu me apaixonei por uma garota de outra classe, a Fernanda. Era uma menina linda, tinha olhos castanhos e cabelos castanhos ondulados. Porém, ela era rebelde. Gostava de música punk, se vestia e se maquiava num estilo meio dark, tinha piercings. Sempre tive uma queda por garotas nesse estilo, mas por ela eu sentia algo realmente intenso. Assim como eu, ela sempre chegava atrasada e tinha que esperar no pátio para ir para a segunda aula; só que minha timidez aguda não me permitiu ir falar com ela nessas ocasiões nem uma única vez. Mas era correspondido! Ela demonstrava vários sinais de que gostava de mim. Por exemplo, a porta da minha sala ficava aberta e eu sentava bem na frente, o que permitia ver ela passando; quando ela passava, ela olhava e sorria pra mim, e às vezes fazia sinais com a mão. Uma vez nos encontramos no corredor; ela sorriu e olhou intensamente pra mim por vários instantes. (Os especialistas não dizem que a maior parte da comunicação humana não é verbal?) Uma vez até chegamos a fazer prova de reposição na mesma sala, juntos e sozinhos, sem nenhum professor supervisionando, mas não dissemos uma única palavra ao outro (nas demais ocasiões ela era séria). A única vez que ela falou comigo foi quando uma professora pediu pra ela me chamar; ela veio bem sorridente (até com vergonha) dizer: a professora Fulana te chamou. Ela devia ser tímida igual eu.

Num certo dia, resolvi iniciar uma conversa com ela pelo Facebook, como não tinha coragem de fazer isso na vida real. Na primeira vez, ela conversou de boas comigo, então resolvi chamar outros dias também. A certo ponto, ela simplesmente ignorava minhas mensagens ou demorava dias pra responder. Provavelmente, ela não gostou de eu não falar com ela na vida real. Eu continuei nesse sofrimento por bastante tempo. Depois de um bom tempo, uma menina da sala dela veio me dizer: a Fernanda quer falar com você amanhã depois da aula. Mas no dia seguinte, eu estava com um problema de estômago e precisava ir pra casa, e não encontrei ela em lugar nenhum também, então nada aconteceu. Desde o começo, sempre stalkeava o perfil dela no Facebook. Foi assim que descobri de que tipo de música ela gostava, salvei algumas fotos e descobri o nome de algumas amigas dela. Das duas melhores amigas dela, uma estudava na nossa escola e a outra não. Lá pra setembro, essa amiga que não era da escola, a Jéssica, veio falar comigo pelo Facebook. Ela se apresentou como uma garota a lésbica e punk. Fui conversando com ela dias e dias depois até uma hora falar que eu conhecia a Fernanda e gostava dela. Parece que a Jéssica tinha me adicionado pra isso: descobrir o que eu pensava da Fernanda, mas muita coisa ainda estava incerta. Ela chegou a sugerir pra nós três nos encontrarmos juntos, mas acabou não dando certo, provavelmente porque nas palavras da Jéssica, "a Fernanda e você ficariam sem graças e não faria sentido". Eu continuei frequentando a escola e vendo a Fernanda, mas nunca fui falar com ela. Um tempo depois, a Fernanda apagou o perfil dela no Facebook. Mais umas semanas pra frente, a Jéssica me disse: "adivinha quem está aqui? A Fernanda! E ela quer falar com você". A Fernanda queria conversar comigo pelo perfil da Jéssica. Eu estava muito nervoso. O que ela disse foi que ela não sentia nada por mim e que era melhor eu esquecer dela. Depois ela foi embora. Depois disso, continuei conversando com a Jéssica e cheguei a dizer que me mataria pelo que aconteceu. Ela chegou a dizer que a Fernanda gostava de outro cara (embora hoje eu ache isso duvidoso e nunca ouvi falar de nenhum relacionamento que ela teve; ela mesma diz ser contra relacionamentos). Eu fiquei severamente ansioso e depressivo. No dia seguinte, a Fernanda apareceu de novo nos corredores e olhou pra mim. Mas dessa vez, o olhar dela era furioso e cortante, como se eu tivesse feito algo muito errado. Minha crise continuou por mais uns meses, e vez por outra ia irritando a Jéssica até ela me bloquear (na época ela era uma pessoa muito depressiva). Depois que o ano letivo acabou, eu decidi não estudar mais naquela escola, é claro. No começo do ano seguinte consegui ocupar minha mente com outras coisas e não pensar mais na Fernanda. Bom, a primeira parte da história acaba aqui.

