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De saco cheio

Eu confesso que minha vida anda muito sem graça. Sou Químico, me graduei na USP de São Carlos, fiz pós na Escola Paulista de Medicina e ao término do pós doutorado prestei concurso e hoje sou pesquisador em um Instituto de São Paulo – SP. Sempre fui um bom aluno, durante a minha pós dei o meu sangue para ser o melhor. Porém, agora que sou um pesquisador, acabei vestindo a carapuça de uma legítimo funcionário público. A diretoria cobra publicações, produção, mas eu não tenho mais saco para isso. Quando chego no trabalho leio os meus emails, vou tomar um cafezinho na cozinha, onde passo horas conversando sobre coisas da vida com os técnicos do laboratório ou com qualquer pessoa que estiver lá. Não quero compromisso com o trabalho, não quero cobrança, não quero dar satisfações, tudo isso me cansa. Todos os dias eu pego o meu carro e vou para o lab. só para no final do mês poder pagar o cartão ( como naquela música “Poetas e vagabundos, tienes que trabalhar, para pagar el carton”). Sou casado, tive um filho a pouco tempo, mas me interesso por várias mulheres. O ser humano tem uma essencia primitiva, que o faz agir como um animal e nesses momentos o homem se esquece da ética imposta pela sociedade e quer provar a carne. Modéstia parte, sou um homem de 45 anos, muito garboso e muitas mulheres me procuram. Vocês, homens casados, iriam resistir no meu lugar? Eu não resisto e caio de boca, saio mais cedo do trabalho e mato o meu desejo carnal. Bom, sem mais delongas, esse foi o meu desabafo.

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Escrito por Anônimo

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