Sim, eu estou mendigando conselhos em um site de confissões anônimas, mas é algo grave que está acontecendo. Então, o que eu devo explicar primeiramente é que: Eu moro nos EUA. E mesmo que isso pareça irrelevante, vai justificar o fato de eu morar com quatro meninas. É porque aqui é o seguinte: Quando você se forma do colégio, você vai para a faculdade. E aqui tem um tabu em que: Você tem que sair de casa logo quando se formar, caso contrário, é um completo vexame. Talvez você tenha visto em filmes, mas é bem comum estudantes da mesma faculdade (Talvez não do mesmo curso) dividirem um apartamento ou dormitório.
Voltando ao que importa, eu moro com quatro meninas. E é o inferno. Cada uma é completamente diferente da outra, e quase todos os dias brigamos. Eu não sou próxima de nenhuma das quatro, porque sei que, se for me aproximar, eu vou acabar gerando briga, e eu não quero.
Mesmo assim, estou extremamente preocupada com uma das meninas que divide o apartamento comigo (Vamos chamar ela de G). Com a saúde física, e principalmente a psicológica. Vamos começar contando algumas características dela, só para você entender melhor: Ela é imatura, muito sensível, tagarela, e ingênua. Se liga nisso na hora de analisar o que ela faz.
A primeira coisa é que: Ela desconta tudo em comida. Absolutamente tudo. Qualquer frustração, mesmo que mínima ela já está tomando um litrão de sorvete ou pedindo um Big Mac com duas batatas grandes. E por ela ser muito sensível, ela se abala muito facilmente com tudo, o que significa: Mais comida.
Sempre que ela chega no apartamento com cara de chateada ou de brava, e com um pacote com alguma comida na mão, já sabemos o que vai acontecer. E outra coisa ruim também sobre isso é que duas das meninas que moram conosco (Que serão referidas como A e N), aproveitam disso e infernizam a pobre coitada. Colocam ela para se pesar diversas vezes, reclamam que ela está comendo demais, que está virando uma orquinha…Até inventaram o “bondoso” apelido de “Piggy” (Porquinha) para ela, que atura tudo calada.
A segunda coisa é o fato de o meu quarto ficar ao lado do dela, tipo, bem ao lado mesmo. E às vezes, no meio da noite, eu escuto ela falando só, chorando, batendo travesseiro contra a parede, indo escondida para a cozinha, essas coisas. E isso está me deixando muito preocupada. Nos diálogos que tem consigo mesma, ela diz que é horrível, burra, louca, e que não sabe o que está acontecendo com si. Xinga a maioria das pessoas da faculdade, e chora, a bichinha chora e chora. Fala que se contasse para os pais sobre “quem realmente é”, e “do que gosta e de quê gosta”, seria deserdada, enfim. Já tentei conversar com ela sobre isso, mas ela inventa que é sonâmbula, que ela sonhou que era outra pessoa, e que estava bem.
Porém entre esses choros, também tinham suspiros apaixonados, digamos assim. E eles eram direcionados à quinta menina, a V. (Se você está confuso, vou te atualizar: G gosta de V, e é zoada por A e N) Eu admito que, mesmo achando a V chata, eu ainda tenho uma simpatia por ela. Talvez por ser a única que liga em demonstar algo para a G. Mas enfim, V é lésbica, e ambas, mesmo com todo o caos no apartamento, parecem ser bem próximas. V protege muito e cuida da G, e quando ela tá por perto, a G se atrapalha toda, essas coisas de gentinha apaixonada. Enfim, eu, a A e a N temos quase certeza que elas já se pegaram pelo menos uma vez.
Contudo, há uma grave mudança de comportamento da G quando a V não está. Por exemplo, ano passado a V passou um mês fora. Nesse mês a G, que costuma falar demais, estava quieta, e aparentava mais cabisbaixa. Falava coisas tristes, e sobre que estava se sentindo só. Porém foi só a V voltar, que ela começou a brincar com tudo, viver encangada com ela, e essas coisas.
Eu sinceramente acho que a G é depressiva sim, e isso me preocupa. Mas eu não faço ideia de como eu ajudo ela a ser feliz. Eu passei todo esse tempo como expectadora. E agora? O que eu faço?

