Não sei se já bem um tópico pra isso, mas o objetivo é desabafar, então, vamos lá ao textão. Sou uma pessoa muito prática. Sempre foquei na carreira. Tenho 2 graduações, uma pós e falo 4 línguas. Casar e ter filhos nunca foi meu objetivo de vida. Dediquei 30 anos da minha vida ao estudo, a ser independente financeiramente e nunca precisar de homem nenhum para me sustentar. Consegui. Tinha: casa, carro e conseguia fazer uma viagem aqui e outra ali. Nada de muito sucesso, mas minha curva era ascendente justamente por ter me planejado.
Enfim, surgiu uma pessoa e a primeira coisa que eu disse foi: não quero ter filhos. Não estão nos meus planos financeiros. Gostaria de adotar depois de atingir a estabilidade, por volta dos meus 45 anos. Ok. ele concordou. Casamos. Fiquei doente. Tive que fazer um tratamento infernal no colo do útero para que não virasse câncer.
Enquanto estava doente, meu marido resolveu abrir uma empresa, apesar dos meus conselhos contra. Ele quis provar que conseguiria ser bem sucedido. O problema é que realmente achou que em um mês de empresa estava rico e fez várias coisas que não me contou. Comprou um carro absurdamente caro, fez inúmeros consórcios e investiu em equipamentos para a empresa. Enfim, várias burrices que só descobri depois. Como estava impedida de trabalhar em obras, ele se responsabilizou pelas contas.
Enquanto ele esbanjava, eu segui meu tratamento e no meu último remédio estranhei a bula. Perguntei para médica: "esse remédio vai ser incompatível com a pílula? Preciso usar camisinha?" E ela me respondeu: "Não, continua com a pílula que não tem risco algum. Vida normal." Eu segui vida normal, mesmo porque tenho uma certa intolerância ao látex e a camisinha realmente era incômoda, sempre ficava assada depois. Resultado: um mês depois, teste de gravidez positivo.
Vi minha vida ruir, tudo que construí estava indo na direção oposta dos meus planejamentos. Contei para meu marido e ele ficou incrivelmente feliz. Eu fiz oito anos de terapia para parar de ter ataques de pânico, por conta de um transtorno de personalidade ansiosa e os ataques voltaram como se eu nem tivesse superado minhas crises.
Para resumir, adaptei meus planos: como sou arquiteta, desenhei o quarto da bebê, expliquei para ele que precisava de terapia para aceitar a situação, que precisava ter o mínimo controle sobre meu corpo, então precisaria de drenagem, pilates (eu tenho escoliose e sempre morri de dores na lombar) e tratamento em uma dermatologista. Ele concordou com tudo, porém, quando estava no quarto mês a verdade veio a tona. Tudo que ele investiu, esbanjou, e fez fora de hora vieram a tona com a morte de um cliente; Ele morreu devendo muito, mas muito mesmo. Muito, no sentido de além de todas as possibilidades de recuperação. Não me pergunte como meu marido deixou uma pessoa dever tanto.
O resultado foi que tivemos que fechar a empresa, as obras já iniciadas pararam, rescisões caríssimas de funcionários. Perdemos casa, carro e ainda estamos enfrentando duas ameaças de processo por quebra de contrato, pois os clientes não aceitaram mudar o contrato inicial para darmos continuidade nos serviços.
Porém, eram meus clientes que ele tomou para si. Tomou a frente com a desculpa da esposa grávida que não poderia fazer esforço. Quando tudo deu errado, meus clientes se voltaram contra mim e me acusaram de ter indicado um pilantra.
Eu suei muito para conquistar meus clientes e meu marido simplesmente surtou. Xingou alguns deles, voltou a morar com a mãe dele e confessou para mim que estava se sentindo um lixo. Como estava arriscado a enfrentar um processo (e sabemos que em um processo bloqueiam-se bens ad-infinitum até que tudo seja pago pelo réu), eu vi que minhas chances de recuperação financeira eram poucas caso ele continuasse agindo de maneira infantil. Logo, tomei a frente novamente. Com um pedreiro e com minhas mãos, arrumei vazamentos, instalei vasos sanitários, arrumei retorno de esgoto que estava tendo em um dos banheiros e substitui algumas cerâmicas trincadas que aparentemente ninguém tinha visto. Isso, em apenas uma das obras. Nesse meio tempo, cheguei as 30 semanas. Pensei na bebê em algum momento? Claro, que não, nem em mim, nem na bebê. Apenas no meu marido, seu sofrimento psicológico e na possibilidade de nunca mais nos levantarmos financeiramente. Ok, pareço egoísta no momento, por não pensar na bebê, mas não tinha cabeça para pensar em mais nada, pois em um processo trabalhista ou cível, já existem jurisprudência de tomarem os bens da esposa pré-casamento (em União Parcial de Bens, como é meu caso) e a única coisa que tenho no meu nome (além de muitas dívidas), é a casa dos meus pais. Imagina, além de perder tudo, como já perdi, perder também a única moradia dos meus pais.
Finalmente, acredito ter sanado todos os problemas referente aos clientes. Sobre os dois clientes que vão entrar com processo, terei que esperar e ver se consigo um acordo em frente a um juiz no futuro.