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Durante a primeira metade do ano, estudei em outra escola, me distraí com outras coisas, e fiquei bem e sem pensar na Fernanda. Lá pra julho, no entanto, a curiosidade me condenou e tentei conversar com ela algumas vezes. Ela tinha criado um outro perfil no Facebook, mas tinha me bloqueado nesse novo perfil. Tive que usar perfis fake pra falar com ela. Ela não queria falar comigo, mas eu meio que perturbava ela, e por vezes até falava dos meus fetiches e o que eu queria que ela fizesse comigo. (Sim, eu era inconsequente e não me policiava!) Xinguei ela de raiva algumas vezes também. Ela acabou bloqueando em todos esses perfis.

Com o passar dos meses, mais ou menos na época em que eu estava pra abandonar a escola, eu fui tentando conversar com amigas dela, que estudavam no antigo colégio dela, pois estava numa tentativa (mal feita) de encontrar pesssoas novas para fazer amizade. Eis que consegui chegar de novo na Jéssica. (Curiosamente, isso aconteceu em setembro, exatamente um ano após a minha primeira conversa com ela.) Adicionei e fui tentando conversar mais uma vez. Ela não estava mais zangada comigo, estava bem. Começamos a conversar de boas e sobre vários assuntos. Fui criando um vínculo com ela. Descobri que ela tinha virado militante esquerdista e fumava muita maconha. Descobri também que ela e a Fernanda não eram punk coisa nenhuma, apesar da Jéssica ter tido sim relacionamentos amorosos com meninas. Eu mostrei pra ela uma fanfic da Fernanda que eu tinha feito. Ela gostou e mostrou pra Fernanda, que também gostou. Vez por outra, a Fernanda ia para a casa da Jéssica e, aproveitando que eu estava lá, falava comigo. Ela brincava e falava besteiras de amigo comigo. Descobri que a Fernanda também usava maconha e outras drogas, e as duas por vezes se encontravam com grupos de rua para usar drogas juntos. Um dia, a Fernanda me desbloqueou e voltamos a conversar pelo Face. Apesar de brincar, ela era monossilábica e não me tratava muito bem. (Bom, mas pelo menos ela tinha me desbloqueado!)

Eu queria continuar sendo amigo da Jéssica e pelo menos criar um vínculo com a Fernanda (não sentia mais nada forte pela Fernanda), apesar do que eu tinha feito no passado. A Jéssica me convidou algumas vezes pra ir com ela e a Fernanda na rua usar drogas, mas por obra do acaso, nunca dava certo. Todas as nossas conversas continuaram pela internet. Não sentia nada amoroso pela Jéssica, mas ela era bonita, e por vezes fazia brincadeiras de cunho sexual com ela. Ela levava na boa, e não parecia muito irritada com isso. Nós brigávamos, mas mais por questões políticas: ela se considerava esquerdista psolista e eu, libertário. Mas sério, por mais que eu não fosse contra esse estilo de vida, algo dentro de mim estava com ódio de todo aquele negócio de droga. Ver os amigos dela usuários de droga, ela falando tanto dessas coisas, me deu raiva. Por outro lado, eu estava até interessado em provar maconha e LSD, drogas que ela tinha me oferecido, mas outro lado de mim estava com ódio de tudo aquilo. É difícil explicar esse dilema e essa confusão. Esse desrespeito que eu tinha pelos amigos dela e pelo estilo de vida dela, fez ela brigar comigo constantemente. Ela me bloqueou e desbloqueou algumas vezes no Facebook. Mas eu continuava conversando com ela e a Fernanda. Certo dia, elas me chamaram pra mais um encontro de drogas que, dessa vez, infelizmente, deu certo. Eu encontrei elas no local. A Fernanda parecia estar OK comigo, olhou pra mim, sorriu e perguntou se eu ia usar mesmo maconha; eu respondi que não. A Jéssica, no entanto, quando me viu pela primeira vez saiu correndo. Quando eu encontrei ela de novo, eu falei "olá". A reação dela foi violenta! No meio de todo mundo, ela esperneou em mim e gritou várias vezes pra eu sair, desesperada e quase chorando. Eu me levantei sem falar nada e fui embora, pra nunca mais me encontrar com essas duas. Cheguei em casa e a Fernanda havia me mandando uma mensagem perguntando se eu estava bem. Respondi que não gostei do que aconteceu e nunca mais me encontraria com elas.

