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MINHA MÃE ODEIA MEU MARIDO

Minha mãe odeia meu marido. É comum situações familiares em que as sogras não se dão bem com os genros, mas, no meu caso, isso chegou a um grau desconcertante.
Casei-me pela primeira vez depois dos 30, sem histórico de relacionamentos profundos. Como filha única, sempre fui muito cobrada pelos meus pais para não sair demais de casa, não namorar nenhum desconhecido, vivia como se estivesse me preparando para ir para um convento seguir carreira religiosa. Como resultado, cheguei a cogitar a hipótese de me tornar freira, de tão limitada que me encontrava, em plena adolescência e, depois, idade adulta jovem. Porém, conheci um homem pela internet e com ele me casei.Infelizmente, meu primeiro marido era alguém procurado pela polícia, pode-se assim dizer, e fui abandonada um ano após o enlace, pois ele estava encrencado demais, nada me contou, e simplesmente preferiu ir para outro continente.
Até conhecer meu segundo marido, retornei à rotina de ficar em contato com meus pais por longos períodos, sem sair, dando satisfação de todos os meus atos. Minha mãe, pessoa nada proativa, com doses de hipocondria preocupantes, além de grande egoísmo e egocentrismo, procurou cobrar bem de mim a retribuição de filha por todos os anos que ela a mim dedicou como mãe. Para não correr o risco de ser injusta e ingrata, fiz de tudo para ajudá-la, apoiando-a inclusive em momentos nos quais ela mesma deveria lidar por conta própria. Mas fiquei presente.
Com a chegada de meu marido atual, chegou também a hora de eu passar a dedicar uma atenção maior ao meu lar com ele e enteada. Afinal, a minha mãe já tinha a casa dela, o marido dela, uma vida particular para cuidar. Claro que eu dividi minhas horas, de modo a continuar a apoiá-la nas horas em que ela precisava de mim. Só que não foi o bastante para ela! Queria atenção integral. Começou a me ofender e cobrava respeito de filha, quando eu discutia com ela, após ouvir ofensas sem razão! Queria que eu achasse bonito ser xingada, sem razão? Acabou que sobrou para o meu marido. Ela passou a discutir com ele, tanto que cortaram relações. Ela o acusou de ser um aproveitador, porque é aposentado e não tem emprego fixo, mas vive de sua aposentadoria. Meus rendimentos são maiores do que os dele, e isso foi um pretexto para ela o acusar de ser interesseiro e de estar comigo para viver às minhas custas! Nem minha enteada escapou dos ataques: minha mãe acha que ele não deveria tê-la trazido para morar conosco, e ficou tentando me convencer a falar para ele deixar a garota com a mãe biológica, a ex-mulher. Não aceitei a sugestão, que soava como uma imposição, pois a considero como filha e ela já estava morando com ele há anos.
Eu e meu atual marido já estamos juntos há cinco anos. Nossa vida, para ter harmonia, não tem nenhum vestígio da presença de minha mãe. Sobra para mim, porque eu passo uma parte do dia na casa dos meus pais, dando apoio, e o resto do dia no meu próprio lar, perto do meu marido e enteada.Ainda assim, volta e meia ela vem falar comigo a respeito(quero dizer, em desrespeito) dele, ofendendo-o sem parar. Eu fico com duas opções: a primeira, que me faz mal, pois odeio discussões, é brigar com ela e dizer para ela parar de dizer inverdades e ofensas sobre ele; a segunda, que não é a ideal, pois não corta o mal pela raiz, mas não me deixa nervosa, é deixar ela falando sozinha e ir embora.
Cheguei a perguntar para minha mãe se, um dia eu estivesse sofrendo de uma doença terminal e lhe fizesse um pedido , em meu leito de morte, para que ela parasse de odiar meu marido, se ela me atenderia. ELa, friamente, me disse que NÃO! Vive amaldiçoando meu marido. Isso tudo é desnecessário e injusto para com ele. De uns tempos para cá, ele vem sofrendo de hipertensão e insônia, e tenho certeza de que a culpa é dessa tensão provocada por ela.
Não quero me afastar da casa dos meus pais em consideração ao meu pai, que é hipertenso(só poderia ser, convivendo com pessoa como a minha mãe) e, durante minhas visitas, tem horas de alívio da tensão que é conviver com uma pessoa que adora reclamar, mas não contribui em nada para a felicidade do próximo. Se eu não fosse calma, já teria jogado a toalha. Apesar de me manter presente, sem o merecimento dela, ainda assim, constantemente, me chama de filha ingrata. Ora, na verdade, sou filha de mãe ingrata!

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Escrito por Anônimo

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