Com isso tudo, não pude seguir meu planejado para o quarto da bebê (nem casa, nem quarto tenho mais). Não tenho condições de alugar uma casa, nem sequer um quarto e cozinha, pois estamos completamente sem renda. O que consegui foi transformar a edicula da minha mãe em um quarto, banheiro e cozinha. Porém, meu marido não está se dando muito bem com meu pai. Ainda não entendi o motivo, mas vou descobrir, pois eram muito amigos. Então, meu marido me pediu para morar com os pais dele, no quarto que era dele quando era solteiro.
Como não tenho condições de comprar nada, em paralelo ao atendimento aos clientes, fui pedindo doações em igrejas e ONGs. Tenho outros clientes fantásticos que entenderam a minha situação e até me montaram uma bolsa linda de maternidade. Levei tudo para minha sogra.
Meu planejamento para a bebê é simples: uma educação sem gênero, não quero nada rosa ou azul. Como trabalho com cores, acredito que as cores podem nos influenciar psicologicamente. Queria tudo em tons de marrons e bege, seguindo uma linha orgânica, ligada a natureza e ensinando a ela o respeito com o planeta desde pequena. Eu odeio rosa. Mesmo. Pedi para não comprarem nada. Adaptaria as doações ao meu gosto. Pedi para não comprarem perfumes mamãe bebê ou água de colônia pois sou extremamente alérgica, assim como talcos. Eu preciso de alternativas.
Minha sogra falou na minha cara, rindo (como quem coloca um emoticon de sorriso, após uma alfinetada), que quer roubar a bebê de mim. Eu não duvido, pois ela roubou a outra neta dela. Hoje a menina (10 anos) mal obedece as ordens da mãe e não quer ir dormir na casa da mãe.
Enquanto estou lá vejo chegarem roupas de cama rosa, carrinhos rosa (eu já tinha ganhado um bege), trocador rosa. A bolsa de maternidade bege, de couro, linda, que ganhei, ela disse que ia ficar para a outra filha dela que está tentando engravidar. Ela comprou o perfume Mamãe Bebê (que eu tive que colocar dentro da caixa e em uma gaveta para conseguir respirar). Presumo que o que comentei sobre a criação que quero dar não esteja sendo ouvida.
Na frente do meu marido ela comenta que tudo o que faz será por mim e para a bebê. Não estou abrindo a boca, pois sem recursos financeiros tenho que contar com a "bondade" dela, mas claramente, ela não está querendo o meu ‘bem’.
Enquanto resolvia os problemas, tive alguns sangramentos, corri para o médico e descobri que a doença voltou e mais forte. Isso só me obrigada a esperar a bebê nascer para fazer um novo tratamento. Terá que ser cesária. O que minha sogra me disse sobre isso? Ela mora em um sobrado de 3 andares. Ela quer que eu chegue da maternidade e vá direto para o quarto. Ela me pediu para agendar a cesária para uma quarta-feira, assim, fico internada 3 dias, ela ‘cuida’ de mim no domingo e na segunda volta a trabalhar. Ok, não posso subir nem descer escadas por conta dos pontos e vou ficar sozinha em um sobrado com a recém-nascida? Ela não quer que eu fique na minha mãe (minha mãe mora em uma casa térrea) e está fazendo a cabeça do meu marido que ficar lá é o melhor pra mim e pra bebê. Quando questionei sobre as escadas ela me falou que a neta de 10 anos ficaria cuidando de mim. ela sabe trocar bebês e sabe dar banho! Que quando meus pontos saíssem eu poderia voltar a trabalhar que ela levaria a bebê para trabalhar com ela.
Estou ficando louca ou só no meu mundo isso não é razoável (ela é cabeleireira e faz progressiva o dia inteiro)?
Informei que não seria assim, pois não quero que ela saia de casa antes de um mês, de estar vacinada e também não quero visitas nesse tempo. Ela se calou porque meu marido ouviu e concordou.
Tracei meu plano, montei meu quarto na edicula da minha mãe. Montei o berço e aos poucos estou adaptando a decoração conforme o que eu quero. No dia que sair da maternidade posso até ficar com ela, mas assim que ficar sozinha para olhar DUAS crianças, pedirei para minha mãe me buscar, por mais chateado que meu marido fique.
Ele já viu o novo berço, os bichinhos de pelúcia (ecológicos) que eram meus. Não acho que ele vai perceber o quanto a mãe dele está se intrometendo, que está tirando a bebê de nós. Acredito que enquanto não fizer um tratamento psicológico ele vai ficar mais confortável escondido na casa dos pais. Não quero abandoná-lo e também não quero fazer ele enfrentar mais dificuldades, afinal, um confronto com meu pai agora não seria das melhores coisas pra acontecer.
O que eu preciso agora são lugares baratos para comprar coisas para a bebê para ele perceber que eu me importo, mas que precisa ser do meu jeito. Ou seja, contei uma mega história porque preciso de lugares onde posso comprar um enxoval barato (que não seja rosa, pelo amor), preciso de camisola para a maternidade (pretendo ir no Brás) e de lugares baratos para comprar fraldas. Em último caso, estou pensando em usar de pano, como antigamente.
Ajudas? Sugestões? Conselhos?
Obrigada.

