Eu confesso que tinha uma melhor amiga chamada Barbara (esse não é o nome real dela, mas usarei esse nome para preservar a memória dela). Eu e Barbara nos conhecíamos desde pequenas, éramos praticamente irmãs, sabíamos tudo uma da vida da outra, emprestávamos o ombro a outra, etc. Tínhamos praticamente a mesma idade também, eu só era um ano mais velha que ela.
Tão logo Barbara completou 10 anos, aconteceu uma tragédia em sua vida: o pai, que ela tanto amava, morreu num acidente de carro. A mãe de Barbara, que sempre foi católica, com a morte do marido, deixou de ser uma simples católica e acabou virando uma verdadeira fanática religiosa. Barbara, era modelo desde os 6 anos de idade, sua beleza chamava mesmo atenção e, com a vinda da adolescência, sua beleza passava a chamar ainda mais atenção. Mas sua beleza não chamava somente a atenção, também chamava a inveja das meninas, que queriam ser bonitas com ela. Apesar de muito bonita, Barbara era uma menina quieta, não saia, não namorava, nada. E todo o mundo sabia da boa reputação de Barbara, já que morávamos em cidade do interior, interior mesmo.
Aos 16 anos, ela estava no ápice de sua beleza, não havia sequer um menino que não a pedisse para ficar ou até mesmo namorar com ela. Mas Barbara era tão romântica quanto bela, e portanto, queria ficar com nenhum, ela não via só beleza nos meninos. Dentre os rejeitados, tinha um menino que era muito riquinho e mimado, não aceitava levar fora de menina alguma e ele levou justamente da Barbara, para sua raiva. Mas ele não aceitou o fora da Barbara, ele a queria de qualquer jeito.
Barbara morava num sítio num lugar um pouco afastado da cidade. Então, num dia quando a Barbara estava voltando pra casa depois de ter ido a uma outra cidade tirar fotos, esse riquinho ficou esperando ela vir, quando a viu, a abordou, pedindo para ficar com ela e ela, como sempre recusou. Furioso, ele a carregou até o meio do mato e a estuprou!
Um mês passou e Barbara não andava se sentindo muito bem, até o dia que desmaiou na própria casa. A mãe chamou o médico e ele diagnosticou que ela estava grávida! A mãe, católica que só vendo, ficou perguntando que putaria era aquela, como ela ousou em perder a virgindade antes do casamento, etc, já quase ia batendo nela, até que ela contou que foi estuprada pelo filho da puta.
A mãe decidiu que seria, então, melhor casar os dois. Foi falar com a família do canalha e eles aceitaram em se casar, mas Barbara não queria. Barbara era romântica, não o queria de jeito algum. A mãe vendo que o casamento seria algo inútil decidiu que ambas resolveriam aquilo sozinha, como mãe e filha.
Meses passavam e a gravidez ia adiante, Barbara só ficava dentro de casa, para evitar polêmicas pois a cidade era pequena. Um dia fui visitá-la e quando cheguei, eu ouvi a mãe gritando: assassina, monstro, demônio. Corri para o quarto e vi Barbara desmaiada e nua da cintura pra baixo. Ela estava ensanguentada e ao lado tinha duas agulhas de trico, ela havia provocado um aborto! Imediatamente chamei uma ambulância.
Barbara foi socorrida, mas assim que saiu do hospital ela não foi para casa… A mãe a colocou num manicômio! Para ela, a filha estava doida por ter abortado! A mãe nem a ia visitar, mandava o empregado do sítio levar roupas e coisas pra ela, mas eu sempre dava um jeito de visitar minha melhor amiga, ela precisava de mim, estava triste demais com tudo aquilo!
Um “belo” dia, a mãe resolveu visitá-la. Barbara estava num quarto e a mãe do lado de fora, o quarto era separado por um vidro e as duas podiam se falar através de um pequeno buraco. Elas começaram a brigar, e a Barbara implorando pra mãe tirá-la de nada, e a mãe se recusando. Barbara não aguentou, acabou quebrando o vidro e nisso, num ato de desespero, pegou um pedaço de vidro e enfiou na jugular (um vaso do pescoço). Eu cheguei quase no final da briga das duas e não pude fazer nada, quando vi, ela já estava metendo o vidro no pescoço… Já era tarde. Única coisa que pude fazer foi correr até ela e abraçá-la… Minha amiga morreu em meus braços, dizendo para a mãe “que a culpa foi toda dela”.
Não importa quantos anos passem, jamais esquecerei de minha amiga, tão jovem, tão bela… tão infeliz.

