Confesso que mesmo com 26 anos de idade nunca namorei sério, logo não sei dizer se já me apaixonei por alguém. Lá na 8ª série com meus 14 anos senti algo por uma menina que não sei descrever. Talvez fosse paixão, não sei, eu gostava daquela menina baixinha, branca, dos cabelo lisos e escuros, nerd. Certa vez nas férias ela quem veio falar comigo no antigo MSN. Ela puxou assunto e comecei a falar com ela meio que desacreditando daquilo (nunca nenhuma menina tinha vindo falar comigo). Eu confesso que nessa época eu tinha deixado um pouco de ser tão gordo pois eu tinha crescido muito e emagrei, mas continuava nerd. Ela dizia que eu era legal e que gostava de conversar comigo. Talvez ali poderia finalmente perder o bv e com a garota que eu tanto admirava. Os dias iam passando e nossa amizade crescia, aquilo me deixava contagiante, não sei por algum tempo meus dias eram mais alegres e uma felicidade grande ali reinava em meus pensamentos. Aquilo era bom, mesmo não a vendo. A esperança aumentava e o meu desejo de a ver também. Nos falávamos todos os dias e e incrivelmente ela me passava uma coisa que quase com ninguém eu tinha (confiança e sigilo). Poxa além da menina que eu gostava ela ainda estava a ser minha amiga e confidente, aquilo estava demais. Ela me fez ter coragem de falar coisas a ela que eu nunca jamais disse a outra pessoa. Acho que abri meu coração naquele momento, não sei. Bom, nesse tempo eu não possuía computador e entrava no único de casa (do meu irmão mais velho) enquanto ele viajava a trabalho. No dia em que acordar e tomei coragem de chamar ela pra sair, meu irmão retornou de viagem (não nos dávamos bem) e eu decidi adiar esse pedido. (Pois é eu não confiava e não confio no meu taco). Passei uns dias sem ao menos chegar no quarto dele quanto menos acessar o computador. Parecia que meus planos estavam indo por água a baixo. Esperei o fim de semana que ele saiu com namorada dele a noite e fui falar com a menina de meus sonhos. Ela parecia estar quieta, não queria muito papo (até hoje não sei se ela estava brava ou o que) e não rolou muita prosa aquele dia. Eu ainda tinha esperança de chama-la para ver mas não tinha a confiança e nem a cara de pedir o computador emprestado nos outros dias. Aquilo era ruim, meu irmão passou aquela semana em casa pois o serviço tinha acabado. Minhas esperanças diminuíam ao passar dos dias, em menos de uma semana voltariam as aulas mas o pior ainda estava por vir. Ela tinha mudado não só da minha sala como de horário, aquilo era horrível. Eu perdi o contato com ela, não a mais via. Nem nos fds (tempo depois fiquei sabendo que ela tinha mudado de msn). O tempo passou, no ano seguinte ela mudou de cidade e consequentemente de escola. Perdi de vez o contato com ela. Aquilo me amargurou. Anos mais tarde encontrei ela no Facebook, se juntou com um rapaz e foi morar no sul do país. Preferi não a ver mais, poderia ter sido eu ali naquelas fotos. Minha timidez e falta de confiança tiraram de meu caminho talvez a única pessoa por quem realmente gostei na minha vida. Escrevendo aqui os braços chegam a tremer e bate um certo arrependimento de que se eu pudesse voltar no tempo, com certeza seria naquela manhã. Rodrigo Renan, paulistano, 26 anos.

