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Complexo com a aparência

Eu sempre tive crises de humor desde meus 10 anos quando meus pais se separaram e sempre tive baixo-estima, Sempre fui considerado "feio" por meus amigos e amigas (ninguém gosta de ser amigo do garoto nerd, gordo, tímido, retraído e feio) e isso as vezes me magoava. Não era ruim saber que sua aparência não agradava, o que chateava era servir de chacota, não ter um amigo pra desabafar e a aqueles que diziam amigos (tipo seu irmão mais velho) pra depositar alguma esperança e segurança a ponto de contar algum segredo ser o primeiro a sair espalhando pra rua toda a fim de te ver chorar (sim ele gostava de me ver chorar). Minha mão não me escutava, meu pai era e sempre foi ausente na minha vida, meu irmão era meu inimigo…eu tava bem servido na minha infância. O que me agradava era ir na casa de minha tia e madrinha onde lá pelo menos eu me sentia querido. Pois bem foi lá mesmo que passei por algo na qual venho hoje contar aqui. Sou uma pessoa bem segura emocionalmente (talvez não fosse mas com o tempo aprendi a ser) e certa vez na casa dela (em 2004, eu tinha 14 anos e ele 20) fomos irmão mais velho e eu. Ela adorava conversar com a gente adorávamos ficar tempo de papo com ela. Nesse dia ela me elogiou por eu estar bem vestido e disse "como você está lindo" e, eu muito acanhado apenas sorri. Meu irmão retrucou "lindo onde? Se ele é lindo eu sou maravilhoso! Pergunta pra ele se ele já beijou alguma menina? Pergunta se alguma menina já disse achar ele bonito? Gordo desse jeito ele nunca vai arrumar uma namorada. Menina nenhuma gosta de cara feio e fedido igual ele". (-Mas que car*** onde mais eu joguei pedra na cruz? Eu nem ao menos respondi o comentário dela e tomei uma avalanche de lamina afiada seguido de querosene em minhas costas). Eu as vezes ouvia isso dele mas em casa. Não na frente dos outros, aquilo me chateou. Na hora fechei a cara e não sabia pra onde olhar. Minha tia (apelido Mema) tentou amenizar dizendo " Não, tanto um é lindo como o outro também é" e ele retrucou " Ah, Mema! Esse cara envergonha a família" (Naquele momento eu só queria estar no meu quarto, com a porta trancada e no escuro chorando quieto pra que ninguém ouvisse, lá era meu refúgio). Em seguida ele olhou para mim com um leve sorriso no rosto de como quem diz "era brincadeira" (nessa altura do campeonato, claro!) E aquilo me magoou profundamente naquele dia. Nunca contei pra minha mãe nem pra ninguém desse ocorrido. Nunca tive coragem, mesmo hoje com 26 anos tenho medo contar certas coisas para meus "amigos" (não, não confio em meu taco). Passado 12 anos desse dia ainda lembro disso com uma mágoa lá no fundo e precisava contar pra alguém, que mesmo desconhecidos me inspiram mais confiança a ponto de vir e abrir publicamente. Rodrigo Renan, paulistano 26 anos.

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Escrito por Anônimo

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