Não lembro direito o que aconteceu, mas lembro que alguns amigos da Jéssica apareciam pra conversar comigo pelo perfil dela, provavelmente pra falar pra eu parar (eu não lembro exatamente pois apaguei a conversa). Em meio a esses problemas com a Jéssica e os amigos usuários dela, eu teria ficado com tanta raiva e ódio gratuito de uns que cheguei a ameaçar dar tiros neles, e falar pra um desses usuários, um garoto da minha idade que se tornaria o namorado dela: "eu vou forçar você a chupar meu pau, você e sua amiga". Só que eu tinha feito isso através do perfil da Jéssica. Quando ela leu as mensagens de novo depois, pareceu que eu tinha mandado direto pra ela (mas de qualquer forma, eu tinha falado dela também). Eu falava para sacanear e deixar eles com medo, mas como disse, não me policiava, eu não tinha controle. Aconteceu que na época esse cara, que teria se tornado recentemente o namorado dela, ameaçou me processar, ou fazer um BO de mim, e disse que seu pai era advogado. Mas não era só isso. Antes disso acontecer, eu simplesmente não parava. Mesmo bloqueado, eu criava perfis fakes pra tentar falar com a Jéssica de novo. Até que este namorado dela resolveu falar com as pessoas da minha família. Eu fiquei bem apreensivo na época, achando que meu pai ou minha mãe iam me dar alguma bronca severa. Por sorte, eles só conheciam meu sobrenome por parte de pai, então não tinham como achar minha mãe. Depois de várias ameaças de BO e processo, decidi me desculpar pra ele, dizer que eu estava errado e parar. Não tinha mais graça, aquilo não estava fazendo bem pra mim, e foi aí que percebi o tamanho da cagada que eu fiz. Depois disso nunca mais fui falar com a Jéssica de novo. Nenhum familiar meu veio falar comigo, mas eu temia que pudesse acontecer. Bloqueei esse cara e, evidentemente, nunca procurei contato com ele também. Isso tudo ficou bastante marcado em mim. Nunca pensei que as garotas me vissem como um estuprador. Mas foi basicamente o que eu ameacei fazer. Fiquei com medo e profundamente arrependido por bastante tempo, e decidi cortar de vez essas brincadeiras "pornográficas". Foi a única vez que eu ameacei cometer um crime de verdade (ou pelo menos que eu quisesse que fosse interpretado dessa forma). Não contei nada para a Fernanda na época, mas como ela é melhor amiga da Jéssica, iria inevitavelmente saber.

Continuei a conversar com a Fernanda, por anos. Assim como a Jéssica fazia, ela se irritava comigo vez ou outra e me bloqueava. Mas ela sempre acabava desbloqueando de novo. Convidei de nos encontrarmos pessoalmente várias vezes, mas ela sempre rejeitou. Ela não queria sequer falar por chamada de voz ou mandar áudios. Apenas texto. Minha conversa com ela com o tempo se tornou a mais longa do meu Facebook. A Fernanda ainda continuou conversando comigo, mas com uma certa repulsa e me bloqueando vez ou outra. Até que há mais ou menos um ano atrás, eu fiz mais piadas de cunho sexual com ela e ela me bloqueou pra valer. Como já não sentia mais nada forte por ela, eu não liguei e continuei minha vida.

Provavelmente por causa das minha doenças mentais, eu já cheguei a falar coisas pornográficas pra outras meninas e perturbar outras pessoas de outras formas, mas esse caso foi o mais extremo e me fez refletir bastante. Me arrependo disso até hoje e tento sempre me policiar e refletir porque eu cheguei a fazer essas coisas. Resolvi escrever essa confissão porque recentemente aconteceram coisas que me fizeram lembrar dessa época. Estava mexendo no meu WhatsApp e vejo que o perfil da Fernanda estava lá, como se ela tivesse me debloqueado. (Na realidade, parece que quando a pessoa reinicia o celular para as configurações de fábrica, ou algo do tipo, as pessoas são desbloqueadas). Resolvi enviar uma mensagem pra ela. Ela visualizou e não respondeu e sumiu por uma semana do Whats (mas não me bloqueou). Nesse tempo eu comecei a sentir uma saudade muito forte dela (mesmo nunca tendo tido com ela nada além do que contei aqui), e comecei a ter uma crise parecida com a minha obsessão original (e estou com um pouco disso até hoje). Nesse meio tempo, vi que o perfil da Jéssica no WhatsApp também estava lá então decidi tentar me "reconciliar" com ela. E imagina só! O burro aqui achou que depois de todos esses anos (uns dois ou três anos depois do ocorrido) ela estaria de bem comigo. Mas não, eu mandei apenas um "oi" hoje e ela foi super rude e me bloqueou. Achei que ia ser só isso, mas o mesmo cara (que achei que já não tivesse mais nada com ela) liga pra uma tia minha falando as mesmas coisas que tinha falado antes: que eu estava perseguindo e ameaçando a Jéssica. Vê se pode! Meu coração está a mil agora! Mas parece que não vai acontecer mais nada. Enquanto isso, não sei se a Fernanda vai responder as mensagens que mandei hoje… Será que a Jéssica vai falar com ela sobre isso, arruinando qualquer chance de contato meu com ela? Tomara que não.

Bom, minha confissão foi essa. Me arrependo do que fiz no passado (e da besteirazinha que fiz hoje também!) e pretendo nunca mais fazer algo do tipo. Espero que com o tempo eu vá melhorando e esquecendo dessa situação. Agradeço a todos por terem lido!

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Escrito por Anônimo

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