O risco de exorbitar na atribuição de traços humanos a seres não humanos é real. Elernaparece de forma clara, por exemplo, na investigação do campo minado que é a subjetividade erna vida emocional dos animais. Não é à toa que muitos etólogos preferem banir de suasrnpesquisas o uso de termos como raiva e medo, substituindo-os por expressões comorn“manifestação de comportamento agressivo” e “impulso defensivo de fuga”. O que pode, àrnprimeira vista, parecer um excesso de assepsia torna-se talvez mais compreensível quando sernexamina o antropomorfismo lírico a que podem chegar especulações em torno do choro dornelefante, da crueldade da hiena, da timidez dos papagaios, do tédio dos animais de pasto ou darnalegria dos golfinhos. O mesmo se aplica à imputação de relações sociais humanas ao mundornanimal como, por exemplo, na suposta prática do estupro entre os orangotangos ou darnescravidão entre as formigas.

